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Os livros de setembro e outubro

por Robson Assis | | 3.11.10

Desculpas pela ausência estão ficando repetitivas uma vez que os motivos continuam os mesmos: Trabalho e falta de tempo. Portanto, amigos, aí estão os livros dos dois últimos meses.

Wunder Blogs, Vários autores - O nome do livro é retirado de um antigo (2004) portal de blogs (alguns ainda hoje disponíveis no Apostos.com) reunindo textos de seus autores com idéias esparsas sobre literatura, filosofia, a vida, o universo e tudo o mais. Cada um a seu modo tratando assuntos de interessse pessoal com indiscutível originalidade e senso de humor oblíquo. O livro traz textos de 11 autores da era de ouro da blogosfera brasileira, posso dizer. Uma ótima leitura, obviamente homogênea. Em cada novo capítulo um autor diferente lhe tranposrta a um mundo completamente distinto quando se trata de estilo e narrativa. Indico aqui também uma excelente entrevista com Felipe Ortiz na Folha, que define bastante o portal de blogs. Wunderblogs.com é um livro que você precisa ler com a mente desapegada e livre de preconceitos, sejam eles quais forem.

Gothica, Gustave Flaubert - Contos juvenis do autor de Madame Bovary. Personagens problemáticos e diabólicos em impressionantes diálogos e reflexões. Um total de cinco contos em um excelente livrinho pocket. Histórias sinistras, fúnebres, um lado mais psicótico e um pensamento menos tolerante sobre a humanidade. Lidos estrategicamente no escuro, antes de dormir, para contribuir com o clima sombrio. Curto, de fácil leiturae com histórias tão completas que acaba garantindo seu entretenimento. Corriqueio, enigmático. Ainda não li Madame Bovary, clássico do autor. Mas pelo que me permito conhecer da história, ela não passa perto do ambiente de Gothica, um livro infitamente mais adolescente e desprendido de regras. Como diz a introdução, uma aventura do autor pela parafernalha gótica dos contos de horror. Um bom companheiro para distrair a mente, isso posso assegurar.

Um grande garoto, Nick Hornby - O segundo romance da carreira de Nick Hornby. Tal como Alta Fidelidade, virou filme retrato-de-uma-geração. Confesso ter achado meio enfadonho todo aquele clima do sujeito vagabundo que não entendia a vida mesmo depois dos trinta - como se em alguma idade a gente pudesse compreender tudo -, mas o livro começa a embalar pela forma que a história é contada a partir de diversos pontos de vista. Do vagabundo trintão, do garoto que usa uma lógica ortodoxa para lidar com situações corriqueiras, de sua mãe depressivo-maníaca, até do Kurt Cobain em fase terminal. Ao final de tudo, uma história simples de famílias desestruturadas e um personagem alheio a humanidade se torna uma trajetória emocionante de confiança, respeito e aprendizado, escrita no melhor estilo que o Nick Hornby sabe fazer, ilustrando cenas com músicas, nomes de cantores e jogadores do Arsenal.

Elite da Tropa, Luis Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel e André Batista - Existe aquela teoria de que a história do livro é sempre melhor que a história do filme. Neste caso, considero a história de Elite da Tropa contada de maneira mais pesada e cruel do que no filme, provavelmente por questões de mercado. As duas histórias são excelentes, sem dúvida, mas o livro revolta mais, deixa a ferida mais aberta ao denunciar - ainda que por meio da ficção, os golpes e esquemas praticados pela Polícia Militar. O livro é dividido em duas partes: na primeira, contam-se causos sobre a polícia corrupta, com um discurso sanguinário a ponto de louvar a execução de marginais na frente de seus parentes, quando não a execução sumária de seus parentes, extinguindo possíveis testemunhas. Na segunda parte, uma só história que envolve guerras entre favelas e facções rivais gerenciada pelos interesses político-econômicos de secretários, deputados, delegados e, inclusive, o governador. Interessante, para não dizer trágico, Elite da Tropa é uma denúncia maior do que o discurso 'quem financia quem?' do primeiro filme, colocando na vitrine uma polícia despreparada que trabalha através do jogo, dos pequenos golpes e da certeza de impunidade.

O Gato preto e outras histórias, Edgar Allan Poe - Releitura do clássico. Lembro de ter lido este volume nos idos de 2003/2004, provavelmente algum exemplar emprestado da livraria em que trabalhava na época. Gosto do clima sombrio de seus contos, dos personagens emparedados, das histórias macabras, da tenue relação entre o mundo real e diabólico. Personagens em um momento tranquilos, no outro bêbados e esquartejando a esposa. Poe cria climas pesados e agoniantes em histórias comuns. Cria como um maestro sua obra, que vai evoluindo até um ponto que você não consegue mais acelerar a leitura para saber o que acontece na cena seguinte. E o ápice é seguido de um final deslumbrante e inesperado, sem largar a expectativa, ou a emoção, ou a sensação de estar encurralado, sem poder respirar e sem forças para se livrar dos grilhões que o afligem. Chega de besteira, O Gato Preto e outros contos é um livro para ser lido diversas vezes, de muitos modos. Um livro curto e empolgante demais para acabar tão rápido. Apesar disso, deve ser lido em uma sentada, como dizia Poe.

Antes tarde do que sempre, Bertoldo Gontijo - "O relógio do Mickey marcava 8h45. Acordei com saudade. Saudade de mim mesmo. Do tempo em que eu encarei meus medos e venci. Do tempo em que eu peguei a rotina à unha e mudei meu destino". Indicado no último post dos livros do mês, por minha grande chegada Mirian Pulga, o livro de Bertoldo Gontijo conta a história do mesmo personagem em duas épocas de sua vida. Como a infância influenciou e modelou sua maturidade (ou a falta dela). Me lembrou muito de Alta Fidelidade e aquelea história do homem de meia idade perdido em suas próprias más escolhas. Além disso, o livro é cercado por uma atmosfera quase adolescente, embora envolva problemas e crises adultas. O autor brinda cada capítulo com uma trilha sonora adequada perfeitamente à história, desde os covers de Alice Cooper e Stones executados por sua antiga banda até 'What's Wrong with This Picture?', do Van Morrison, em uma fase mais confusa de sua vida. Poético e bem estruturado, um livro com muitas histórias em apenas uma, para ler em pressa e com a mente aberta. O livro possui versão digital que pode ser baixada gratuitamente no Livros Grátis, para quem quiser.

3 comentários:

Ahh... Line. disse...

finalmente querido... Não conheço nenhum, mas já vi que me interessam:

Indico: Autobiografia de Malcolm X, por Alex Haley.

Borbbolletta disse...

Robson, vc já leu "O lobo da estepe" de Herman Hesse?

Um pedacinho só pra te instigar se vc não leu ainda...

http://www.rubedo.psc.br/Artlivro/lbestepe.htm

Robson Assis disse...

Ah, Aline, esse do Malcolm X aí só em sebo, bem difícil, né? Mas ainda acho esse aí.

Sandra, eu to pra ler Herman Hesse faz mais ou menos um ano, mas tá na fila, excelente dica!

Muito obrigado pela visita! =)

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