Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens

O Cerrado que não para

por Robson Assis | | 28.2.11 COMENTE!

Eric Magnus e seus Contos Perdidos do Cerrado Central trazem o rap contado diretamente do Centro-Oeste brasileiro. Porque, como ele mesmo diz em uma das músicas "o universo, mesmo grande, ainda tem seu lado interno". Necessário, atual, concreto e verdadeiro, Contos Perdidos é um disco bem construído sobre rimas inteligentes e melodias ébrias muito interessantes e bem elaboradas.

O rapper, que também é responsável por grande parte das produções do disco, disponibilizou o disco para download gratuito em seu perfil no Bandcamp, embora você possa também adquirir a versão física através do email ericmagnus.som@gmail.com.

Suas letras estão balanceadas entre o engajamento e a reflexão profunda dos temas. O equilíbrio de sua temática faz do som de Eric Magnus não redundante e absolutamente sincero, em que podemos encontrar os versos certos e pontuais sobre cada situação. Magnus é como aquele amigo que sempre tem a palavra certa a nos dizer em cada momento. Para finalizar, outras aspas do rapper "eu fico aqui, a palavra é eterna, o corpo morre, mas a alma se preserva".



Leia também a entrevista para o portal O Rap Informa, onde conheci o trabalho desse rapper.

36 anos de Hip-Hop

por Robson Assis | | 12.11.10 2 Comentários

Falo do Brasil, de uma cena independente mais aberta e informal. Do hip-hop que conheci através de amigos que cantarolavam um refrão do Racionais que nunca mais saiu da minha cabeça.

As décadas de 70/80, cerne de toda essa cultura que hoje agrega cada vez mais seguidores, nos entregou o hip-hop e suas primeiras rimas, moinhos de vento, scratches e bombers na parede. E hoje, os precursores de toda essa história colhem seus louros, se não apenas em dinheiro, também em consideração e respeito.

Somam-se quatro programas de rap em São Paulo, na rádio 105FM, um programa na TV aberta, o Manos e Minas que, por ter sua continuidade tão batalhada, tornou-se também, neste 2010, um tópico indiscutível para a história do rap nacional.

Vivemos o começo de uma nova década onde já se debate com menos frequência a virtualização da música, e ainda assim, um MC de talento e vontade surpreendentes consegue montar e vender, sozinho, 10 mil cópias de um disco produzido em casa, com a ajuda de amigos. Se ele não pode ter o direito dos discos de ouro no Faustão, o hip-hop entra em cena e, como um pai que acende a vela do bolo, faz sua própria homenagem.

O graffiti está nos principais museus do mundo, DJs e Bboys ganham respeito, são valorizados enquanto artistas, cotados para ministrar workshops sociais na periferia e trabalhar nas brechas do Estado, o limbo sócio cultural em que nasce a população menos favorecida.

Na internet, o hip-hop está mais presente do que nunca, com portais de informação e debate como a Central Hip-Hop, o Rapevolusom e o Rap Nacional, blogs especializados que trabalham com informação mais focada, reflexiva e detalhista como o Per Raps, XXL Co e Do Lado de Cá. Além das milhares de colaborações e blogs com menos acessos diários, espalhados pela rede, como este em que você está.

Sem falar nos produtores de filmes, como o Jeferson De, responsável pelo já tão premiado Bróder, sobre o Capão Redondo; e o Alessandro Buzo, que recebeu medalha de menção honrosa no 18º Gramado Cine Vídeo pelo documentário Profissão MC; os saraus na periferia da cidade seguem ganhando cadeiras cativas nas palestras das bienais e conquistando espaços cada vez mais inusitados por todo o Brasil. Jornalistas como o Gilberto Yoshinaga e Jessica Balbino, são essenciais para a cultura com seus projetos pessoais, coberturas e comprometimento, guiando os meus caminhos (e o de muitos outros como eu) com suas lanternas, ainda que quilômetros à frente dos meus pés.

Apesar de toda essa evolução e sem uma busca aprofundada a respeito do assunto, as críticas esparsas sobre o hip-hop nos veículos de imprensa tratam esse pequeno pedaço de toda a história negra como uma parte pobre da cultura popular, como um exemplo claro da arte emburrecida e banalizada. A culpa, como sempre, é direcionada às massas por algum erro de percurso com os trilhos excludentes da arte.

Que desculpem o ego, a pompa e circunstância, mas hoje a festa é apenas deste lado. A toda essa catarse de falso moralismo da mídia, o Hip-Hop manda um abraço e, incisivo, deixa o aviso pelas palavras de Thaíde: 'NADA PODE ME PARAR'.

***

Robson Assis, jornalista, conheceu o hip-hop em 1998, enquanto se divertia com os amigos num hidrante quebrado, na periferia de São Paulo. É feliz proprietário de seus blogs, seu carro, uma vasta coleção de livros e do coração de uma garota. Além disso, escreve perfis próprios em terceira pessoa, só por diversão.

MAIS SOBRE OS 36 ANOS DE HIP-HOP

Quem sampleou?

por Robson Assis | | 4.10.10 COMENTE!



O Who Sampled é um site gringo que oferece uma base completa de dados sobre músicas sampleadas e remixadas de diversos artistas. O texto institucional detalha: 'Este site é sobre a descoberta de novas e antigas músicas, a exploração de influências musicais e o compartilhamento do conhecimento'.

Sem a internet podemos acreditar que essa busca só seria possível por meio de uma pesquisa quase paleológica em sebos e lojas de discos. Ou com a sorte de ter um seleto grupo de amigos wikipédicos.

Aniversariante ainda recente - completou dois anos de existência no dia primeiro deste mês - o site conta com a impressionante marca de 26 mil artistas cadastrados e 64 mil músicas e samples disponíveis. E os números não param de assustar: são 3 mil moderadores, 15 mil usuários registrados e cerca de dois milhões de visitas, desde sua criação.

Através de algumas regras simples explicadas com minúcias no FAQ, qualquer um pode enviar informações sobre um sample que em seguida deve ser analisado pelos moderadores antes de ser disponibilizado.

Em uma busca simples por artistas nacionais, encontrei páginas do RZO, Racionais, Thaíde & DJ Hum, Xis e 509-E. Além da infinidade de artistas internacionais. Excelente para descobrir e orientar a discussão sobre influências no mundo da música.

O RAP pode mudar o mundo?

por Robson Assis | | 19.4.10 3 Comentários

Foto por Luciana Faria a.k.a Playmobeats

Estava produzindo um texto gigante sobre como o RAP se afastou de seu cunho social. Qual o verdadeiro papel social do RAP na cultura hip-hop, que obrigações poderia ter e que direitos poderia reservar. Separei tudo em tópicos e subtópicos, com explicações resumidas e conclusão em três partes. Considerei um bom tema para um TCC futuro - se um dia eu precisar fazer outro.

E então, como que por um toque divino de "esquece isso aí", encontrei essa introdução de "O Retrato de Dorian Gray", clássico de Oscar Wilde:
"O artista é o criador de coisas belas.
O objetivo da arte é revelar a arte e ocultar o artista.
O crítico é aquele que sabe traduzir de outro modo ou para um novo material a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, tal como a mais rasteira, forma de crítica é um modo de autobiografia.
Os que encontram significações torpes nas coisas belas são corruptos sem sedução, o que é um defeito.
Os que encontram significações belas nas coisas belas são os cultos, Para esses há esperança.
Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.
Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livros são bem escritos, ou mal escritos. E é tudo.
A aversão do século XIX pelo Realismo é a fúria de Caliban ao ver a sua cara ao espelho.
A aversão do século XIX pelo Romantismo é a queixa de Caliban por não ver a sua cara ao espelho.
A vida moral do homem faz parte dos temas tratados pelo artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. Nenhum artista quer demonstrar coisa alguma. Até as verdades podem ser demonstradas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um maneirismo de estilo imperdoável.
Um artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.
Sob o ponto de vista da forma, a arte do músico é o modelo de todas as artes. Sob o ponto de vista do sentimento, é a profissão de ator o modelo.
Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que penetram para além da superfície, fazem-no a expensas suas. Os que lêem o símbolo, fazem-no a expensas suas.
O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está em consonância consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem que faça alguma coisa útil, contanto que a não admire. A única justificação para uma coisa inútil é que ela seja profundamente admirada.
Toda a arte é completamente inútil."
E com toda a discussão sobre os novos trilhos do RAP nacional, cheguei a conclusão de que não vale questionar a responsabilidade da arte pelo meio social. A música deve ser entendida como uma expressão ou desabafo, um resultado do que o artista tenha a expor ou interpretar. Pode também ser analisada como uma ferramenta, mas apenas como um fim em si mesma. Para ilustrar: Um garoto pode usar o rap para se livrar do ócio e da criminalidade, mas isso não quer dizer que sua produção artística tem obrigação de ser panfletária ou assistencialista. Esta "ferramenta" já faz efeito quando um garoto deixa o crime para se tornar um artista. O que ele vai dizer quando estiver sobre os holofotes é consequência.

O problema de encarar essa nova visão é ter sido "criado" em uma cena em que a expectativa sobre o rap era inversamente proporcional ao espaço e investimento disponível aos artistas. Isso criou um estilo musical controverso e marginal, que entre erros e acertos evoluiu muito. Hoje, acredito que todos sabemos, a LAPA é um celeiro de grandes artistas, o mesmo Racionais que fazia shows na Favela Godoy, faz shows na Europa e o Indie Hip-Hop vai bem, obrigado.

Continuo ouvindo os mesmos Realidade Cruel, A286, Racionais, GOG, Visão de Rua e NDee Naldinho, mas entendi porque comecei a prestar maior reverência a artistas da nova escola que ultrapassaram a barreira do rap denúncia e trataram temas menos restritos que a crítica social. Entendi os moleques que me xingaram no Youtube quando comentei em caráter pejorativo o clipe do Pixote com participação do Helião. O que entristece é o fanatismo em torno de artistas com pouco a dizer e a embaçada visibilidade para alguns rappers mais afiados.

Finalizo ainda com a frase principal deste texto de Oscar Wilde supracitado:
"A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital."

Ainda acredito que o RAP possa mudar o mundo. Não com a mesma inocência e rebeldia, mas como um estilo musical livre, consistente e aberto a reflexão.

Vatos Locos, Ese! - Cabron Set (mixtape)

por Robson Assis | | 1.4.10 1 Comentário


A mixtape de hoje é produção do Thiago DJ, amigo de vários shows de hardcore e rolês insanos na Block Rockin Beats, festa que na época rolava toda sexta-feira na Toy Lounge (hoje é no Kitsch Club). Agitador cultural, toca no IDHC, Inferno, Bleecker Street e outros. Cabron é um set com o melhor da música latina, de Jennifer Lopez a Cypress Hill, este último já reverenciado por ele em outro set intitulado Hits From Tha Bong. Veja a agenda do malandro no fotolog.

Arte por meu parceiro em vários projetos musicais Leandro "From" Andrade, que também é designer profissional, ilustrador e grafiteiro nas poucas horas vagas. Também um admirador de Marcados pelo Sangue. No Flickr você encontra muitos dos seus trampos.



01. Cypress Hill Ft. Marc Anthony & Pitbull - Armada Latina
02. Mellow Man Ace - Mas Pingon
03. Molotov - Gimme Tha Power
04. Psycho Realm & Delinquents Habits - Midnite Spin
05. El General - Pun tun tun
06. Frost - Mari
07. DJ Muggs & sick Jacken - El Barrio
08. Control Machete - Compreendes Mendes
09. Molotov - Rap, Soda & Bohemia
10. Agrupasion MAmanis - Himno del Cucumelo
11. Delinquents Habits - Tres Delinquents
12. Frost - La familia
13. Eric Bobo Ft Cultura Londres & Kemo the Blaxican - Fiesta
14. Los Poca Soda - Passo Mal
15. Todos Tus Muertos - Scubidu
16. Todos Tus Muertos - Andate
17. Gerardo - Rico y Suave
18. Kid Frost - La Raza
19. Mellow Man Ace - Mentirosa
20. Red Hot Chilli Peppers - Cabron
21. Jim Carrey - Cuban Pete (Arkin Movie Mix)
22. Molotov - Puto
23. Afrika Bambaataa - Electro Salsa (Thiago DJ Extended Version)
24. Ari Borger - Latin Funk
25. DJ Laz & Danny D - Sopa de Caracol
26. B.O.S.E. - Vamos a la playa
27. DJ Laz - Mami El Negro
28. Jenifer Lopez - Lets Get Loud

NY-Z, um documentário

por Robson Assis | | 23.3.10 COMENTE!

Novo documentário de 15 minutos sobre Jay-Z intitulado NY-Z, dirigido por Danny Clinch, cuja proposta é trazer aos fãs um retrato sobre o artista. O vídeo acompanha trechos dos bastidores do show no Madison Square Garden, em memória às vítimas do 11 de setembro. No curta, o rapper fala de sua infância, sua motivação como artista, sua paixão pela música e sua estreita relação com Nova York, 'imortal nos seus versos'. NY-Z dá o pontapé inicial ao Absolut Concert Series, uma parceria entre a ABSOLUT, Jay-Z e Madison Square Garden.

Documentário do Bad Brains

por Robson Assis | | 2.3.10 COMENTE!

E os lendários Bad Brains anunciaram via Myspace e Facebook que estão na fase final da produção do documentário sobre a história da banda.

O filme, com direção de Mandy Stein (que foi produtor em Too Tough to Die: A Tribute to Johnny Ramone) e Ben Logan, traça a história da banda desde a formação em Washington, em 1977 até os dias de hoje. O documentário inclui entrevistas com os quatro membros (HR, Dr. Know, Darryl Jenifer e Earl Hudson), Henry Rollins (Black Flag), Ian MacKaye (Minor Threat/Fugazi) e Adam Yauch (Beastie Boys).



Sobre o Bad Brains
Banda de hardcore de Washington (EUA), formada em 1977 e considerados pioneiros do estilo musical. Os integrantes são seguidores da religião rastafari e as performances de palco - pode conferir aqui - são lendárias e enérgicas.

(via Dangerous Mind)

Rap Genius, o significado das letras de rap

por Robson Assis | | 22.2.10 COMENTE!

O Rap Genius é um site colaborativo que explica algumas letras de rap de grandes artistas internacionais como Wu-Tang Clan, 2Pac, Notorious B.I.G, Nas, Jay-Z, entre outros. O site permite que o usuário ajude a explicar as letras diretamente na caixa de comentários ou enviando um e-mail com uma letra completa comentada. São as duas formas de ser colaborador.

O site conta com explicações de gírias simples/locais até momentos históricos, musicais ou não. Possui pequenas biografias das músicas comentadas e a possibilidade de ouvir a canção enquanto analisa a letra.

Letra de Hail Mary, de 2Pac

(dica do @andremca)

Um filme, dois discos, um quote

por Robson Assis | | 19.2.10 COMENTE!

Inside a Change é um filme de Rik Cordero lançado em 2009, que não parece muito perto de chegar ao Brasil, nem nos torrents da vida. Chris Price (Efraim Benton) está prestes a servir 180 dias de prisão por um delito pela primeira vez. Quando sua mãe (Karen Chilton), o convida para jantar em casa, ele encontra seu irmão mais novo (Darrell Vanterpool) seguindo seus passos e seu irmão mais velho, Shawn (Donte Bonner) desmentindo ele. Com sua família caindo aos pedaços, Chris é forçado a reexaminar sua vida e como ele pode colocar todos juntos para o aniversário de sua mãe. A trilha sonora do filme é produzida por Rik Cordero & The Kickdrums, possui 21 músicas e não saiu do primeiro lugar na lista dos discos que mais ouvi durante esta semana. O álbum pode ser baixado neste link, disponibilizado pelo site oficial do filme.

Encontrei o Inside a Change motivado pela Introdução do novo disco do Statik Selektah, 100 Proof The Hangover, que traz uma reflexão muito bonita retirada deste filme e fala sobre relacionamentos, pessoas tóxicas ou nutritivas. Segundo a ótima resenha feita pelo Boombap Rap, 100 Proof é um disco que mostra a evolução de um grande produtor que, além de ter seu nome associado ao do DJ Premier, já trabalhou com diversos MCs e hoje dá as caras como um grande nome do rap internacional. Esta introdução é uma excelente abertura para So Close, So far, Do it 2 Death e Come Around, na minha opinião, as melhores do disco. Você consegue o disco no Noticiário Periférico. Logo abaixo, o texto da Intro:

INSIDE A CHANGE (INTRO)
We need to avoid people who are toxic, meaning that in every relationship between two people, people can either be toxic or nourishing toward one another. That's not to say that the same person will always be toxic or nourishing in every relationship, but the combination of two people in a relationship will always have toxic or nourishing qualities. And the important part is the test, chill with somebody, chop it up, smoke, drink whatever your demon is, it don't matter what the fuck it is, but the end of that time you gotta ask you yourself a very important question: "Do you feel tired?, or do you feel energized?". Cause if you tired then you been poisoned, if you got energy then you been nourished. You are the company you keep man, know what? Fuck your fake ass lifestyle. You look okay, but energy is tired son.



Temos de evitar pessoas que são tóxicas, o que significa que em cada relação entre duas pessoas, elas podem ser tóxicas ou nutritivas para o outro. Isso não quer dizer que a mesma pessoa sempre será tóxica ou nutritiva em todo relacionamento, mas a combinação de duas pessoas em um relacionamento sempre terá qualidades tóxicas ou nutritivas. E a parte mais importante é o teste, relaxe com alguém, converse, fume, beba o que quer que seja o seu demônio, não importa o que diabos é, mas no final desse tempo você tem que fazer a si mesmo uma questão muito importante: "Você se sente cansado?, ou você se sente energizado?". Porque se você cansado então você foi envenenado, se você tem energia, então você foi nutrido. Diga-me com quem andas, sabe? Foda-se seu estilo de vida falso. Você parece bem, você só está cansado, filho.

Os Samurais do Rap

por Robson Assis | | 18.2.10 COMENTE!

De uns tempos pra cá tenho visto muitas referências à cultura oriental no cenário de rap. Aconteceu pela primeira vez com o Wu-Tang Clan, cujo nome é herdado de um filme chinês chamado Shaolin & Wu-Tang. Depois, com a música Dorobô, de B Negão e Sabotage, com uma letra que mistura palavras em português e japonês que confesso não ter entendido na época. Ontem, ao ler o texto sobre o novo disco do Sniper no blog Rap Movimento, do amigo Juca Guimarães, o assunto sacudiu outra vez a mente deste que vos escreve. O rapper é campeão mundial de Kung Fu e baseia todo o seu trabalho na cultura oriental.

E foi então comecei a me lembrar.

Em 2006, o rapper Sandrão – na época em carreira solo fora do RZO – lançou um hit chamado Respeito Oriental, com a mesma temática. Talvez tenha sido um prenúncio à criação do Wu-Brasil, que hoje tem Sandrão, AC, Dj Cia e Helião como linha de frente, um projeto audacioso que colocou o Brasil na mira da maior posse de rap que o mundo já pôde conhecer.

Após o lançamento do single “E se”, do rapper Rashid, pude prestar maior atenção ao trabalho deste MC que em seu box de influências no Myspace, perdido entre nomes como Racionais, Cartola e Common, está Miyamoto Musashi, um famoso samurai que escreveu o livro dos Cinco Anéis, uma obra sobre artes marciais e estratégias militares. No Brasil, sua biografia possui dois imensos volumes publicados pela editora Estação Liberdade.

Por recomendação de um professor, nos idos de 2004 assisti Ghost Dog - O caminho do Samurai, filme de Jim Jarmusch com trilha sonora de RZA (Wu-Tang) sobre um samurai dos tempos modernos que aceita trabalhos como assassino de aluguel e serve com devoção ao homem que salvou sua vida quando criança. Protagonizado por Forest Whitaker, traz claras referências ao livro Hagakure – O Livro do Samurai, de Yamamoto Tsunetomo, lançado no Brasil pela editora Conrad. O Hagakure é um grande livro de ensinamentos que têm como base a preparação de um vassalo para servir ao seu senhor e honrá-lo. É um livro que nos leva ao passado e faz refletir sobre tradição, honra e dignidade conceitos que hoje em dia são apenas palavras bonitas. Carregado de grandes metáforas Ghost Dog é um filme que trata, em geral, de códigos de conduta, moral e respeito, uma tríade de peso para qualquer sociedade, afinal "cada lugar um lugar, cada lugar uma lei, cada lei uma razão que eu sempre respeitei", já dizem os Racionais. Pra finalizar, o Hagakure foi citado por Emicida na Revista Mais Soma, como o primeiro de um Top 5 livros que mudaram sua vida.



Se grandes rappers da atualidade estão citando a cultura oriental como influência para seus estilos de vida e suas letras, talvez seja hora de prestar maior atenção na sabedoria que o outro lado do mundo pode nos oferecer.

Flashmob do Unplay

por Robson Assis | | 4.2.10 COMENTE!

Flashmob são aquelas mobilizações em que muitas pessoas combinam uma coreografia para dançar na rua. Bem, se você não sabia, agora sabe. Em 2009 o termo se popularizou com algumas homenagens a Michael Jackson feitas por populares e no já clássico aniversário da Oprah em Chicago, organizado pelo Black Eyed Peas.

Dessa vez, a banda Unplay está liderando um evento para a gravação de um vídeo clipe. O evento será realizado neste sábado, às 10h30, em frente ao Center 3, na Avenida Paulista, com a música O que quer de mim, uma ótima versão de What do you want from me, do Monaco.

Nota escrita por Ricardo, vocalista da banda:

Convidamos todos a participarem. Não precisa saber dançar. Até eu vou dançar e não tenho a menor idéia de como se faz este tipo de coisa.

Para participar é só assistir o video com a coreografia:



Para quem não sabe dançar como eu, não precisa ficar perfeito. É só lembrar dos movimentos, pra que lado deve ir, etc. E seguir o que a pessoa da frente ou do lado esta fazendo.

O importante é que a gente se divirta.

Obs: Este Flash Mob será gravado e vai virar um clipe da banda The Unplay.
Pedimos que só participem as pessoas queautorizarem o uso da imagem.


SERVIÇO
FLASHMOB E GRAVAÇÃO DO CLIPE DA BANDA UNPLAY
Quando: Sábado, às 10h30 da manhã
Onde: Shopping Center 3 - Av. Paulista, 2064, Cerqueira César
Pré-requisitos: Ver o vídeo acima e aprender a coreografia!

+ infos no Twitter da banda