Introspectiva 2009

por Robson Assis | | 31.12.09 COMENTE!

Não consigo classificar 2009 como um ano bom, nem como um ano ruim. Foi um ano muito estranho, isso sim é inegável. Conheci dívidas que nunca pensei ter, frequentei lugares que não esperava e abandonei uns parâmetros de vida que achei que me atrapalhavam, mas que hoje se mostram tão necessários quanto o ar que respiro.

A poesia, a discórdia, a opinião truculenta saltando nas veias. Eu perdi, de certa forma, a ânsia por tudo quando deixei essas coisas de lado. Abandonei meu antigo emprego para outro parecido, mas bem menos entediante, com pessoas mais maduras e que cuidam mais de suas próprias vidas.

Primeiro ano com a namorada. Uma pessoa especial, inteligente demais, - sempre perco discussões com ela, até quando falamos de Racionais - linda e que me faz pensar nessas paradas sobre o futuro. Passamos por momentos difíceis este ano e espero que tenhamos mais sabedoria e coragem no ano que começa amanhã. (É bom / Às vezes se perder / Sem ter porquê / Sem ter razão / É um dom / Saber envaidecer / Por si / Saber mudar de tom).

Enfrentar o que se passa na sua cabeça não é uma das metas mais legais de se colocar numa lista metas para o ano novo, mas é uma decisão um tanto sensata.

Fiquem com os melhores vídeos de 2009, e que 2010 seja um ótimo ano a todos nós.

Black Eyed Peas tocando seu hit I got a feeling na festa de aniversário da Oprah. Realmente incrível, talvez o maior Flash Mob de 2009, senão o maior, pelo menos o mais emocionante.


A música mais tocada na Inglaterra de acordo com a empresa de licenciamento PPL. Chasing Cars é uma excelente música, com o clima que o Snow Patrol se acostumou a fazer.


Rock And Roll, executada pelo Foo Fighters com a participação de Jimmy Page e John Paul Jones, integrantes originais do Led Zeppelin.


You Make My Dreams Come True, da excelente trilha sonora de 500 dias com ela. Uma música que lembra sábados de sol, felicidade e essas coisas que morreram nas comédias românticas


Abertura de Watchmen, com Times are changing, do Bob Dylan. Cenas históricas, com os minutemen do melhor filme baseado em quadrinhos que já vi. Queria postar o vídeo do filme, mas o youtube proibiu a incorporação a blogs. Segue abaixo a canção original e aqui o link do vídeo com a introdução do filme.

Jay-Z, Sir

por Robson Assis | | 29.12.09 COMENTE!

Conheci o trabalho de Jay-Z através de uns artistas da Roc-A-Fella, sua própria gravadora, no começo da década 00. Certa vez, de bobeira em casa e zapeando canais, caí num Telecine qualquer que passava o documentário Fade to Black, sobre a vida do rapper, com cenas reais dele em estúdio, gravando o The Black Album, um dos últimos grandes discos antes da derrocada da música pop e da avalanche de batidas e samples eletrônicos, chatos e sistemáticos.

Sinceramente, depois desse trecho do filme (abaixo), fiquei empolgado por ouvir tudo o que o rapper fez até então e o que faria dali pra frente. Claro, não sem antes pensar na possibilidade de ser uma jogada publicitária afim de exaltar um dos maiores ídolos de hip-hop do mundo. Preferi acreditar que ele é melhor rapper que ator. E ficamos bem assim.

Com vocês, Sir Shawn Corey Carter (ou seria melhor dizer Shawn Knowles Carter?), JAY-Z!

Solidões necessárias

por Robson Assis | | 27.12.09 COMENTE!

Preciso dos dias e tardes
Nem que chova
Nem que morra
Prefiro o conforto das falsas liberdades.
Existe algo simples
Mas que poucos podem discernir
Liberdade näo é fazer o que se quer
Está em poder simplesmente existir.

Os melhores raps nacionais dos anos 00 - parte II (definitiva)

por Robson Assis | | 19.12.09 1 Comentário

A segunda e definitiva parte dos melhores do rap nos anos 00. Foi uma difícil seleção de músicas e, sem dúvida ficaram de fora outros grandes clássicos da primeira década do novo milênio, mas fica a certeza de que rolou muita música de qualidade e idéias sinceras.

Fiquem com a mixtape! E confiram também a primeira parte.



A FIRMA - ÁFRICA
Uma música EXCELENTE, para não economizar adjetivos. Obviamente fala sobre escravidão e preconceito, e termina com um dos melhores discursos do Thaíde.

"Mas se liga, a coisa não mudou muito e a parada é daqui pra frente
Tirando a corrente e o tronco a situação não é muito diferente
O que era Quilombo hoje é chamado favela
O conceito de igualdade para o povo já era
A polícia mata de um lado e o governo bate do outro
E a gente sempre acorda com a corda no pescoço
Mas, calma aí, seu moço, pra que o desespero?
O giz é branco, mas não ensina nada sem o quadro negro"

GOG - O AMOR VENCEU A GUERRA
Uma história heróica, cantada pelo poeta de Brasília, em uma batida simples e verdadeira, com muito sentimento. A trilha de fundo, do Legião Urbana é de arrepiar.

"A semana toda passei agoniado
Lá estava eu, madrugada de sábado
O encontrei no jardim aguando as plantas
Ali mesmo tivemos uma conversa franca
Ali mesmo ensopei minha camisa branca
Me senti aliviado, tirei um nó da garganta
A violência com atitude impensada gera
Não sou mais um entre a ganância e a capela"

SABOTAGE - MUN-RÁ
Optei não colocar nenhuma do disco Rap é Compromisso, deixei para uma possível lista de intocáveis do rap. Essa música define o Sabotage. Ele era esse rapper que ironizava o mundo em sua rima, falava de seus filhos e sobrinhos, é quebrada e sabe exatamente a que veio.

"Se liga na fita danados otários estão maquinados no morro
falaram que pode atirar na sequência se pa vão prestarem socorro
mas abre olho, o cara piolho, é sempre um mano dos nossos
o inimigo meu tem Astra, Barca, Blazer, também tem Moto"

MV BILL - SOLDADO DO MORRO
Acredito que um sociólogo não faria melhor descrição do tráfico nos morros do Rio de Janeiro como o rapper faz nessa música. A batida cria camadas densas de um discurso político pesado.

"Tô ligado bolado quem é o culpado?
Que fabrica a guerra e nunca morre por ela
Distribui a droga que destrói a favela
Fazendo dinheiro com a nossa realidade
Me deixaram entre o crime e a necessidade"

RACIONAIS - VIDA LOKA (pt. I e II)
Como disse nesse texto aqui, o grupo deu uma desritmada com o Nada como um dia após o outro dia. Mas isso não os livrou de lançar esta epopéia. As duas partes de Vida Loka definem o Capão Redondo e o sentimento que Mano Brown tem por sua quebrada e seus amigos. Merecem ser uma só.

"Meu melhor Marvin Gaye, sabadão na Marginal
O que será, será, é nóis vamo até o final
Liga eu, liga nóis, onde preciso for
No Paraíso ou no dia do Juízo, Pastor
E liga eu e os irmão
É o ponto que eu peço,
Favela, Fundão, imortal nos meus versos"

EDI ROCK E SNJ - NÃO SEJA MAIS UM PILANTRA
Do disco solo do Edi Rock. Sim, o rapper tem um disco solo pouco conhecido com participações e uma segunda versão de Rapaz Comum, do Sobrevivendo no Inferno. Esse som, com participação do SNJ, tem uma batida tensa e fala sobre a decadência de um viciado.

"Sobrevivente aqui é você que menos culpa tem
Quem vem dar ajuda quando você precisa?
Maluf ama São Paulo, o povo veste a camisa
Se lugar de bandido fosse na cadeia
Ele estaria atrás das grades numa cela cheia
Ia ser réu comum, digno de dó
Só, mano ia ficar só o pó"

DEXTER - FÊNIX
A imprescindível alfinetada no antigo parceiro de grupo do rapper saiu no disco Exilado sim, Preso Não, de 2005. Letra ácida e desafiadora.

"6 meses em Bernardes me fez entender
Que o pior cego é o que não quer ver
Mas eu vi e percebi, descobri quem é quem
Hoje sei quem chegou quando precisei"

THAÍDE & DJ HUM, RZO, SNJ e Xis - ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
Quatro "monstros consagrados" (Faustão detected) do rap nacional. Por conta de tanta participação, a música passa por vários momentos, com uma batida muito boa em que cada rapper adapta ao seu estilo de rima. Na lista das músicas essenciais.

"Eu ouço uma sirene, desespero,
Colei na grade e não gostei do que vi pelo espelho
Os manos impacientes, descontrolados
Chegou a hora acabou foi o que deu no rádio"

APOCALIPSE 16 - MUITA TRETA
Estava na dúvida, mas depois de ouvir a mensagem dessa música, optei por ela. É a base do rap nacional como se fazia antigamente, fala sobre drogas e até discursa sobre a hipocrisia do rap. Com participação de WDee, do Consciência Humana.

"O sonho que não se realiza, poder matando vidas
Controle da população, criação de homicidas
O compasso seduz, peço paz, chamo a luz
O meu caminho é guiado por CH e um homem chamado Jesus"

SNJ - PENSAMENTOS
Uma música que me emociona só de lembrar. Mistura crença, esperança, com uma dose gigante de verdade, que parece ser o compromisso do grupo.

"Parei para refletir, e viajei,
Fatos do passado vários que não acreditei,
Como é bom guardar na recordação.
Independente de tudo aprender a lição"

Os melhores raps nacionais dos anos 00 - parte I

por Robson Assis | | COMENTE!

A primeira parte da lista das melhores músicas de rap nacional da década.



509-E - SAUDADES MIL
Se fosse uma lista de músicas mais representativas, sem dúvida a escolhida seria Oitavo Anjo, também um ótimo som. Mas essa música conta uma história, uma carta respondida, tem mais sentimento, é mais verdadeira.

"É foda, a vida é assim mesmo
Nem tudo é do jeito, do modo que queremos
Infelizmente retroceder não dá mais
Bola pra frente é assim que se faz
Jorge cantou que Charles ia voltar
E como Charles eu também pode acreditar
Com este dia não paro de sonhar
Quero ver o morro inteiro feliz e pá"

CONEXÃO DO MORRO - SUPER BILLY
Se um dia, num futuro muito distante, encontrarem essa música em algum arquivo MP3, vão entender exatamente como era a vida de um adolescente de cabeça vazia e influenciável na periferia das grandes cidades. Uma história triste, mas muito sincera.

"Ao passar do tempo Billy se recupera
Tira a colher debaixo da língua e vai buscar uma pedra
Pra você ver Billy no role é normal sair na captura de 1 real
Sem dinheiro no bolso tem maluco que passa mal"


FACÇÃO CENTRAL - MENINO DO MORRO
Um grupo não só polêmico. Ninguém consegue ser só polêmico quando lança 4 discos com cutucadas viscerais ao governo e ao modus operandi do sistema. Música aboslutamente genial, sobre um garoto que se deu bem com o crime. O Facção Central nunca lançou um som sequer em que o ouvinte não tenha que parar e refletir.

"Dou risada de quem acredita na justiça,
Mais fácil camelo na agulha do que eu na delegacia
Sou traficante intocável pro tribunal
Que no foguete da NASA faz safári sideral,
Tô na lista vip dos cassinos clandestinos,
Quer ser presidente, traz a campanha que eu financio"

XIS - DE ESQUINA (VERSÃO BRISA)
"Esquina paranóia delirante" é um refrão que tocou durante anos na minha mente. Essa "versão brisa", do disco Seja como for é fascinante e esteve até no set do acústico da Cássia Eller.

"A esquina é perigosa atraente
Nossa quanta gente, que movimento interessante
Um carro desse o outro sobe pro boite do Natal
Pra 11 esquinas da Cohab 2
Todo mundo a vontade, cuidado, mano que é mano tá ligado
Chega como eu cheguei, fica como eu fiquei,
Faz como eu fiz... eu sou o Xis"

SP FUNK - FÚRIA DE TITÃS
O grupo me mostrou um tipo de rap mais simplista, rimas carregadas de analogias engraçadas e sutis, numa linha bem rinha de MCs, vale a pena escutar.

"Me passa o microfone eu faço logo um improviso
Te boto no chão faço como no jiu-jitsu
Por que comigo o verbo é fluente ao natural
Vacila na minha eu te mastigo como um canibal."

TRILHA SONORA DO GUETO - 3a OPÇÃO
Primeira música que ouvi deste grupo. A batida e a letra são tão tensas quanto o clima de que algo vai explodir a qualquer momento.

"Ai xará é o seguinte eu só vou me entregar
Quando aquele sem futuro do Datena me filmar
Tô ligado que pra vocês eu não 'valo' um real
Só que vocês invadirem o refém vai passa mal
Ele tá todo borrado, tá mijado, tá com medo
Tá pagando até com juros o racismo e o preconceito"


AO CUBO - 1980
Confesso que sempre tive certo receio com grupos de rap gospel, mas ao Ao Cubo entrou na lista dos que realmente têm algo a dizer. Canção autobiográfica e uma das mais belas já escritas. Vale prestar atenção no clímax da emocionante versão ao vivo.

"Ficou muito rebelde em meio sua adolescência,
Começou a usar drogas por más influências
Mas num certo dia por um sonho sua vida ia mudar
Pois Deus estava prestes a por seu plano em prática"

RAPPIN HOOD - RAP DU BOM (pt. II)
Com participação de Caetano Veloso, considero um épico. Dançante, bem escrita e possui uma melodia sensacional no violão. A música ainda emprestou o nome para do programa do rapper, na rádio 105FM, de São Paulo.

"Saiba você que eu encontrei uma melhor saída
No hip hop conheci o meu estilo de vida,
Que não é pop, não faz pose, não faz cara de mal,
Mas não da boi pra mauricinho, intelectual"

MARCELO D2 - A MALDIÇÃO DO SAMBA
Pelo rapper que foi, Marcelo D2 merece estar nessa lista com a melhor canção do A Procura da Batida Perfeita - disco que fez uma clara alusão pouco criativa ao clássico do Afrika Bambaata Looking for The Perfect Beat e que me fez perder o gosto pelo som deste artista. Mas essa música em especialtem classe, pompa, mashup de samba de velha guarda com rap em grande estilo.

"E sangue bom, eu disse sangue bom
Tem coisas que invadem o coração já disse o João
Não, ninguém faz samba porque prefere
Sobre o poder da criação força nenhuma no mundo interfere"

JIGABOO e CHARLIE BROWN JR. - VAI PIRAR
Depois do sucesso de Corre-Corre, o Jigaboo ganhou minha atenção total. Lançaram essa música com participação do Chorão (Charlie Brown Jr.) que até não errou tanto na criação da letra. PMC e Suave indiscutivelmente grandes rappers esquecidos pelo tempo. O diferencial é que a música mistura rap e rock sem pender pra nenhum dos lados.

"Quem foi que disse que isso é uma loucura
Que raça pura? A gente gosta mesmo é de mistura
Rap, rock e hip-hop só quero que toque
Não importa se otário me chamar de pop"

Uns restos de mim

por Robson Assis | | 16.12.09 COMENTE!

É dezembro. Estou com o carro parado na frente de uma lavanderia vendo ternos no cabide. Ternos entre a chuva espessa, milimetricamente despojados e contemporâneos. São pessoas que os usam. Pessoas que eu não conheço e, certamente, tem prioridades menos febris e preocupantes que as minhas. Sou um cidadão do mundo, endividado, encurralado pela máquina. Movido a sorrisos sem graça e horas de diversão fingida. Movido ao tédio que é meu nome, simples e puro, meu único significado. Eu torno a me jogar dentre os ternos, camisas brancas, gente falsa, gente falsa numa só falácia. Eu entendo, nada me leva daqui, nunca. Se eu soubesse que estaria deprimido e sozinho, olhando a vitrine de uma lavanderia hoje, talvez eu tivesse escrito melhor minha vida. Quando era moleque e ingênuo, me perguntava "até quando?" e me sentia numa pequena ilha, um pequeno príncipe beat, que carregava a solidão e a bebedeira na mochila. Hoje minha ilha cresceu, é imensamente maior e eu ainda estou sozinho, aprendendo a entender como foi que meus dezembros se tornaram tão chuvosos e tristes.

VIII Feira Preta Cultural

por Robson Assis | | 11.12.09 COMENTE!

Vou deixar que o site oficial da feira fale por si só:

A Plataforma Cultural Feira Preta é um espaço de celebração, reflexão e inquietação do movimento cultural de coletivos e artistas negros, ou que se dedicam a temática negra. Além de potencializar as iniciativas empreendedoras comerciais e culturais. Ao longo do ano são realizadas ações com a finalidade de preparar os participantes para o maior aproveitamento das atividades da Feira.



E então, nos vemos por lá?

Dica do Max, via MSN

Racionais MC's e os rumos do rap no Brasil

por Robson Assis | | 2 Comentários

Não é preciso muito para dar mérito ao grupo Racionais MC's. Eles têm uma biografia invejável no rap nacional, gravaram discos que foram sucessos incontestáveis de venda e crítica, sem esbarrar num erro, num beat. E então, caíram no temido século XXI, após a decadência do rap americano, transformado no "estilo hip hop".

A idéia desse texto se deve completamente ao blog Mundo do Rap, um excelente blog crítico sobre rap nacional e que, neste texto de Bruno Rico, me provou o que a algum tempo eu já previa: Os Racionais MC's moldam o cenário rap de acordo com o disco que lançam. Claro que eles não previram isso, nem agem de má-fé, isso seria criar mais uma conspiração em torno do grupo.


Tudo começou com os discos Holocausto Urbano (1990), Escolha seu Caminho (1992) e Raio X do Brasil (1993). É início dos anos 90, pós Diretas, Impeachment de Fernando Collor, o íncio do Brasil piada pronta que temos hoje em dia. Foi dali que surgiram sons mais pesados como Pânico na Zona Sul, Homem na Estrada e Tempos Difíceis, esta última uma excelente música daquelas que não envelhecem nunca, cantada por Edi Rock.

Foi o despontar de grandes nomes como GOG, de Brasília, já com três discos e a mesma temática baseada nas subcondições de vida da periferia, lançando o hit Brasília Periferia em 1994. Da mesma época são os clássicos "Só se Não quiser Ser", do MRN e o "Humildade e Coragem são nossas armas para lutar" de Thaíde e DJ Hum, que tinham na época tanta ou até mais visibilidade que os Racionais.

Nada nesta época era considerado muito inovador e referência, talvez porque os grupos nacionais seguiam à risca a linha do rap criado nos EUA por Grandmaster Flash e popularizado com Public Enemy e NWA. Apesar de tudo, foi uma época um tanto quanto apagada em relação ao que estava por vir. Em paralelo à essa guinada inicial, Gabriel o Pensador, em alta na mídia, cantava rap para a classe média carioca, mas o rap ainda era discriminado, marginalizado e como acontece com qualquer música de protesto, ninguém (ou quase ninguém) dava ouvidos.

SOBREVIVENDO NO INFERNO, O AUGE

Em 1997, o Racionais volta com o disco Sobrevivendo no Inferno, um divisor de águas (o clichê é gratuito) no rap nacional. Foi o impulso que o rap precisava para se impor. Daí pra frente, a periferia tomou espaço na mídia e a música negra ganhou seu merecido e batalhado destaque.

O disco trazia obras primas de até 11 minutos, como Fórmula Mágica da Paz e sons que ganharam o imaginário popular da vida dos presidiários como em Diário de um Detento. Um disco com 12 músicas recheado de protestos velados, letras bem escritas como nunca antes se havia feito.

Os Racionais então reinavam absolutos no cenário rap brasileiro após ganhar o Video Music Brasil na categoria Escolha da Audiência com o clipe Diário de um Detento, em 1998.

Grandes discos foram lançados durante o final da década de 90 e o começo dos anos 2000 como "Versos Sangrentos" e "A Marcha Fúnebre Prossegue", do Facção Central, "Só Sangue Bom" do Realidade Cruel e ainda o fantástico "CPI da Favela", de GOG. O cenário rap ganhou ainda maior notoriedade com Sabotage e sua rima precisa e invocada do disco "Rap é Compromisso", de 2001.

Neste começo de século as coisas andavam muito bem, SNJ e Apocalipse 16 lançavam canções tranquilas com uma positividade inigualável. Xis, Doctor MC's e SP Funk faziam um som dançante e descolado, 509-E despontava como grande descoberta com o excelente Provérbios 13 e o rap ia conquistando cada vez mais espaço na música nacional. Não houve outra época com tantos lançamentos bons e referências pululando das quebradas brasileiras.

INFELIZMENTE, HAVIA UM DIA APÓS O OUTRO DIA

Estávamos chegando perto da Copa do Mundo de 2002 quando o Racionais emplacou mais um clásico: álbum Nada como Um dia após o outro dia, menos introspectivo e pesado que o anterior. As músicas apresentavam um lado bem mais gangsta do grupo, com letras sobre respeito, amigos e a famigerada família Vida Loka dos bonés e carros customizados, influência da cultura mexicana, os Vatos Lokos, como no filme Marcados pelo Sangue.

A morte de Sabotage em 2003 também ajudou para um certo enfraquecimento da música rap em geral neste período. A coisa toda ainda funcionava mas com um certo ritmo decadente, shows esparsos em quadras de escolas de samba, Indie Hip hop lutando com todas as forças e trazendo grandes nomes gringos para os palcos do Sesc Santo André, e então alguma coisa aconteceu: A indústria da black music.

Foi nessa época que ouvi os primeiros comentários de alguém dizer que estava ouvindo hip hop. A parte principal do que me veio à cabeça nessa hora foi: "Não se ouve um movimento". E o Bruno Rico do blog Mundo do Rap faz um ótimo comentário sobre isso em seu texto intitulado "Prevejo a divisão no rap nacional":

"Um grande e simples exemplo do que estou querendo dizer é que hoje em dia o rap americano virou apenas hip hop, as pessoas ouvem hip hop, como elas conseguem eu não sei, mas elas juram que ouvem hip hop."

E então os grupos começaram a fazer rap com uma visão diferente, aproveitando o que o Racionais fez de melhor e adaptando modelos gringos. Dessa época são os discos Falcão, O Bagulho é Doido do MV Bill, Exilado Sim, Preso não do Dexter, Deus do Morro, do Detentos do Rap e Tarja Preta, do Gog.

Veja bem, gosto muito dos discos de rap deste período, mas posso dizer que, nesta época comecei a limar tudo o que ouvia de forma mais crítica. Foi a partir daí que a coisa começou a caminhar mal e seguir caminhos errados, infelizmente, mas isso não quer dizer que todas as músicas da época são ruins, muito pelo contrário, apenas o que a black music da Rihanna, Akon e afins trouxe ao rap nacional

RACIONAIS 2010 E A CONSPIRAÇÃO DO FIM DO RAP DE PROTESTO
No Brasil, a black music começou a expandir como gremilins numa piscina tomando conta de todas as rádios e toques de celular junto com o funk e outras aberrações musicais. Quem começou a curtir rap depois do último disco do Racionais teve uma excelente base do que já havia passdo, afinal, era o exemplo maior do rap com conteúdo revolucionário e prático, mas em doses menores e menos bons artistas para seguir.

O fato é que daí pra frente, ninguém mais quis saber do que o 2Pac falava em suas letras, o que a treta dele com o Notorius BIG trouxe de bom - musicalmente falando - para o rap. Dali pra frente se ouvia falar de Akon, Kanye West e suas devidas roupas e garotas. Tornou-se glamour.

E muito do rap nacional, entrou na dança. As maiores contradições da história do rap despontaram de uns anos pra cá. MV Bill no Faustão, Racionais fazendo música para a Nike, clipe do Pixote com o Helião (RZO), gravado em Paris, na frente da Torre Eifel, falando de quebrada e de humildade. A pergunta é: Para onde estamos indo e o que diabos os artistas estão fazendo do rap?

Sou fã confesso de Racionais e não acredito que eles possam fazer algo tão ruim como tanto vêm especulando os veículos de comunicação, blogs e gente envolvida. Acredito que esse burburinho todo tenha sido causado pela canção "Mulher Elétrica", que fala sobre mulheres e realmente possui uma postura bem mais pop que Mulheres Vulgares, por exemplo e provavelmente pela divulgação da revista Rolling Stone com o Mano Brown na capa.



O próximo disco do Racionais vai cair nas graças do público de qualquer forma, seja ele só dançante, só brutal ou só polêmico. O problema é como ele será encarado pelo rap em si e pela galera que curte de verdade. Minha parca opinião tem um resquício de esperança: prevejo um retorno ao marasmo do começo dos anos 90, mas por um outro lado muita vergonha alheia patrocinada por grandes nomes e comerciais chulos. Para terminar, me lembro de um trecho do filme Quase Famosos, em que o garoto aspirante a jornalista mantém um interessante diálogo com seu mentor, uma homenagem clara ao jornalista crítico mais ácido da história, Lester Bangs. Eles conversam sobre o rock, mas a analogia é válida. Talvez um garoto desses pudesse salvar o rumo da música rap. Talvez:

- Então é você que me manda aqueles artigos feitos para o jornal da escola?
- Tenho enviado umas coisas de fanzines também.
- Como é sua popularidade na escola?
- Eles me odeiam.
- Você vai conhecer muitos deles contra você nessa jornada. Sua escrita é muito boa. É uma pena você ter perdido o rock & roll.
- Perdi?
- Sim, acabou.
- Acabou?
- Acabou. Você chegou a tempo do último chacoalhão da morte, do último suspiro!
- Bem, pelo menos eu estou aqui pra isso.

Música Boa, Poltronas Vazias

por Robson Assis | | 7.12.09 1 Comentário

Na semana passada tive a oportunidade de ver dois grandes shows internacionais com público pagante incrivelmente abaixo do esperado (do meu ponto de vista, é claro). Ficam aí minhas considerações sobre as apresentações, uma delas mundialmente consagrada, outra conhecida por um público mais restrito. São contrastes de estilos e gostos, mas deu pra separar algumas conclusões sobre o fato de que show é show em qualquer lugar, seja os Beatles no Carneggie Hall ou o Cólera no Tendal da Lapa.

THE BEACH BOYS @ Credicard Hall, 02/12/2009
Na quarta-feira (02) aconteceu em SP o show de comemoração aos 40 anos do disco Pet Sounds, segundo melhor disco de todos os tempos de acordo com a lista da Rolling Stone gringa, perdendo apenas para Sgt Pepper's Lonely Heart, dos Beatles, mas isso dá um outro post com toda a discussão.

Galera na frente do Credicard Hall, sem aglomeração, pouca fila, seguranças gentis (talvez pelo fraco movimento). Entramos e pegamos os lugares marcados. Com casa vazia, a organização do evento liberou as poltronas no piso térreo. Pista lotada, ainda ficaram lugares vagos e muita gente lá em cima! Tudo pronto, banda no palco, para uma das melhores apresentações que vi na vida.

Iniciaram o show com um medley de Catch a Wave, Hawaii, Do It Again, Surf City e Surfin Safari e tocaram um repertório escolhido a dedo, com a competência que só uma banda histórica que emplacou hits durante décadas pode ter.

A apresentação seguiu e casais começaram a dançar o surf music ao lado do palco, num clima bem anos 60 para o auge da apresentação, quando o set list começou a mesclar canções do Pet Sounds como Wouldn't it be nice, God Only Knows e Sloop John B, que emocionaram muita gente, acompanhados ainda da fantástica Good Vibrations, com um espetáculo de luzes não menos instigante.

Foi um show tão espetacular como eu esperava e mais mágico do que eu poderia imaginar.

SAMIAM @ Hangar 110, ontem 06/12/2009
O Hangar 110 sempre teve uma história que se confundiu com a história do hardcore nacional. Afinal, foi lá que apareceram muitas bandas boas e promissoras, que hoje, inclusive, garantem seu espaço no maistream e outras que optaram a vida livre e desprendida da música independente.

Era um domingo, de tarde, a rua Rodolfo Miranda cheia, mas não lotada. O ingresso de R$ 60 era muito pra ver uma banda da california que já havia visitado o Brasil antes? Pode ser um motivo. Parei na frente, vi alguns rostos conhecidos e entrei lá pelas 19h. Pouco depois, entra no palco o First Driven, banda legal, que me lembrou Foo Fighters, Hot Water Music e até Samiam mesmo.

Na sequência, ZANDER. E escrevo em caixa alta pois era uma banda da qual eu não esperava tanto e que me surpreendeu como poucas bandas até hoje. Riffs pesados, guitarras numa harmonia brutal e o vocal do Noção de Nada, que dispensa adjetivações. Depois de um tempo indo em shows e frequentando a cena, você entende quando os integrantes de uma banda estão tocando aquilo que gostam e acreditam apenas por vê-los tocar.

Pra finalizar a noite, SAMIAM. Banda da California, tocando o hardcore classe que nasceu e se consagrou por lá. Faz lembrar garotos andando de skate naquele sol, a praia ao fundo e a sensação de poder esquecer o mundo que nada mais importa. Era exatamente esse o clima do show.

Uma boa parte do set list não tinha como errar. Sucessos do Astray, o melhor disco, seriam cantados em coro. Assim se passou com Mexico, Dull e até a lenta Mud Hill. O hit Sunshine foi também alucinante como eu esperava e seria a melhor do show, não fosse um dos stage divers subir no palco e tentar cantar o refrão todo desafinado, roubando o backing vocal do baixista.

Samiam finalizou o show mostrando porque se tornou uma banda referência para o hardcore melódico mundial, com riffs de guitarra marcantes e uma musicalidade muito mais que verdadeira.

Quando alguém diz o que realmente pensa

por Robson Assis | | 24.11.09 COMENTE!

O rap brasileiro sempre foi contestador. Nunca esteve presente na grande mídia, nunca tocou numa rádio mainstream, mas como sempre acontece, os anos se passam. O Racionais MC's atingiu finalmente fatias de público e méritos antes inimagináveis. Fizeram música com a Nike, seu disco novo é tão ou mais aguardado que o de Roberto Carlos.

Mas os Racionais não são os únicos. MV Bill não fez por menos e estreou o documentário Falcão Meninos do Tráfico, no Fantástico, está envolvido com política, é o último agraciado com a estatueta do VMB na categoria Rap e se tornou pop, apesar de suas letras ainda tratarem temas sociais pesados, como o crime, a mídia e o entretenimento barato proporcionado pela TV. Hoje ele está em grandes programas de TV, jogando feixes de luz na programação dominical. Mas não é sempre que isso dá certo. Repare o que acontece a partir dos 5'34" de vídeo:



Faustão tenta alegar que MV Bill está improvisando e tentar cortar dizendo "ae!" - imagino a placa 'aplausos/euforia' subindo para a platéia - mas quando percebe que chegou o refrão final, ele sai de cena noavmente e deixa rolar.

São as provas de que a televisão está se destruindo de dentro pra fora e que não sabe mais onde está colocando os pés. Não é fácil ouvir umas verdades, diz aí, Faustão?! Próximo convidado: Garotos Podres, no programa da Xuxa, cantando Papai Noel Filho da Puta! #ficaadica

*Não sei de quando é o vídeo, mas vi hoje no Noticiário Periférico.

O patético resumo da semana

por Robson Assis | | 13.11.09 COMENTE!

Semana turbulenta. Só ouvi falar merda. Uma mina vai com um vestido curto e nego faz a revolução na faculdade, no twitter e nas revistas masculinas. O pior de tudo é o debate moral envolvendo o nome da faculdade (se é que isso um dia existiu, tratando-se de instituições particulares), o caráter da garota e a qualidade do ensino no país. Teve um que ficou revoltado com o New York Times dizendo que as brasileiras gostam de usar pouca roupa. Mas bater na porta da Rede TV reclamando das minas de biquini do Pânico ele não vai. Uma canalhice atrás da outra.

E o apagão? Passava das 10 da noite, eu voltava do trabalho, na marginal pinheiros quando vi a cidade inteira escurecer (achei que nunca teria a oportunidade de contar minha história). Ficou claro que o rádio a pilha ainda é útil demais, uma vez que nem os celulares funcionavam direito. Fiquei à luz de velas, ouvindo a Jovem Pan e me servindo de comida descongelada.

Depois a Record. Ahhh, a Record. Em um link ao vivo, aconteceu talvez a maior patacoada da novela Globo x Record. A repórter tentou invadir o espaço e horário cedidos à Globo, na tentativa de falar com o ministro de minas e energia. Os horários estavam acertados, o erro da produção em colocar o link naquele momento e a insistência do apresentador para que a repórter tentasse novamente a entrevista ficaram claros e constrangedores no vídeo. Em processo de decomposição, Roberto Marinho ria um riso maléfico, dentro de seu caixão.

Se seguiu uma série de terror absurda, que culminou na sexta-feira 13 e a batida piada, bem lembrada pelo mal humorado perfil @bomdiaporque: "cuidado, hein?"

Como a web 2.0 mudou a forma de comprar celulares

por Robson Assis | | 12.11.09 COMENTE!

O primeiro celular que vi na minha frente foi um Qualcomm gigante, da minha mãe. Lembro que na época ela pagou quase o preço de uma geladeira e era uma das poucas de suas amigas que tinha o tal aparelho. Não me interessei pois achava um negócio pra velhos e tinha idade suficientemente pouca pra pensar: Quem gostaria de me ligar enquanto eu estivesse na rua?

Hoje, os tempos mudaram e, 15 anos depois, crescemos, eu e a telefonia móvel. Tive a oportunidade de ver passar uma década inteira (anos 90) em que as pessoas se sentiam realmente poderosas e influentes com um celular, mesmo que ele só fizesse receber ligações e enviar mensagens. Nos anos 2000, isso tornou-se obsoleto. Ficou chato quando a classe média começou a tocar seus MP3 em viva-voz dentro do ônibus. E todas as pessoas ainda compravam celulares por conta da beleza e do glamour.

Em tempos de internet participativa, 2.0 e fodona, o conceito de cloud computing, também chamada computação na nuvem, criou a idéia de que você está na internet, mesmo se o seu computador não estiver. E com os smartphones e a internet wi-fi, você tem acesso de qualquer lugar do mundo ao que quiser fazer.

Certa vez, por telefone, avisei via twitter quando meu carro quebrou no meio da marginal pinheiros e tive que me atrasar pro trabalho. A mais nova leitora deste blog, @cintiabesitos, me disse ter pago várias contas via celular, numa semana em que estava em casa, doente. Não é de fato o status de ter um celular charmoso e que te rotule como tal, mas ter um celular com algumas funcionaliadades como GPS e internet, que facilitam o dia-a-dia.

Acabei comprando um Blackberry Curve 8900, um preço acessível pela VIVO, com um plano e pacote de dados invejável que coube em meu bolso. tem funções que nenhum outro celular meu teve, como email, leitor de pdf, GPS e internet 3G. Estou conectado 24 horas por dia, sempre que eu precisar. Parece um simples post publicitário, mas não é. O celular é realmente o que eu precisava e não achava em loja nenhuma e acabei encontrando na VIVO. Ainda vem com um joguinho de poker 'irado'! Cobrinha feelings.



A pergunta, 15 anos depois do Qualcomm da minha mãe, se tornou: como vou comprar um celular em que as pessoas não vão me achar na rua?

Faurisson e a negação ao Holocausto

por Robson Assis | | 23.10.09 COMENTE!

E se, um dia, alguém começasse a desmentir a história da humanidade? Seria levado em cosideração, jogado numa prisão ou exilado de seu próprio país? Sim, dependendo do fato histórico pode ser até pior. Imagine estudiosos que provam a inexistência de Jesus Cristo, ou alguém que diga que os judeus estão extrapolando ao contar as histórias do nazismo. Mentes alienadas preferem não se abrir a idéias novas e diferentes de tudo o que ouviram a vida toda.

Robert Faurisson é um senhor de 80 anos, professor de literatura, empenhado em manter uma teoria: Não existiram câmaras de gás nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, naquele período da história houve a propaganda nazista como todos conhecem, sobre a supremacia da raça ariana e, de outro lado, houve também uma propaganda judia que dizia o contrário. Toda propaganda tem um ponto focal. A de Hitler era a supremcia e a dos judeus a barbárie que estavam sofrendo.

Ele não nega que houve homicídios uma vez que a guerra é obviamente sustentada a partir de chacinas e extermínio, mas ele discorda da idéia de um galpão que exalasse Zyklon B e matasse pessoas aos montes. É adepto ao revisionismo, que é o estudo de reconstrução da história sem se basear no que contam as pessoas que viveram naquela época.

Segue trechos extraídos de uma gravação em que ele fala sobre sua teoria, sobre os revisionistas e como é difícil tentar intervir numa verdade absoluta, segundo ele, implantada.

Agora, vamos para os verdadeiros tópicos. O que é o revisionismo? E o que é que nós, revisionistas, dizemos? O que é que nós afirmamos? O que é que contestamos? O revisionismo é o trabalho de pessoas que acreditam que temos que rever o que é geralmente aceite sobre a Segunda Guerra Mundial. Realmente, esta palavra “revisionismo” já existia nos anos 20. Vinha de pessoas que diziam: "Agora que a guerra acabou entre a Alemanha, a França, a Inglaterra e por aí adiante, temos que nos livrar da propaganda. Propaganda significa mentiras e ódio. E nós temos que tentar estabelecer os factos." E foi por isso que esses historiadores, já chamados na altura de revisionistas, descobriram, por exemplo, que foi totalmente falso que os soldados Alemães cortavam as mãos aos bebés Belgas. Foi uma mentira. E existiram muitas, muitas mentiras desse género que podemos encontrar na Segunda Guerra Mundial. O mesmo tipo de mentiras. Por isso temos que rever. Mesmo quando, às vezes, nem sempre claro, pensamos que existem muitas, muitas testemunhas de algo, temos que confirmar os factos. Não é suficiente dizer ou acreditar que há muitas testemunhas. Temos que encontrar a realidade dos factos.


E esta é a parte mais importante, julgo eu, daquilo que tenho a dizer-vos. É sobre como uma câmara de gás, se tivesse existido, se teria parecido. Muitas pessoas comentem um erro. Elas misturam execuções com gás com deliberados, suicidas gaseamentos ou com os acidentais. Há muitos acidentes com gás. Se quisermos executar alguém com gás é extremamente difícil. Porque queremos matar aquela pessoa e não queremos morrer. Não queremos correr qualquer risco: risco de explosão, risco de o gás escapar da sala e ir para onde estamos, matar-nos ou ficarmos doentes. Então temos uma coisa simples a fazer. Apenas temos que ver o que é e o que foi nos anos 20 ou nos anos 30 uma câmara de gás Americana, numa prisão dos EUA, para executar um prisioneiro com ácido cianídrico. E o Zyklon B é ácido cianídrico. Por isso, por favor, vão aos EUA como eu fiz para visitar uma câmara de gás, ou tentem encontrar documentação sobre isso. E poderão ver como é horrivelmente difícil de executar um homem, somente um homem com ácido cianídrico. O maior e terrível problema são as fugas, isto é, fabricar um local herméticamente fechado. Porque o ácido cianídrico é uma substância que se agarra a tudo. Que ataca tudo. E temos que ter muito cuidado para manter o local, tanto quanto possível, herméticamente fechado, para que não haja perigo para nós próprios.


Se existem ruínas em Birkenau, existe uma coisa normal a fazer. É fazer uma investigação. Porque as ruínas são muito importantes. E este primeiro local de Auschwitz 1 é muito importante. Precisamos de um relatório científico. Como é que um relatório científico nunca foi feito? Nunca ouvi falar de um juízI ou de alguma outra pessoa dizer à polícia, quando há um crime: "Como temos muitas testemunhas, não precisamos de um relatório científico sobre a arma". Mesmo quando a arma é muito usual. Falo de uma pistola ou de uma corda ou de uma faca. Como é que para esta fantástica arma, que nunca ninguém viu ou é capaz de descrever, como é que nunca houve uma investigação dos locais em Auschwitz, Majdanek ou Mauthausen, que supostamente continham câmaras de gás? Não é tarde de mais. Pode ser feito já hoje. Por que é que não o fazem? Acusam a Alemanha. Não há o direito de acusar se não existirem provas. Por que é que recusam um relatório científico? Até hoje parece não existir vontade de fazer uma investigação.


Leia mais em:
Auschwitz, os fatos e a lenda

Entrevista com Prof. Faurisson no jornal Echorouk

[indicação do Diogo, no trampo]

Cinco tipos clássicos de uma empresa comum

por Robson Assis | | 7.10.09 COMENTE!

Você sabe, eles existem. Refletir sobre isso me trouxe uma das melhores after-hours que já tive indo pra casa depois do trabalho. Interessante foi ver que, no fim das contas, cada pessoa se encaixava perfeitamente em um grupo.

COMMITTED
O compromissado. Aquele cara que se predispõe a vir a todos os plantões não para mostrar-se um SUCKER, mas pelo bem de seu trabalho. O que for necessário, ele vai fazer. O que for pedido, ele vai questionar e apontar alternativas. Geralmente, todos os colaboradores passam por uma grande fase committed e nem percebem. Alguns ficam nessa para sempre. Sua baia se torna uma redoma de vidro, um enclausuramento induzido. Caminhando na linha tênue que o separa de um mero puxa sacos.

PCC (Puta Cara Chato)
Aquele colega insuportável que faz do dia de recebimento do holerite um grande show. Cada item descontado é como uma equação matemática e ele geralmente importuna todos os outros perguntando o mitov de todos os descontos, horas extras. Nunca questiona a gerência, deixa sua chatice para os horários coletivos em que biotipos como os ADDICTED e os NEMAI optam por conversar sobre assuntos fora da empresa. Em geral, são os caras que processam a empresa, mesmo sem ter razão, pelo simples fato de que eles são uma empresa e ganham muito dinheiro. Não estão errados, mas são puta caras chatos por falarem isso a todo instante e serem irredutíveis.

ADDICTED
São os dependentes. Aqueles colaboradores que, claramente, estão ali apenas para ganhar seu salário e ir pra casa. NADA MAIS. São metade das pessoas legais da empresa, visto que, ao saírem dali, não vêem motivos para pensar em seus empregos. São pessoas que facilmente aceitariam cargos fantasma, para não trabalhar e receber seus vencimentos no fim do mês. Em parte são COMMITTED, mas existe algo além de se empenhar pelo emprego. Existe uma sublime arrogância com a qual eles negam vir no plantão, pois já tinham marcado aquele futebol ou festa de aniversário que não podem faltar de jeito algum.

NEMAI (Nem aí)
O tipo de pessoal que faz seu trabalho, mas não se incomoda de parar de trabalhar naquele job urgente para discutir teorias conspiratórias insanas ou músicas brega dos anos 80. O tipo de colaborador que dá shift + del nos e-mails importantes da gerência e não se importa de ir mal vestido em reuniões ou ouvir música o dia inteiro, cantar alto e rir de qualquer coisa que lê no computador. Os NEMAI podem ser responsáveis ou não, o fato é que são sempre sarcásticos e inconsequentes. Geralmente são os que armam os churrascos e sítios de fim de semana na empresa e que combinam os happy hours. Sempre têm um bom assunto para falar e são indiferentes com PCCs. No fundo, odeiam e ao mesmo tempo sentem pena dos SUCKERS.

SUCKER
Chupadores de bolas são mais comuns do que se imagina. Existe aquele simples, que puxa saco para manter seu emprego, suas ações tem sempre um quê de ADDICTED. E existem os que levam relamente a sério a parada. Viajar com o chefe se torna algo mais do que uma simples viagem e sim, um grande a alienável jogo de sedução (Muito The O.C e The Office dá nisso). São colaboradores que precisam apenas de um superior para se manterem estáveis. Levam café para o chefe, dão bom dia, perguntam do fim de semana, se mostram dispostos a cultivar uma grande amizade com a chefia e esnobam disso em cima dos outros colegas. Pelo fato de não saberem diferenciar o trabalho de suas vidas pessoais, acabam se tornando PCCs irreversíveis sempre falando dos chefes e das decisões da empresa, mesmo numa mesa de bar, na sexta-feira pós-expediente. Eles se desgarram de todos os outros funcionários comuns para se tornarem um tipo a parte, os escolhidos, embora corram o risco de jamais terem amigos novamente. No fundo, chupar bolas demonstra uma certa coragem.
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E vc, qual o seu tipo?

Instantes Fora da Realidade (Uma Noite Suja)

por Robson Assis | | 22.9.09 COMENTE!

A ansiedade, a agonia a distração. Nada me faz diferença. Acendo o cigarro e imagino um mundo onde os animais são apenas animais. Isso me faz lembrar aquele livro do Orwell, em que todos são iguais, porém uns mais iguais que os outros. Os homens são animais mais iguais que os outros. Humanos fedem. Viajo em pensamento, não percebo nada em minha frente. Percebo que meus amigos, à minha volta dão risada de algo, talvez da minha cara. Bem provavelmente da minha cara. Devem me imaginar bêbado como sempre, brisando em algo além daquele rolê, daquelas garotas dançando funk carioca perto do carro com o porta-mala aberto, daquelas garrafas vazias e do cheiro insuportável e delicioso de cigarro, maconha e qualquer outra coisa suja no ar. É só mais uma noite suja. Outra sexta-feira em que o pagamento do mês patrocina minha auto-destruição. Outra viagem da minha mente que, infelizmente, tem volta. Só daqui a pouco. Preciso relaxar dentro de mim. Quero estar em contato com alguém. Aqui eu só vejo corpos imersos num vazio sem fim. E eles me olham cada vez mais fundo, talvez seja mesmo hora de voltar.

- E aí, tio, tá brisado, doidão? hahahaha
- Nada, mano, só pensando um pouco na vida.

As duras faces de Kanye West

por Robson Assis | | 14.9.09 COMENTE!

Kanye West é da geração badass do hip-hop internacional. Ele não tem escrúpulos para tomar suas próprias ações sem esbarrar na mediocridade, sequer tem o respeito da velha escola para lhe alertar que subir no palco do VMA sem um bom motivo, não é das melhores atitudes que se pode tomar. E, acredite, dizer a uma garota de 19 anos que ela não fez por merecer e que a mulher gostosa do seu chefe é muito melhor, faz exalar aos quatro ventos a sua completa e totalmente imoral puxação de saco.

Realmente alguns fatos são inegáveis. West é um superstar, colecionador de grandes hits e queridinho do Jay-Z, que é dono de tudo o que é musical e economicamente viável nos EUA. Por outro lado
acumula confusões quase como um colecionador. Existem fãs dizendo que ele é um cara legal, como vi em comentários dos vídeos do VMA no youtube. Há também quem diga que ele sempre foi rude e instável. Outra coisa que é realmente inegável é sua predisposição a lutar pelo seu emprego. Explico: Mesmo sendo grosseiro e utilizando um artifício completamente ineficiente, ele bravejou pelos seus, brigou por beyoncé como quem briga por sua família.

Claro, Beyoncé, talvez por medo da repercussão negativa e para mostrar a classe de primeira dama deixou a garota terminar seu discurso, aclamado pela platéia e por Kanye West que, expulso da festa, a esta hora já acompanhava de casa se desculpando por sua bebedeira e sua revolta infundada em seu... blog?.
"EU SINTO MUUUUUUITO PELA TAYLOR SWIFT PELOS SEUS FÃS E PELA SUA MAE. EU FALEI COM A MAE DA TAYLOR NO BACKSTAGE DEPOIS DO OCORRIDO E ELA ME DISSE A MESMA COISA QUE MINHA MAE TERIA DITO!………………… ELA É MUITO TALENTOSA. EU GOSTO DA LETRA DE ELA SER UMA CHEERLEADER E ELA ESTAR NA PLATEIA……….. EU FIZ ERRADO EM INDADIR O PALCO E ATRAPALHAR O QUE TAYLOR ESTAVA DIZENDO………………O VIDEO DA BEYONCÉ ERA O MELHOR DA DÉCADA!!! DESCULPA PARA OS MEUS FANS, QUE EU ABORRECI!!!!!!! DESCULPA PARA OS MEUS AMIGOS DA MTV!!!! EU SEI QUE EU SOU UM ARTISTA POP, E VOCE SAABE!! EU AINDA ESTOU FELIZ PELA TAYLOR BOOOOOOOOOYAAAH! VOCE É MUITO TALENTOSA!! EU NAO SOU LOOUCO, APENAS SOU SINCERO! EU ME SINTO MUITO MAL PELA TAYLOR E EU REALMENTE SINTO MUITO!!!!"
O jeitinho de escrever, a repetição de vogais e a falta de acentuação não é por minha parte, ele realmente digitou assim. E hoje ainda continuou a lamentação... provavelmente numa ressaca daquelas:
"Me sinto como Ben Stiller em "Entrando Numa Fria" quando ele estraga tudo e Robert de Niro pede para que ele saia. Aquele era o momento da Taylor e eu não tinha direito de tirá-lo dela. Eu realmente peço desculpas."
O fato ofuscou uma grande noite de homenagens a Michael Jackson.

Não sei se estou sendo velha guarda demais, o problema é que eu conheci o hip-hop internacional numa época em que a música tinha certa essência e o lifestyle dos rappers e produtores tinha um glamour mais inteligente do que entrar na cerimônia acompanhado de uma garrafa de conhaque e uma bela garota. Aposto tudo o que tenho que ele não faria isso com a Lil Kim na época em que o Notorius B.I.G era simplesmente uma lenda vida. Uma época em que o respeito, a humildade e a coragem eram deuses que caminhavam juntos e o que estivesse errado seria cobrado de maneira radical. Aquela coisa que os velhos chamam de Lei das Ruas. Mas a Kanye West, antes de tudo isso, falta um mínimo de sabedoria.

Audiobooks, literatura para ouvir

por Robson Assis | | 24.8.09 1 Comentário

O próprio nome já diz praticamente tudo, mas caso você queira fazer uma busca livre no Google ou na Wikipédia vai encontrar basicamente a descrição de que o audiobook "é uma gravação dos conteúdos de um livro lidos em voz alta" e ainda descobrir sites de e-commerce especializados neste tipo de produto desde a Universidade Falada até a seção de audiolivros do Submarino. No começo, achei que era apenas um livro para deficientes visuais, mas descobri que estes são os Livros Falados, em que não se pode haver qualquer tipo de efeito sonoro como trilha de fundo, ou qualquer entonação de voz para que o leitor possa ter uma leitura subjetiva sem a influência do narrador.

Com a ajuda do @johnnylopes (do site Strenght Crew) consegui downloads muito interessantes e decidi publicar para aqueles que buscam este tipo de material na rede.

Pra quem não tem problemas com outras línguas, bastante interessante é o Librivox.org. O site procura disponibilizar livros de domínio público em áudio. Lá encontrei muitos arquivos em inglês, francês e espanhol, porém pouquíssima coisa em português. Para os livros completos, existe um arquivo .zip com todos os capítulos e também a possibilidade de pegar parte por parte. A gravação é de excelente qualidade MP3 de 64 e 128kbps e OGG.



O 4Shared como sempre me veio fiel quando lá busquei por este tipo de conteúdo. Foi lá que encontrei alguns best-sellers como A Arte da Guerra, O monge e o executivo, a biografia do grande Tim Maia narrada por Nelson Motta e o clássico 100 homens que mudaram a história do mundo, um livro grande, separado por capítulos, com todos os grandes nomes da história da humanidade. Também não posso esquecer do excelente O Caçador de Pipas, que saiu no cinema em 2007 e teve uma indicação ao Oscar. Além destes, encontrei ainda a pasta Livros de áudio MP3 e PDF, do usuário Roo, com muita literatura brasileira boa, entre eles, Dom Casmurro (Machado de Assis) e A Metamorfose (Franz Kafka).



No Livros Falados, você encontra arquivos de grande tamanho, porém de excelente qualidade. A proposta deste projeto é criar espaço dentro de bibliotecas públicas para que deficientes visuais ou pessoas com baixa visão consigam ter acesso à leitura. Dentre os livros já prontos destaca-se o clássico de Saint-Exupéry O Pequeno Príncipe e outros brasileiros que não necessitam apresentação como Capitães de Areia e Memórias de um sargento de Milícias. Já na lista de livros de produção o que mais me chamou a atenção foi o Diálogos de Platão. O site ainda possui um PODCAST atualizado três vezes por semana com um capítulo do livro em questão. Atualmente, este livro é Memórias Póstumas de Brás Cubas e já está no capítulo 48. As edições antigas continuam na página para que se possa ouvir desde o início.


Pra finalizar, no Orkut acesse a comunidade Livros em MP3, onde existe uma infinidade de links e arquivos no fórum para o seu deleite. Lá encontrei mais comunidades relacionadas ao assunto e a indicação de um blog chamado Adriano Audiobooks, com tags para encontrar o livro em ordem alfabética e muitos links para download no rapidshare e megaupload.

Além de ser de grande auxílio a deficientes visuais, os audiolivros podem dar um empurrão no seu costume de ler e aproximar ainda mais à leitura uma pessoa que não tenha esse hábito, uma vez que alguns livros como clássicos de literatura ou história nem sempre agradam por conta do vocabulário rebuscado e da extensão do livro.

Portanto, bom proveito e boa "leitura"!

Got yourself a Gun

por Robson Assis | | 5.8.09 COMENTE!

Ontem, terminei de assistir um seriado incrível da HBO, The Sopranos (Família Soprano). São seis temporadas, a última dividida em duas partes. A série conta a história de Tony Soprano, um ítalo-americano chefe da família de mafiosos de New Jersey. Entre sua depressão, sua constantes visitas à terapeuta e seus negócios ilegais, Tony ainda têm sua mulher e filhos e não abre mão de comandar os churrascos em sua casa, nem dos almoços de domingo.

A série possui um roteiro absolutamente bem escrito, onde tudo passa a se encaixar perfeitamente no decorrer de seus capítulos. Os personagens têm uma essência e uma maneira de se expressar incríveis que realmente não deixa a desejar e confere respeito ao casting pouco famoso, mas muito convincente. Algumas temporadas são impossíveis de ver pela metade, ou não assistir inteira de uma vez (E eu fico pensando até hoje como a galera consegue ver um episódio por semana sem entrar numa neura absurda pelo próximo).

Basicamente, a história confronta as diversas vidas de Tony Soprano. Em sua casa sua mulher e filhos crescem inseguros e sem muita perspectiva sobre o que os aguarda no futuro. No seu trabalho, todas as pessoas que frequentam sua casa. São mafiosos realmente assassinos, impulsivos e de sangue frio, mas também aparecem como amigos que passam tempo juntos e se divertem entre mulheres nuas e bebedeiras no stripclub chamado Bada Bing. Tudo cercado por negócios, extorsão e suborno, como a máfia deve ser. De um outro lado ainda, existe uma família desfragmentada com a morte de seu pai, Johnny S. Sua mãe Lívia, afetada por uma depressão e desistência sobre qualquer tipod e felicidade humana, sua irmã Janice, cheia de interesses por dinheiro e uma vida melhor e seu tio Junior, um velho ranzinza e pouco simpático. Pra fechar a caixa, ele ainda convive com sua terapeuta que por uma ética mais baseada no medo do que na profissão prefere fingir não saber que seu paciente é um mafioso.

Não prestei tamanha atenção à trilha sonora em todas as temporadas, mas a abertura com Woke up this morning do A3 é sensacional. Entre outros nomes de peso, temos Cream, Bob Dylan e a tocante It was a very good year de Frank Sinatra, no começo da segunda temporada.

Não prestei tamanha atenção à trilha sonora em todas as temporadas, mas a abertura com Woke up this morning do A3 é sensacional (abaixo). Entre outros nomes de peso, temos Cream, Bob Dylan e o lendário Frank Sinatra.

Balela e confete à parte, é bastante recomendável para apreciadores da trilogia do Godfather de Mario Puzo e histórias de gangsters/goodfellas - como o autor deste blog. Se você se encaixa numa dessas categorias e pensa em se entregar à trama, acredite: você pode ficar ainda mais fanático com as pequenas e grandes histórias de Os Sopranos.


A Fábrica de Sangue de Danny Devitto

por Robson Assis | | 28.7.09 COMENTE!


O site The Blood Factory, de Danny Devitto lançado na Comic Con, é uma dessas grandes e brutais obras que ninguém admira e que acabam despercebidas. É um site com curtas de horror. Sim, horror, filme B. Não terror, não existe ninguém te assustando, existe sim a morte, a decapitação, o sangue, "ou coisa que o valha" para citar o inexistente Salinger.

Além de todo o sangue, pra mim os curtas são pequenos excertos sobre a socidade atual, sobre como somos podados, alienados e desprezíveis. O fato é que, neste tipo de filme, você vê o vegetariano se transformando numa espécie de Hannibal e uma destemida crente assassinando um homem pelo seu crescimento espiritual.

Como sei que pouca gente curte esse tipo de coisa, fica apenas como dica de um ex-viciado em Contos da Cripta, nas tardes da Band.


Cárcere - Herói

por Robson Assis | | COMENTE!

Isto é apenas um teste para podcast ou publicação de arquivo de áudio. Sim, ainda sou maluco por esses widgets e hacks para blogger. Este foi pego no já finado Johnny Rox, mas caso ele saia do ar em 2010, você também pode ver no Compender, o original.

Herói. Esta música foi gravada em 2008 com meu grande amigo Leandro "From Hell" Andrade, em nosso projeto para uma banda de metal experimental que se chama Cárcere e deu uma estagnada pouco depois que lançamos esta música. A banda ainda existe e não vamos desistir dela, o fato é que a vida, algumas vezes, nos leva em caminhos diferentes, e nem por isso ruins. A letra desta canção - se é que eu posso chamar de canção - trata de uma nova ordem, da sociedade do século XXI, amedrontada e sufocada em seus próprios sistemas.

HERÓI
Cárcere

Caminhando sobre escombros
Vítimas de uma omissão fascista
Canibalizam as suas almas
Opressão deflagrada entre iguais.

Nossas mãos saangram, se enfurecem
Punhos cerrados contra o liberalismo homicida
A favela não pode pagar o preço
Por suas ambições egoístas.

Sepultaram nossos sonhos sobre mentiras e alienação
Semearam em nós a miséria, nos sujeitaram à escravidão
Malditos foram aqueles que rejeitaram a desigualdade
É hora de reagir, trazer à tona nossas verdades.

Um exército se ergue sobre instituições fracassadas
Não haverá mais quem se renda à ordem, às desgraças

Seja sempre seu herói. (4x)









E funcionou!

Saudades da chuva

por Robson Assis | | 20.7.09 1 Comentário

Certos dias, como os de hoje, me sinto preso em um estilo de vida que não é o meu, aquilo que o garoto de 15 anos trata como "refém do sistema". É uma escravidão não-declarada, formas de humilhação gratuitas que arrumaram me pagando alguns salários que preciso para sobreviver. E eu já não sei o que é viver. Nestas horas o descaso que tenho por mim mesmo e a frustração de ter que ouvir meu chefe rosnar por assuntos irrelevantes é maior do que qualquer felicidade que já tenha vivido. É como voltar no passado, lendo José de Alencar enquanto os garotos brincavam de médico e se divertiam nas festas. Eu preferia a chuva e a rede. Lembro de forma clara como a chuva daquele dia. Eu olhava o rio, na casa da minha tia, e segurava a história da índia Iracema sobre o peito. Hoje eu tenho uma dor terrível no estômago, mais cabelos brancos do que o normal para alguém de minha idade e contas a pagar que me transformam num nóia do sistema, alimentando cada vez mais a corda que o enforca. E minha mente grita: "Você não quer voltar aqui, por que ainda o faz?"... Meus olhos marejados não conseguem esquecer aquela chuva, aquela rede e aquele livro.

"Escolha uma vida, escolha um emprego..."

por Robson Assis | | 19.7.09 1 Comentário

A noite de domingo se cala. Entra uma estranha sensação de voltar à 'normalidade'. Destas duas horas da manhã vai demorar pouco para os coletivos se superlotarem, os horários de pico torrarem a paciência de senhoras que dirigem mal e taxistas bigodudos impacientes. À luz alaranjada desta noite escrevo isso olhando a vila lá embaixo, alguém de capuz que atravessa a rua fumando um cigarro. Uns amigos estavam numa quermesse e provavelmente vão acordar de ressaca amanhã. Eu não. Me esforço pra ser alguém melhor pra mim mesmo, começando por me afastar de certas noites perdidas.

Considerações quase indo dormir
Não tem nada na TV. É dia do amigo. São cinco cigarros apagados no cinzeiro e um aceso. Clemente dá uma entrevista para a Funérea na MTV. A MTV passa umas maratonas de programas imbecis e tão engraçados quanto a Turma do Didi. É, isso foi uma piada.

Pra fechar o fim de semana um pouco de Trainspotting, Iggy Pop e alienação:
"Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande, máquina de lavar, carros, CD Player, abridor de lata elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno feito do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Acabar apodrecendo. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro. Escolha uma vida."


Quando o 'Carpe Diem' não funciona

por Robson Assis | | 1 Comentário

Adilson se sentia sozinho. 36 anos, morador incólume e pouco notável de um bairro marginalizado no subúrbio de São Paulo, cidade onde nasceu. Sua família não lhe dava a mínima, tal qual seus amigos e conhecidos do trabalho. Passava noites em claro à beira da janela de seu pequeno apartamento numa COHAB como qualquer outra.

Saía cedo, ainda que com a mordomia de não ter que pegar ônibus, pois tinha seu chevette 78, com vidros escuros, bancos reformados, lá pelo 19º dono. Ao chegar, um pingado e um pão na chapa, a lei de todo frequentador assíduo de padaria. Aquilo era seu último contato com o dia claro. Dentro da empresa de contabilidade em que trabalhava até às oito da noite era apenas o assistente de almoxarifado.

Sua rotina o mantinha numa ode ao fracasso que certa hora ia estourar seu cérebro.

O ano novo caía num sábado. Chamou todos os parentes próximos, mandou convites personalizados com o dinheiro que vinha juntando para a comemoração. COnvidou também seus colegas de trabalho, o pessoal do bairro, ia ser um churrasco e tanto na casa de sua mãe, dona Clara. Comprou tanta carne e bebida que no mercado perguntaram se estava abrindo um bar, restaurante ou coisa parecida.

Aquilo talvez servisse de apoio à sua já permanente decadência, talvez trouxesse de volta, ou mesmo o deixasse num estágio em que poderia engrenar sua ascensão à felicidade que não acreditava.

No final, apareceram dois tios, um amigo próximo e três vizinhos no final da noite, bêbados, sem graça e sem destino, que ficaram apenas pela quantidade de bebida que havia na casa.

Revoltado, tentou devolver suas compras, sem sucesso. Fez um estoque em sua casa. Um novo ano que começou deprimente e estático. Os dias pareciam mais longos e sua vida cada vez mais vazia. Havia perdido algo, em algum ponto de sua vida que jamais iria recuperar. Passou a falar pouco, rir pouco e começou a nutrir uma fobia pela sociedade e por todas as pessoas que o rodeavam.

Não demorou a iniciar suas tentativas de auto destruição. Bebia como nunca, trocou a padaria por um baseado e uma carreira de cocaína antes do serviço. Viu que precisava ser mais drástico e certo dia, passou de seu local de trabalho, seguiu com o carro até a rodovia dos bandeirantes.

Bebendo conhaque na garrafa, ele jogou seu carro no meio fio, passando para a outra pista, seguindo na contramão por outros três quilômetros, quando puxou o freio de mão e rodopiou na pista. os carros tentavam desviar. Ele parou desacordado, no meio fio, com metade do veículo ainda na pista. Um caminhão não conseguiu brecar e bateu em sua traseira, causando ainda mais danos.

Acordou dias depois num hospital público de uma outra cidade. Por pouco não havia morrido. Os médicos alegaram múltiplas fraturas, inclusive no crânio, mas nada que comprometesse sua vida ou sua salubridade, ele parecia ter mesmo dado muita sorte. Desapontado, olhou para o teto e perguntou a Deus se não podia sequer morrer por sua própria vontade. Uma enfermeira entrou e o viu acordado, chamou um doutor que o analisou e minutos depois o deixou novamente sozinho no quarto.

Sem mais o que pensar, sem forças para continuar, sabia que sofreria uma acusação de tentativa de homicídio culposo, isso se ninguém houvesse morrido. O fato de poder estar preso ou internado, de certa forma o reconfortou. Sua mãe entra na sala, acompanhada de sua irmã mais nova, que morava em Minas Gerais.

Adilson se esforçou para pegar a mão de sua mãe e confessar que não tinha mais sentido sua vida sem ninguém ao seu redor. As pessoas se afastaram, ele se afastou e confessou viver num verdadeiro abismo de solidão em seu apartamento, em sua rotina. Não sabia quem poderia ajudá-lo, não sabia quem mais se importava.

Sua mãe, chorando, saiu do quarto. Dirlene tentou o consolar dizendo que ele estava completamente errado e que não havia motivos para pensar nisso, dizia que podia provar. Sua mãe abriu as portas de seu quarto. Ele viu entrar praticamente toda sua família de São Paulo e quase todos os primos e sobrinhos mineiros. O pessoal de sua empresa não trabalhou para ir ao hospital visitá-lo. Chorou ao ver muitos de seus vizinhos no fundo da sala de espera, se espremendo no canto do chão.

E ele finalmente conseguiu sua festa de ano novo, dentro de um hospital, num bairrozinho qualquer, de uma cidadezinha qualquer.

#pequenasdesgraças

por Robson Assis | | 8.7.09 COMENTE!

Uma das vésperas de feriado mais exaustivas do ano. Talvez porque eu venha trabalhar amanhã, talvez só porque eu não aguento mais fazer parte de um bando de funcionários-sombra, que não são vistos pela direção e o único plano de carreira que possuem os afasta de qualquer tema que tenham estudado na faculdade. Bom, é só uma véspera de feriado, eu vou para o bar encontrar amigos, ouvir canções melhores e esquecer essa pequena desgraça rotineira.

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Now playing: food 4 life - sem sonhar
via FoxyTunes

O melhor amigo de seu pior inimigo

por Robson Assis | | 1.7.09 COMENTE!

Resumo da opereta macabra: Três amigos se juntam com um pedaço de pau e matam um cachorro à pauladas. Sim, violento, imoral e desumano assim. O vídeo, por um incrível plus de sabedoria foi parar na internet, no perfil de Gabriel Terra de Araújo, mas foi retirado do ar provavelmente pela quantidade de comentários ofensivos. O blog Garotas Nerds tem todo o suporte para denunciar os integrantes do vídeo, a quem se interessar. O cara mata um cachorro, exibe o pedaço de pau ensanguentado, enquanto dá risada e acende um cigarro. Impressionante a que escabroso ponto chega a irracionalidade dos seres humanos.

Covarde matando um cão a pauladas.

Algumas coisas curiosas sobre a empresa em que trabalho

por Robson Assis | | 22.6.09 COMENTE!

  1. Para entrar aqui, passamos por 3 catracas mais uma porta que só é destravada com o crachá da empresa.
  2. Os funcionários da limpeza não possuem esse crachá. Logo, têm de esperar a boa vontade de alguém para acessar essa última porta e ter acesso ao escritório.
  3. Na entrada de veículos, existe aquela cancela comum e um obstáculo que pode ser ativado para furar pneus, caso algum engraçadinho queira fugir.
  4. Não existe NENHUM local para se fazer uma refeição decente em uma distância de pelo menos 800m da empresa.
  5. TODOS os funcionários que trabalham no estoque e precisam sair passam por uma porta detectora de metais, depois tem que ser revistados por seguranças com detectores manuais e por último precisam tirar os tênis, para só então serem liberados.
  6. O RH só funciona de segunda a sexta, das 12h às 15h.
  7. Quando você guarda uma bolsa/mochila no Bolsário, eles te dão uma ficha que deve ser utilizada para retirar os seus pertences. Ao retirar, você DEVE mostrar o que tem dentro da bolsa/mochila.
Sim amigos, isso tem nome: Megalomania.

Postando rascunhos antigos I

por Robson Assis | | 20.6.09 COMENTE!

Notas que esqueci ou deixei de postar por qualquer motivo.

Corações mortos na estrada fria
Manhãs cinzas, despedidas, partidas
A gente nunca se acha, a gente nunca se perde
Somos todos filhos de uma moral esquecida.

D'outro lado da janela

por Robson Assis | | 6.6.09 3 Comentários

Sei lá, é só uma madrugada. Fria, de junho, como nos poemas mais sombrios. Daqui pra ver o ponto de ônibus, um ou outro carro passando ao acaso na avenida, luzes de sirene bem longe. O lugar em que vivo é realmente demais. Mesmo as vilas, as ruas mal cuidadas, os portões e as lixeiras com sacos pretos bem amarrados. Tudo é clareado por uma luz que não é branca, que não traz tranquilidade. Tudo tem uma certa urgência em ser salvo. Essa é a cor da luz. Nunca se sabe o que pode acontecer na rua às cinco da manhã. Aqui em casa sou eu e minha consciência. Lá fora, o resto do mundo.

Mídia e Cigarro

por Robson Assis | | 4.6.09 COMENTE!

Ótimo texto hoje, do Observatório da Imprensa: Relações perigosas. E promíscuas, de Argemiro Ferreira, sobre a indústria do cigarro, seus alicerces e suas estratégias. Segue trecho:

"Provado em definitivo o efeito devastador do cigarro, que leva até à morte, advogados da indústria tiraram outro coelho da cartola. Criaram grupos de defesa da "liberdade individual": nasceu assim a imagem do fumante como suposto "libertário" em luta contra o Estado opressor, que reprime seu direito de fumar (e morrer) – sem se dar conta, claro, de estar servindo aos que faturam com seu vício, nunca à liberdade."
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Now playing: Explosions In The Sky - Inside It All Feels The Same
via FoxyTunes

Onde está a verdade?

por Robson Assis | | 31.5.09 1 Comentário

A gente acha que nasce sabendo de tudo. Mesmo conhecendo aquele ditado que diz o contrário. Não respeitamos nossa simples existência. A verdade absoluta não tem o dever de passar nem por perto da nossa mente. Nascemos, crescemos, nos endividamos, ficamos presos à rotinas canalhas em que os meios pelo qual sofremos, nunca justificam os fins. Mas levamos uma vida cheia de crenças religiosas, econômicas, que pouco questionamos pelo bem estar de nossa sanidade. A verdade é bem mais cruel. Estamos presos, somos limitados à decadência de nossos corpos. Ou alguém nasce para viver pra sempre? Ter um bom emprego, contas pagas e um lugar pra morar nos é suficiente. Quantas pessoas você conhece que vivem além de suas rotinas? Eu, particularmente, poucas. Nas periferias do mundo, isso basta. Gerações e gerações de gente que não exercita a própria confiança em fazer algo que lhe faça crescer por si só. Alienação. Somos uma massa que sofre sem perceber nas mãos de uma elite desgraçada que desconhece o altruísmo. Mas as tiazinhas continuam achando engraçado estarem apertadas dentro do ônibus, a caminho do trabalho. Elas sorriem de suas misérias. Ela nos faz ser assim. Quem? A verdade que, por sinal, nem perto daqui está.

Amores, Trágédias e Valquírias no Anonimato S/A

por Robson Assis | | 18.5.09 1 Comentário

Escrevi um épico do centro da cidade chamado Amores, Tragédias e Valquírias para o site Anonimato S/A. A história junta vários mundos, vidas e visões num só:

http://www.anonimatosa.com/index.php?option=com_content&task=category§ionid=3&id=4

Esta edição da revista digital traz ainda uma excelente matéria sobre o Concurso Miss Guaianases, garotas da periferia que sonham com o estrelato, além do emocionante relato de um brasileiro que viveu na Irlanda e está se aventurando pelo mundo. Ele conta histórias, como é para um brasileiro estar fora do país e fala muito sobre seus empregos, o que me fez lembrar de Bukowski e seu Factótum, apesar de Luiz Roberto, o autor, não apreciar muito o fumo e a bebida - Momento pessoal: será que é o mesmo Luiz Roberto que estudou comigo na faculdade? Bem, de qualquer forma, vale a pena a leitura. Tão legal quanto isso só a história de Agô, no blog do Anonimato S/A.

Robazz

por Robson Assis | | 6.5.09 2 Comentários

Mais que um caderno velho, mais do que as canetas com que escrevo versos cegos, mais deprimente que a própria morte, mais imbecil que a sorte, de fulgor boêmio, de fugaz no silêncio, espaços em branco que deixo escapar com o pensamento. De certo é foda, a vida lá fora, a moda, que se exploda, quem se incomoda? Eu não. Então talvez seja minha hora. De sonhar, de fugir, de pensar, de agir, de deixar escapar essa louca vida que vive em mim, e não existem freios que possam impedir, agora é assim.

Bem vindo ao blog.

Virada Cultural 2009 sem shows de Rap

por Robson Assis | | 16.4.09 6 Comentários

Com exceção do DMN no CEU Guarapiranga, evento continua a 'apagar' o Rap da programação

Ano, 2007. Local, Praça da Sé, Virada Cultural. Uma multidão se reúne para assistir aos shows de reggae, maracatu e rap. Andrew Tosh, Nação Zumbi e Racionais, respectivamente. A noite começa, uma festa ótima, todos bebendo e se divertindo, bares lotados, polícia controlando tudo e parecendo esconder algo em seus rostos. Passávamos livres, entre os olhares apreensivos dos policiais e seus canos fumegantes, entre copos de bebida dispensados e rodinhas rindo de maneira incessante. às 3 horas da manhã, Mano Brown e o grupo começam a apresentação. Uma garrafa jogada aqui, um mal entendido ali, começa uma confusão que, desnecessariamente começa a destruir o evento. Então a tropa de Choque se enfileira ao redor da Praça. Correria, garotas chorando. Final de festa.

"Era a brecha que o sistema queria, avisa o IML, chegou o grande dia"

Tiroteio, bombas dentro da estação do metrô, gás de efeito moral em cima de uma multidão sem nada a ver com os tumultos, uma multidão que levam toda a culpa, afinal, alguém tem que levar.

No ano seguinte, a organização da Virada Cultural se volta a mostrar que o Hip-Hop não foi esquecido, mostram uma festa no Parque Dom Pedro que apesar da presença de Afrika Bambaata, uma grande apresentação internacional, teve uma participação apagada em relação ao evento como um todo. Além do contigente policial duplicado ou triplicado para um evento de tão pequeno porte, em um local desligado do grande Centro. Li algo sobre revistas policiais exageradas, abuso de autoridade e os poucos presentes. Lamentável talvez seja um apelido afetivo-carinhoso neste caso.

Neste ano, temos uma apresentação de DJs e break no Largo São Bento que não deve ser deixada de lado, afinal, foi onde tudo começou. Alguns DJs tomam conta da festa que não deve ser ruim, apesar da polícia que provavelmente deve tomar a mesma atitude de 2008. Repressão fajunta, contra um público de música brasileira que anseia por espaço que, este, infelizmente foi perdido.

A velha história: Muita verdade, muita denúncia, sentimentos verdadeiros que são isolados em guetos da cidade. A sociedade não pode ver crescer algo tão revolucionário. Pelo menos é o que eles querem. Vamos passar uma virada cultural vergonhosamente sem shows de rap.

E a máquina segue aniquilando pensamentos e alienando ideais.

* No CEU Guarapiranga, pra não deixar totalmente esquecido, haverá show do DMN, legendário grupo do rap nacional.

-update com a ajuda de Eduardo Ribas, do site Perraps (www.perraps.wordpress.com/)

Mais shows de rap na Virada Cultural 2009:
CEU - AZUL DA COR DO MAR - Rua Olga Fadel Abarca, s/nº - Vila Aricanduva / Cidade Líder
19h00 - Max BO

CEU - FEITIÇO DA VILA - Rua Feitiço da Vila, s/nº - Chacara Sta Maria - Capão Redondo
18h30 - RZO

CEU - SÃO MATHEUS - Rua Curumatim, 201 - Pq. Boa Esperança / Iguatemi
18h30 - Nelson Triunfo

CEU - VILA DO SOL - Avenida dos Funcionários Públicos, 369 - Jd Angela
18h30 - Kamau

O pouco de mim que existe

por Robson Assis | | 25.3.09 1 Comentário

Existe um homem dentro de mim que diz para largar meu trabalho, deixar minha garota, partir de mochila para algum lugar desconhecido, conhecer uma pessoa tão incrível alguém que jamais iria me esquecer, beber com velhos senhores contadores de histórias, trabalhar num pasto e dormir num estábulo, enquanto construo um cômodo pra mim na fazenda de meus senhores. Beber de noite com eles, num bar local, com música local e rostos locais.

Existe um homem dentro de mim que diz para eu roubar uma loja de armas e seguir para o Congresso, derrubar aquele símbolo de podridão, chocar a burguesia onde ela menos espera, no seu seio. Pouco me foder se eles são pais de família, viúvos, noivos ou se representam algo para alguém. Não acredito em ninguém de terno e gravata. E isso nunca vai mudar.

Existe um homem dentro de mim que pede esmola, sentado no centro, sorrindo a qualquer gesto afável que me oferecem. Um homem que dali, só se levanta ao meio-dia, come algo no bar da esquina, mesmo com olhares incrédulos e opressores daqueles que não se enxergam, mas de longe parecem tão miseráveis quanto eu.

Existe um homem que pede por liberdade, por uma vida simples e justa, para si e para os seus. Um homem que não compreende como seres humanos podem viver em harmonia com tanto rancor aprisionado em seus peitos. Que não acredita num mundo melhor só porque o representante nacional do Mc Donalds doou 500 mil reais para uma instituição de caridade que eu nunca vou conhecer.

E, por outro lado, existe um homem que sou eu.

Haikai da falta de simpatia e fraternidade

por Robson Assis | | 24.3.09 COMENTE!

Se for pra salvar alguém
Que seja a mim
E a mais ninguém.
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Conheça a Caixa de Hai Kai de Carlos Seabra e os também simpáticos Hai Kai do Caio, do Sindicato dos Escritores Baratos, poeta, contista e um dos poucos leitores deste blog.

De olhos fechados

por Robson Assis | | 19.3.09 COMENTE!

O relógio marcava quatro da madrugada. Gostava de acordar mais cedo para tomar um café da manhã sossegado, cansado, assistindo o primeiro jornal do dia, antes de sair para o mundo que já acontecia naquele momento. Saí de casa e caminhei pela rua escura até o ponto de ônibus próximo. Garotos voltavam de algum lugar conversando alto e rindo. Me sentei e encostei na parede, começava a grande jornada rumo ao trabalho, no outro extremo da cidade.

O coletivo já ia relativamente lotado às 4h30. 'Relativamente' é quando se consegue ficar imóvel sem ser perturbado. Lotado é quando a coisa lembra realmente uma lata de sardinha. Ia em meu lugar de pé, ouvindo Tupac no tocador de música. Changes. As coisas que mudaram, que não mudaram, sentia meu cotidiano triste, refletia sobre o dia anterior e prestava atenção no sono dos que, com sorte, conseguiam lugar para ir sentados até o centro da cidade.

Passando o cruzamento com a Espraiada, pela avenida Santo Amaro, já não cabia mais ninguém naquele veículo. O motorista sabia disso. O cobrador sabia disso. os cento e poucos passageiros encurrlados nas entre os balaústres de metal sabiam disso. Dali pra frente começavam a descer os que trabalhavam no Brooklyn e no Itaim, ia melhorar. Feito. Acreditei por um segundo que pudesse viver um dia inteiro de olhos fechados. Era fácil, nossa rotina pode ser contada. De olhos fechados eu poderia saber o que aconteceria em cada hora do meu dia. Pedi perdão a Deus pelo mau pensamento, mas sabia que podia ao menos narrar meu dia sem vivê-lo, isso me confundiu por alguns segundos até que uma moça de vestido social preto se levantou e cedeu seu lugar, já havia chegado ao seu destino. Me sentei e esqueci disso.

Dormi um pouco, acordei na parte baixa da avenida nove de julho, depois da praça 14 Bis. Esfreguei meus olhos e o dia já espreguiçava, mas ainda era escuro. O coletivo já esvaziava, finalmente me alonguei e desci com um bocejo típico, não sem antes acordar um ou outro passageiro que ainda dormia mesmo após a chegada ao ponto final.

Saí do terminal bandeira faltando dez minutos para as seis horas da manhã. Saí atrás do metrô Anhangabaú e alguma coisa me fez sorrir. Talvez aquele sol que aparecia fraco e sonolento, os tiozinhos montando as barracas de bilhete de metrô, tudo aquilo tinha uma certa magia que não conseguia explicar. Subi as escadas do metrô e avistei a Xavier de Toledo. Esperei o farol fechar e atravessei. Na metade da faixa de pedestres, o tempo começou a andar mais devagar. Ela era morena, tinha saias compridas, um tom rubro escuro, vestia um chapéu e tinha a pela mais lisa de todas. Sabia que não conseguiria dizer uma palavra, segui caminhando, ela deu um trago no cigarro e me olhou por dois segundos que bastaram para que me lembrasse de seu rosto pelo resto de minha vida. Ela passou depressa, talvez com medo. Desceu as escadas e sumiu para sempre. Nunca esqueci aquela cena.

Esperei outro ônibus no ponto final. O cobrador decidiu abrir a porta após devorar seu pingado com pão chapa. Poucos passageiros subiram. Saiu vazio o coletivo, rumo ao terminal Pirituba. Era um bom caminho. Avenida São João, Lapa, Raimundo Pereira de Magalhães, final. Eram 7 horas e começavam a abrir as borracharias, bares. As cabelereiras varriam o chão ainda com a porta do salão fechada. Estava chegando novamente em outro ponto final.

Sete e meia, milhares de pessoas vão e vem dentro do terminal de ônibus. Eu desço, vou ao banheiro, bebo um pouco de água, sigo para a última linha do dia. O Vila Zatt sai em disparada, faltam dez minutos para o horário de trabalho. Bem são só alguns pontos. Olho aquele bairro como se pudesse morar ali em pensamento, era tão igual ao Campo Limpo, mas de um lado tão distante. Fiquei olhando pela janela, quando avistei o galpão onde ficava meu trabalho, passando ao longe. Desci e voltei um pouco a pé. Sempre dava dessas.

Trabalhava para um grande livraria, arrumava o estoque, empilhava caixas, contava, etiquetava, haveria uma grande Bienal nas semanas subsequentes, o que fez aumentar meu serviço. Novos empregados também foram contratados, todos pareciam vir de lugares simples. Hoje, pela primeira vez, parecíamos mais próximos, todos eles. Nos encontramos no pátio e subimos até o local escuro e seco onde trabalhávamos.

O dia estava quente, mas o trabalho ajudava a manter a cabeça distante. Empilhava caixas, organizava os livros, conferia as notas fiscais e colocava nas estantes. Todos se ajudavam, arrumavam os papelões em locais distantes para que um tiozinho de idade inteira viesse buscar a cada uma hora, com um carrinho. Ele passava tanto por ali que ganhamos certa intimidade para fazer piadas e brincadeiras. Seu Valdo era gente boa, gostava das coisas certas, só rosnava quando via as caixas abertas fora das pilhas, tinha dois filhos com sua esposa, morava na Lapa, apesar de não morar lá, imaginei que fosse um bom lugar.

Durante o almoço, dois moleques saíram para fumar um baseado. Não gostei quando vi, mas cada um tem a sua escolha, sabe o que é melhor pra si. Prefiro acreditar assim. Quando saí do refeitório e desci no pátio, consegui vê-los na praça do lado de fora, assoprando fumaça e rindo à toa.

Voltamos para o trabalho, continuamos a rotina. Aquele dia quente estava rendendo de maneira supreendente. Eram três da tarde quando Seu Valdo apareceu e viu dois papelões fora do lugar.

- Aí Moleque, disse olhando pra mim.

Foi quando sem imaginar, fiz brilhar uma estrela dentro de todos nós naquele galpão. Como já tínhamos certa proximidade, cantei um trecho do Racionais compulsivamente caminhando em sua direção:

- "Aí moleque, me diz, então, ce quer o quê? A vaga tá lá esperando você. Pega todos seus artigos importados, seu currículo no crime, limpa o rabo."

Valdo recolheu os papéis e virou as costas. Continuei e vi que todos me olhavam. Continuei a música, era sempre assim, ela não saía da minha mente. Cantarolei baixinho, até que alguém ouviu e me seguiu. Em cinco minutos estávamos todos cantando aquele som um pouco mais alto, fazendo as entradas, as passagens como um Wu-Tang-Clan de estoquistas.

Acabou o som, de longe eu ouvi alguém cantando outra coisa. Era 509-E, Saudades Mil. Seguimos. Espantosamente, todos nós sabíamos cantar todas as músicas que, aleatóriamente, alguém começava. Thaíde & DJ Hum, SNJ, Consciência Humana, Detentos do Rap, Facção Central, Xis, RZO. Cantávamos 'Paz Interior', quando a supervisora chegou. Abaixamos o tom, fomos amenizando. Ela vestia saia e camisa social, cabelo amarrado, salto alto. Parou, encaixou as mãos sobre a cintura, lembrando uma professora de pré-escola encontrando os alunos aprontando alguma. Era um tanto velha e tinha uma cara um tanto suja. Arrumou os óculos de armação grossa e disse:

- Vocês acham que estão num show é? Aqui é uma empresa. Olhem lá pra cima. É um escritório, as pessoas precisam de concentração!

Todos ficamos quietos e continuamos o serviço, sem jeito e até um pouco envergonhados, admito. Ela saiu. Caminhou até o elevador social, virou para nós e as portas se fecharam. Deu até pra ver ela se sentando naquele escritório todo de vidro, no mezanino, com máquinas de café, impressoras a laser e poltronas reclináveis. Senti um pouco de pena de nós, nem os escravos eram impedidos de cantar em seus quilombos.

Gui terminou de recolher os papéis na empilhadeira e desceu do carrinho. Chegou perto de todo mundo e assobiou o começo de Burguesia, do De Menos Crime, de forma idêntica à música. Ainda deu-nos as primeiras frases: "A minha voz não calo, não sou otário, burguesia do caralho...". Bem baixinho, todos cantávamos mais músicas. A supervisora lenvantou outra vez e nos olhava lá de cima. Balançou a cabeça negativamente e voltou a se sentar. Ali dentro, nós éramos o rap nacional, a revolucionária geração dos anos 90, os guerreiros mostrando serviço.

O relógio bateu às oito da noite. Penduramos os aventais bege nos ganchos e saímos em direção ao bolsário. Pegamos as mochilas. Ainda voltei ao prédio administrativo. Aquela supervisora não estaria lá, meus chefes não estariam lá, chefes dos meus chefes talvez já estivessem em casa, jogando golf no tapete e acionando os alarmes do portão. Ali seríamos eu e a máquina de café apenas. Um vício que adquiri na última semana, quando descolei a brecha. A secretária ficava até tarde, Jolene, mas era gente fina, sabia conversar, gostava de música e das coisas boas da vida, se é que você me entende.

Naquele dia, Jolene parecia tensa, trocou meia-dúzia de palavras comigo e mergulhou dentro de uma pilha de papéis sobre sua mesa. Parecia ser vigiada. Peguei duas moedas, coloquei na máquina, me servi de um capuccino, sentei no sofá. Uma folheada na revista Cult, sempre tinha alguma coisa da qual eu nunca tinha ouvido falar. Aquela falava sobre Baudelaire. Já tinha lido As flores do Mal, sabia que o livro tinha sido proibido na época, embora nunca tenha ouvido nada a respeito do autor. Mais algumas páginas, deixei a mochila no chão, entrou alguém pela sala, percebi, mas não olhei.

Fechei a revista e terminei a bebida. Fui até a máquina e me encarreguei de outra mais pesada. Um café forte e seco, era o que precisava. A Caros Amigos daquele mês falava sobre as Leis do Islã. Comecei a ler, esqueci um pouco o café e fui mais a fundo. Li Glauco Matoso, Ferréz, a entrevista. Hora de ir embora. Encostei o exemplar sobre a mesa, o senhor de óculos na outra poltrona me perguntou se eu gostava daquela revista. Não era um cara mal-vestido, mas não aparentava ser chefe de ninguém. Disse que gostava, tinha uma coleção em casa com vários números.

- Mas é uma revista de esquerda não é?, me questionou o senhor
- Sim, a gente precisa respirar a rebeldia.


Abriu um sorriso breve, jogou seu copo no lixo. Saiu e acendeu um cigarro no pátio, Jolene parecia transpirar na mesa. Olhava para o lado de fora como se houvesse um monstro pernicioso prestes a entrar e assassiná-la. Disse tchau, ela acenou com a mão, sem me olhar nos olhos, mal podia falar comigo.

Do lado de fora, também acendi um cigarro. Comentei algo sobre as estrelas e citei Kerouac. Ele sorriu novamente.

- Você trabalha aqui?
- Sim, no estoque, estamos arrumando as coisas para a Bienal. E o senhor?
- Sou do administrativo. Parece ler muito, não?
- É, gosto. Estudei Jornalismo. Trabalho aqui porque gosto de livros e o mundo para alguns não oferece muitas chances.
- Que tal trabalhar no prédio, revisando livros?
- Por mim, ótimo.


Nunca mais voltei a ver aquele que, certa vez me disseram, de acordo com a descrição que fiz, era o presidente daquela companhia. Não sei o trabalho de um presidente, mas acredito ser um quase dono. Um quase dono sem cara de chefe. Era o que precisava ser. Consegui o cargo de revisor, trouxe mais dois amigos do estoque, que trouxeram mais dois.

Aquele dia se passou, aquele trânisto, aquele café, a Jolene, o Valdo, tudo se fez passar como numa história de esperança, contada para crianças. Em alguns anos, enchemos aquela sala de ex-estoquistas que não desacostumaram da idéia de trabalhar cantando rap.

E nunca mais quis viver meus dias de olhos fechados.