Performance de Justin Timberlake no Late Night com Jimmy Fallon. Um sensacional medley de quatro minutos com a história do rap:
Encontrei no blog do Maestro Billy, que disponibiliza também a tracklist.
Quem sampleou?
por Robson Assis | tags musica, sample, who sampled | 4.10.10 COMENTE!
O Who Sampled é um site gringo que oferece uma base completa de dados sobre músicas sampleadas e remixadas de diversos artistas. O texto institucional detalha: 'Este site é sobre a descoberta de novas e antigas músicas, a exploração de influências musicais e o compartilhamento do conhecimento'.
Sem a internet podemos acreditar que essa busca só seria possível por meio de uma pesquisa quase paleológica em sebos e lojas de discos. Ou com a sorte de ter um seleto grupo de amigos wikipédicos.
Aniversariante ainda recente - completou dois anos de existência no dia primeiro deste mês - o site conta com a impressionante marca de 26 mil artistas cadastrados e 64 mil músicas e samples disponíveis. E os números não param de assustar: são 3 mil moderadores, 15 mil usuários registrados e cerca de dois milhões de visitas, desde sua criação.
Através de algumas regras simples explicadas com minúcias no FAQ, qualquer um pode enviar informações sobre um sample que em seguida deve ser analisado pelos moderadores antes de ser disponibilizado.
Em uma busca simples por artistas nacionais, encontrei páginas do RZO, Racionais, Thaíde & DJ Hum, Xis e 509-E. Além da infinidade de artistas internacionais. Excelente para descobrir e orientar a discussão sobre influências no mundo da música.
Os livros de agosto
por Robson Assis | tags leituras, livros, lost | 8.9.10 3 Comentários
Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe, 1774 - tragédia romântica clássica, Werther é um homem entregue aos delírios do amor por uma mulher intangível, sensata e talvez pouco honesta acerca de seus sentimentos. Através de cartas do protagonista, o autor descreve a vida tediosa de um homem que vai até as últimas consequências, mesmo ciente da impossibilidade de ter para si a mulher de seus sonhos. Fácil leitura, grande livro, angustiante e claustrofóbico conforme o desenrolar da história. Nas páginas finais - e isso é um detalhe que gostei muito nessa coleção da Abril - tem um pequeno resumo sobre a época em que a obra foi lançada, em que circunstâncias, sobre a vida do escritor, além de fotos e ilustrações originais da época do autor e familiares. Um posfácio classe.
Mensagem, Fernando Pessoa, 1934 - Mensagem foi o último livro de Fernando Pessoa, o que carrega a célebre frase "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e muitas outras também memoráveis. O único livro publicado em vida pelo autor, foi lançado um ano antes de sua morte. Um livro ufanista, que exalta Portugal até não poder mais e reúne o melhor de todos seus heterônimos, um livro que retoma a fé do autor em Deus. Um livro para releituras semanais, sempre que preciso. Também da coleção de Clássicos da Abril, segundo livro que leio. Recomendável tanto para os amantes da boa literatura quanto para os que não sabem por onde começar. E eu nunca sei por onde começar.
O Abusado - O dono do morro Dona Marta, Caco Barcellos - A biografia romanceada de Marcinho VP, um dos maiores e mais comunicativos traficantes cariocas. Mais do que isso, neste livro Caco Barcellos descreve uma cronologia do crime organizado nos morros do Rio de Janeiro. Um livro reportagem, uma biografia, um estudo sociológico, não importa. O Abusado é, sem dúvida um livro excelente e de perfeita fluência para ler dentro do coletivo, por exemplo. Uma das resenhas que li sobre o livro, dizia algo como "para entender o tráfico de drogas é preciso entender os criminosos", mas considero esse um pensamento superficial. Pode-se entender os crimes e as inflexões sociais da pobreza e da miséria através de uma história tão completa e reveladora quanto esta, mas não se pode medir tudo o que acontece em um lugar onde não se vive. O livro é instigante, violento e necessário. Torcer pelo lado certo da vida errada, onde o antagonista é o personagem principal é a receita para uma obra desta grandeza.
Ratos e Homens, Jonh Steinbeck, 1937 - Uma história trágica entre dois amigos de infância que viviam juntos, trabalhando em fazendas com o sonho de juntar dinheiro e adquirir suas próprias terras. Contrastes entre força, inteligência, oportunismo e ingenuidade. Uma história pesada, pra não dizer triste e premeditadamente infeliz. Um ótimo livro, mas não posso dizer o melhor de Steinbeck sem antes ler As Vinhas da Ira. Além de tudo é pocket, curto, rasteiro, eficaz. Outra coisa: Lembrei que o Sawyer lia esse livro em alguns capítulos de Lost.
Mensagem, Fernando Pessoa, 1934 - Mensagem foi o último livro de Fernando Pessoa, o que carrega a célebre frase "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e muitas outras também memoráveis. O único livro publicado em vida pelo autor, foi lançado um ano antes de sua morte. Um livro ufanista, que exalta Portugal até não poder mais e reúne o melhor de todos seus heterônimos, um livro que retoma a fé do autor em Deus. Um livro para releituras semanais, sempre que preciso. Também da coleção de Clássicos da Abril, segundo livro que leio. Recomendável tanto para os amantes da boa literatura quanto para os que não sabem por onde começar. E eu nunca sei por onde começar.
O Abusado - O dono do morro Dona Marta, Caco Barcellos - A biografia romanceada de Marcinho VP, um dos maiores e mais comunicativos traficantes cariocas. Mais do que isso, neste livro Caco Barcellos descreve uma cronologia do crime organizado nos morros do Rio de Janeiro. Um livro reportagem, uma biografia, um estudo sociológico, não importa. O Abusado é, sem dúvida um livro excelente e de perfeita fluência para ler dentro do coletivo, por exemplo. Uma das resenhas que li sobre o livro, dizia algo como "para entender o tráfico de drogas é preciso entender os criminosos", mas considero esse um pensamento superficial. Pode-se entender os crimes e as inflexões sociais da pobreza e da miséria através de uma história tão completa e reveladora quanto esta, mas não se pode medir tudo o que acontece em um lugar onde não se vive. O livro é instigante, violento e necessário. Torcer pelo lado certo da vida errada, onde o antagonista é o personagem principal é a receita para uma obra desta grandeza.
Ratos e Homens, Jonh Steinbeck, 1937 - Uma história trágica entre dois amigos de infância que viviam juntos, trabalhando em fazendas com o sonho de juntar dinheiro e adquirir suas próprias terras. Contrastes entre força, inteligência, oportunismo e ingenuidade. Uma história pesada, pra não dizer triste e premeditadamente infeliz. Um ótimo livro, mas não posso dizer o melhor de Steinbeck sem antes ler As Vinhas da Ira. Além de tudo é pocket, curto, rasteiro, eficaz. Outra coisa: Lembrei que o Sawyer lia esse livro em alguns capítulos de Lost.
De bombeta e moletom #3 (mixtape)
por Robson Assis | tags de bombeta e moleton, mixtape | 24.8.10 7 Comentários
A ilustração acima é feita pelo Finho, de Salvador-BA. No flickr dele você pode encontrar mais trampos originais desse tipo entre graffitis, desenhos, tatuagens, pinturas e até alguns rascunhos originais. Quem me indicou foi o Bruno, parceiro ouvinte desta singela mixtape.
Esta edição começa com Racionais e, por que não a participação de Mano Brown em Umbabaraúma, do Jorge Ben? Temos uma seção "bate-cabeça", com House of Pain e Delinquent Habits, até um Cypress Hill escondido na versão ao vivo de How I Could Just Kill a Man, do Rage Against the Machine. E vários outros aperitivos nas entrelinhas.
Nessa edição pedi uma ajuda final para meu mano Jefferson, que num Top 3 a la Nick Hornby indicou Mos Def, Facção Central e Dead Prez, sutilmente fechando a lista.
Aprecie via streaming ou faça o download aqui:
01 Racionais, Jesus Chorou
02 Jorge Ben feat. Mano Brown, Umbabarauma
03 RATM Feat Sen Dog & B-Real, How I Could Just Kill A Man
04 Xis, A Fuga
05 Delinquent Habits, Tres delinquentes
06 House of Pain, Put your head out
07 Correria MC, Show de Rap (Part Projota)
08 Dr. Dre f. Eminem, Forgot About Dre
09 MV Bill feat. Chuck D, Transformação
10 Pharoahe Monch, Simon Says
11 Dead Prez, Propaganda
12 Facção Central, Anjo da Guarda vs. Lúcifer
13 Mos Def, The Rape Over
Entrevista com Diego Bernal
por Robson Assis | tags beatmaker, diego bernal, entrevista | 23.8.10 COMENTE!
You find the english version, right here.
Diego Bernal é um beatmaker de San Antonio, no estado norte americano do Texas, cuja música ultrapassa os limites do hip-hop instrumental, fato este que o levou a assinar contrato com uma gravadora de música eletrônica. Bernal nasceu em uma família de educadores, ativistas e intelectuais, o levando a ser advogado de uma organização de direitos civis nacionais em seu país.
Com dois discos lançados - Besides e For Corners -, a música de Bernal parece caminhar sobre a linha tênue do beat puro e instrumental, sem a necessidade do flerte com a rima, uma vez que a complexa intensidade das batidas cumpre bem o trabalho de criar a perfeita ambientação clássica do rap. Samples extrovertidos e harmonicamente precisos se misturam à música latina em suas composições trabalhadas como obras bastante inusitadas.
Gente fina, aceitou tranquilamente essa entrevista por e-mail, em que fala sobre sua carreira, influências, música digital e inclusive sobre o começo da produção de seu terceiro disco Here for Good.
Robazz: Conta um pouco da sua história, em que fase da sua vida você começou a criar beats? Como isso aconteceu?
Diego Bernal: Obrigado, cara. Eu comecei fazendo beats durante o Ensino Médio, só por diversão e com equipamento básico de DJ, nada muito extravagante. Foi algo que amei e fiz por muitos anos, só para mim mesmo. Não foi tão longe, tempos depois um amigo meu, Ernest Gonzalez, que é dono da Exponential Records me convenceu que o material que eu tinha compilado poderia ser usado num disco decente. Eu nunca esperei que as coisas caminhassem nessa direção, mas fico realmente feliz que tenha acontecido dessa forma.
Robazz: E como define sua música, seu estilo?
Diego Bernal: No meu pensamento é hip-hop instrumental, mas eu acredito que outras pessoas ouvem de diversas outras maneiras, e eu gosto disso. É legal, é beat music. Podemos ficar aqui lançando rótulos o dia todo, mas no final o que temos são os beats... com uma corrente latina.
Robazz: Seus discos são distribuídos gratuitamente nessa rede de informação maravilhosa que é a internet. Como você pensa isso da distribuição de música nos nossos dias?
Diego Bernal: Sabe, sou realmente feliz por não depender de venda de discos pra viver. Conheço artistas com muito mais sucesso e carreiras mais prolíficas em comparação com a minha que ainda lutam pra sobreviver. Dito isto, eu adoro a forma que a música permite ser compatilhada e como ela facilmente viaja através do mundo (essa entrevista agora é a prova real disso), mas eu também acho que as pessoas devem se lembrar que se você quer mais dedicação de um artista, você precisa gastar algum dinheiro com ele. Você gosta do primeiro álbum de alguém? Você quer o segundo? Compre o seu disco.
Eu acho que a música digital é ótima, mas eu também acho que isso cria uma cultura onde a música é descartável. As pessoas ouvem alguma coisa uma ou duas vezes, ou por uma semana, e então deixam de lado. É por isso que eu crio álbuns e não simplesmente singles, porque a experiência com a música se torna mais aprofundada e reflexiva. Eu não quero uma aventura de final de semana, quero um romance completo.
Robazz: Na descrição do disco For Corners, "A música caminha entre camadas de música latina, das triunfantes explosões de chifres até o descontraído groove de melodias lowerider" no que a música latina te complementa e quais foram as influências mais marcantes para a sua música?
Diego Bernal: Eu cresci ao redor do hip-hop, country, heavy metal, discos da Motown, Soul da Filadélfia e música latina. Vindo de San Antonio, nós sempre misturamos nossos gêneros. O soul e o funk do estado têm sido minados até a morte, então pensei em colocar um pouco de mim na música e foi isso o que saiu. Se você me dissecar abrindo meus discos, são estes sons que vão se derramar. Se os Native Tongues remixassem meu bairro, estes dois álbuns (For Corners, Besides) são as linhas que, eu acho, resultariam.
Robazz: A pergunta padrão, conhece algo da música brasileira?
Diego Bernal: Eu conheço um pouco. Não muito e não o suficiente. Compartilha aí, me diga o que ouvir. Sou todo ouvidos.
Robazz: O que você tem ouvido ultimamente?
Diego Bernal: Mexicans With Guns, Flying Lotus, Led Zeppelin, Sharon Jones, The Roots, Erykah Badu, Trio Los Panchos, DJ Dus e o El Michels Affair.
Robazz: Diga-nos sobre os próximos projetos na sua carreira.
Diego Bernal: Tenho alguns remixes pra fazer, e a partir daí eu estou realmente pensando em começar a trabalhar no meu terceiro disco. Eu não espero finalizá-lo até o início de 2012, então curtam o que está disponível! Eu posso te dar o título desse novo trabalho que eu tenho até então, chama-se: "Here for Good". É uma espécie de busca da minha vida dentro e fora da música.
Robazz: Deixe sua mensagem para os beatmakers brasileiros.
Diego Bernal: Acredite em você mesmo. Trate seus trabalhos como arte, não como mercado. Você é bom, é melhor do que imagina. Mais importante de tudo, encontre uma sonoridade que seja sua. Se você fizer isso, todo o resto vai se tornar mais fácil.
Site oficial: http://diegobernal.net
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