Saudades da chuva

por Robson Assis | | 20.7.09

Certos dias, como os de hoje, me sinto preso em um estilo de vida que não é o meu, aquilo que o garoto de 15 anos trata como "refém do sistema". É uma escravidão não-declarada, formas de humilhação gratuitas que arrumaram me pagando alguns salários que preciso para sobreviver. E eu já não sei o que é viver. Nestas horas o descaso que tenho por mim mesmo e a frustração de ter que ouvir meu chefe rosnar por assuntos irrelevantes é maior do que qualquer felicidade que já tenha vivido. É como voltar no passado, lendo José de Alencar enquanto os garotos brincavam de médico e se divertiam nas festas. Eu preferia a chuva e a rede. Lembro de forma clara como a chuva daquele dia. Eu olhava o rio, na casa da minha tia, e segurava a história da índia Iracema sobre o peito. Hoje eu tenho uma dor terrível no estômago, mais cabelos brancos do que o normal para alguém de minha idade e contas a pagar que me transformam num nóia do sistema, alimentando cada vez mais a corda que o enforca. E minha mente grita: "Você não quer voltar aqui, por que ainda o faz?"... Meus olhos marejados não conseguem esquecer aquela chuva, aquela rede e aquele livro.

Um comentário:

Duda disse...

Bem vindo à realidade frustrante a qual este lugar nos traz.
Você não merece isso, sábio guru.

Pica a mula daqui...

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