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Os livros de março

por Robson Assis | | 1.4.10

Mulheres da Máfia, Clare Longrigg – Livro reportagem de Clare Longrigg, jornalista do The Guardian, sobre mulheres que fizeram parte da máfia italiana ativamente. Histórias de amor e ódio muitas vezes chocantes, de mulheres caminhando pelos labirintos mais obscuros da organização criminosa. O livro possui capítulos temáticos com muito jornalismo lírico e dados históricos. Pode ser categorizado mais como um livro de contos, embora todas as histórias sejam reais. Mulheres da Máfia é uma grande conversa com a autora que prende a atenção do leitor desde o início ao apresentar Pupetta Maresca, que ilustra a sobrecapa do livro: “Fazia oitenta dias que estávamos casados quando mataram meu marido a tiros. E, oitenta dias depois, matei o homem que o assassinou. Eu tinha apenas 18 anos e estava grávida”. Prato cheio e visão alternativa para amantes da Trilogia de Mario Puzo, Sopranos e Os bons Companheiros.

Coleção Arte de Bolso – Cinco livros da editora Lazuli, sobre artistas brasileiros (ou naturalizados). Interessante conhecer a história das artes plásticas no Brasil do século XX, tendo em vista que todos eles atravessaram o período da ditadura - nem sempre ilesos. Uma linguagem rebuscada, mas com sentido claro, que facilita a leitura para leigos. Os livros consistem em um curto resumo sobre a vida e obra do artista em questão, uma entrevista com o próprio e uma seleção de suas obras pontuais e significativas. O formato pocket book fez meu maior interesse em obter mais volumes da coleção. Os cinco livros que li: Flávio-Shiró, Renina Katz, Claudia Andujar, Maria Bonomi e Miguel Rio Branco. Para quem já gosta de arte e para os que, como eu, não sabem por onde começar, é uma escolha ideal.

Contos, Virgínia de Medeiros - Certa vez, caminhando na frente do prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, ganhei este pequeno livro em formato de fanzine. Vasculhando minhas prateleiras ele sobressaiu e, ao lembrar de sua história, parei para ler. Curto, apenas 16 páginas na versão em português, é composto por histórias de travestis narradas em terceira pessoa. Um mundo que conhecemos de longe, de ouvir falar, mas que é também se mistura com o nosso mundo, de certa forma. São histórias vividas pela autora durante a organização e criação do Studio Butterfly, anotadas em diário e publicadas em forma de contos. Virgínia de Medeiros descreve a mente de cada personagem com detalhes intrigantes e os apresenta em histórias mais nebulosas ainda.

A Mensageira das Violetas, Florbela Espanca - Este é um daqueles livros que leio de tempos em tempos. Ele está marcado por post-its durante toda sua extensão (Não sou adepto a rabiscar e sublinhar livros). Além de ser pocket book, é de poesia, pra facilitar a leitura. Floberla Espanca é visceral, bela e ríspida, sempre nos momentos certos, sem deixar perder a leveza e originalidade de seus temas, sem escapar as narrações de paisagem às quais nos prendemos. A Mensageira das Violetas é um livro que trata da alma, em primeiro lugar, apaga toda e qualquer ligação com o mundo real. Naquele período que você pára pra ler o livro, ele te transporta para o quarto da autora, e naquele momento ela começa a declamar cada poesia com doçura e incontestável poder de oratória. Esse livro me transporta a um lugar sereno, um campo aberto cercado por árvores, exatamente igual aquele do Pq. Villa-Lobos, meu lugar no mundo, o ninho onde reside a calma.

Eva Trout, Elizabeth Bowen - O último romance desta escritora, lançado em 1968, narra a história de uma jovem abandonada pela mãe, criada por babás e governantas sob a supervisão de seu pai, um milionário. A transição para a vida adulta é difícil para Eva após a morte de seu pai e a herança herdada acaba criando fantasmas de perseguição em sua mente. Um livro com pano de fundo triste e confuso, sobre uma garota com uma mente perturbada, extremamente racional e pouco apegada à emoções e sentimentos. O que gostei foram as imagens de lugares e situações criadas pela autora de maneira fascinante, assim como alguns diálogos introspectivos com grande êxito. Eva Trout acaba não sendo um clássico surpreendente, mas tem alguns pontos altos bem interessantes.

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