Criando monstros e fantasmas

por Robson Assis | | 20.10.08

Certas vezes me sinto desleixado. Talvez por ser um jornalista escória da raça. Não leio o Estadão todos os dias, nem tento ler o NY Times - OK, mas só algumas vezes - Sequer tenho tino para escolher matérias boas e mandar para os amigos mais próximos. O que sei é enxergar o jornalismo de fora, como um analista, entender seus fracassos, seus trejeitos.

A mídia, com poucas 'Isabelas' para contracenar na retrospectiva, buscou mais atores, mais vilões, criaram uma minisérie de quatro capítulos com o caso do rapaz que sequestrou a ex-namorada e a amiga em Santo André. Cada dia aquilo, tinha mais cara de produção da Globo. O CDH parecia até com o Projac.

Conspirações à parte, quero que me expliquem. Por que um refém sequestrado voltaria ao seu cativeiro? Como uma equipe policial organizada, tática e meticulosa não consegue invadir um conjunto habitacional? Se havia risco do fulano matar as vítimas, porque não trataram o sequestrador como um criminoso, mas como um ser humano decepcionado com a vida?

Bom, aí vai minha recomendação cinematográfica de hoje para entender porque eu tenho tanta cisma com a mídia:

O Quarto Poder (1997)
Em Madeline, Califórnia, um repórter de televisão (Dustin Hoffman) que está em baixa, mas já foi um profissional respeitado de uma grande rede, está fazendo uma cobertura sem importância em um museu de história natural quando testemunha um segurança demitido (John Travolta) pedir seu emprego de volta e, não sendo atendido, ameaçar a diretora da instituição com uma espingarda. Ele nada faz com ela, mas acidentalmente fere com um disparo acidental um antigo colega de trabalho. O repórter, de dentro do museu, consegue se comunicar com uma estagiária que está em uma caminhonete nas proximidades, antes de ser descoberto pelo ex-segurança, que agora fez vários reféns, inclusive um grupo de crianças que visitavam o museu. Em pouco tempo um pedido de emprego e um tiro acidental se propagam de forma geométrica, atraindo a atenção de todo o país. O repórter convence ao segurança que este lhe dê uma matéria exclusiva e promete em troca comover a opinião pública com a triste história do guarda desempregado. É a sua chance de se projetar e voltar para Nova York, mas nem tudo acontece como o planejado. Os fatos são manipulados pela imprensa e tudo sai do controle, pois apenas altos salários e índices de audiência contam e a verdade não é tão importante assim.

2 comentários:

Luiz Alberto Carvalho, 29, jornalista, disse...

Fala Senhor Robson, obrigado pela visita ao blog. Acredito que na próxima semana sua segunda crônica está no ar. Aliás, prepare-se para a próxima. Em breve o site vai ter uma cara novo também. Um abraço.

Robson Assis disse...

Finado Anonimato S/A, que saudade.

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