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De bombeta e moletom #4 (mixtape)
por Robson Assis | tags de bombeta e moleton, mixtape, música | 8.12.10 COMENTE!
Ilustradora freelancer e designer, Diana Koehne trabalha com pinturas e colagens em diversas esferas da arte. Em seu site oficial, podemos encontrar uma vasta gama de trabalhos desde obras em shapes de skate, até ilustrações publicadas em revistas e livros. Uma das mais impressionantes - embora toda a obra mereça reconhecimento - são seus personagens, sempre caricatos e irreais, às vezes desenhados em post-its, outras em caixas, mas sempre com seu toque e detalhe pessoal.
A mixtape mais despretensiosa da internet volta à baila em sua quarta edição e traz uma coleção de músicas que venho ouvindo no repeat nos últimos meses (ou nos últimos dias, como o caso do single Olha pros Neguinho, do Xará com participação do Emicida). Tem uma indicação boa do meu camarada Max, que me mostrou o Thai, rap asiático, com a música Lost and Confused, além de várias boas, escolhidas sem critério e ao sabor dos ventos.
Tendo isso em vista, ouça abaixo pelo streaming, ou baixe aqui (52.15 MB).
01. SNJ, Se Tu Lutas Tu Conquistas
02. Projota, Véia
03. Blacastan part. Moe Pope, City II City
04. Parteum part. Kamau e Rick, Época de Épicos
05. Xará part. Emicida, Olha Pros Neguinho
06. Eminem part. Dr. Dre e 50 Cent, Crack A Bottle
07. Pentágono, O Q
08. Xis, Tudo Por Você Também
09. Nel Sentimentum, Bóra pro Rolê
10. Wiz Khalifa part. Wale and Trae, The Breeze Cool
11. Primeira Função part. Black Lion, Sociedade Quilombo
12. Thai, Lost and Confused
13. Rashid part. Marechal, Acendam as Luzes
Big & Pac
por Robson Assis | tags 2pac, critica, música, notorious, rap | 5.1.10 COMENTE!
A rivalidade entre as costas leste e oeste começou em meados dos anos 90, entre artistas e fãs das cenas locais de hip-hop. Os pontos focais da briga eram de um lado (leste) o rapper Tupac Shakur e sua gravadora, a Death Row Records; e, do outro (oeste), Notorious B.I.G e o selo Bad Boy Records, de Sean "Diddy" Combs (na época apenas Puff Daddy).
Uma guerra que envolveu ressentimentos declarados, muitos mal entendidos e o peso da grande mídia, mas que ao mesmo tempo levou à criação de grandes hits ofensivos como "Hit 'em Up" e "Brooklyn's Finest", por exemplo. Em uma entrevista (traduzida no Noticiário Periférico), Notorious B.I.G diz que se tivesse resolvido as coisas diretamente com Tupac, seria mais fácil:
Revista Vibe: Quem são eles?
Notorious: A midia. Tupac nunca disse: "todos vocês da West Coast tem que odiar a East Coast" e eu nunca disse: "todos vocês da East Coast tem que odiar a West Coast". Eles fizeram o seguinte, ele é do West, eu sou do East... Então é East contra o West.
A história acabou mal, óbvio, com os dois rappers assassinados.
Mas em 1999, algo aconteceu. Afeni Shakur e Voletta Wallace, mães dos artistas, apareceram em público no VMA para apresentar o Melhor Clipe de Rap do ano. Com uma mensagem de esperança, disseram basicamente que apesar de tudo estavam unidas cuidando do legado de seus filhos e que estavam lá para mostrar como a fé, amizade e esperança podem aproximar as pessoas.
Um vídeo sensacional e histórico para o hip-hop!
Fica uma bela lição aos poucos rappers de hoje em dia: existem coisas que vão muito além da sua marra e sua cara de mau. E não é preciso ser o John Lennon pra fazer do seu mundo um lugar melhor.
Racionais MC's e os rumos do rap no Brasil
por Robson Assis | tags critica, mano brown na rolling stone, mulher elétrica, música, racionais, rap | 11.12.09 2 Comentários
Não é preciso muito para dar mérito ao grupo Racionais MC's. Eles têm uma biografia invejável no rap nacional, gravaram discos que foram sucessos incontestáveis de venda e crítica, sem esbarrar num erro, num beat. E então, caíram no temido século XXI, após a decadência do rap americano, transformado no "estilo hip hop".
A idéia desse texto se deve completamente ao blog Mundo do Rap, um excelente blog crítico sobre rap nacional e que, neste texto de Bruno Rico, me provou o que a algum tempo eu já previa: Os Racionais MC's moldam o cenário rap de acordo com o disco que lançam. Claro que eles não previram isso, nem agem de má-fé, isso seria criar mais uma conspiração em torno do grupo.
Tudo começou com os discos Holocausto Urbano (1990), Escolha seu Caminho (1992) e Raio X do Brasil (1993). É início dos anos 90, pós Diretas, Impeachment de Fernando Collor, o íncio do Brasil piada pronta que temos hoje em dia. Foi dali que surgiram sons mais pesados como Pânico na Zona Sul, Homem na Estrada e Tempos Difíceis, esta última uma excelente música daquelas que não envelhecem nunca, cantada por Edi Rock.
Foi o despontar de grandes nomes como GOG, de Brasília, já com três discos e a mesma temática baseada nas subcondições de vida da periferia, lançando o hit Brasília Periferia em 1994. Da mesma época são os clássicos "Só se Não quiser Ser", do MRN e o "Humildade e Coragem são nossas armas para lutar" de Thaíde e DJ Hum, que tinham na época tanta ou até mais visibilidade que os Racionais.
Nada nesta época era considerado muito inovador e referência, talvez porque os grupos nacionais seguiam à risca a linha do rap criado nos EUA por Grandmaster Flash e popularizado com Public Enemy e NWA. Apesar de tudo, foi uma época um tanto quanto apagada em relação ao que estava por vir. Em paralelo à essa guinada inicial, Gabriel o Pensador, em alta na mídia, cantava rap para a classe média carioca, mas o rap ainda era discriminado, marginalizado e como acontece com qualquer música de protesto, ninguém (ou quase ninguém) dava ouvidos.
SOBREVIVENDO NO INFERNO, O AUGE
Em 1997, o Racionais volta com o disco Sobrevivendo no Inferno, um divisor de águas (o clichê é gratuito) no rap nacional. Foi o impulso que o rap precisava para se impor. Daí pra frente, a periferia tomou espaço na mídia e a música negra ganhou seu merecido e batalhado destaque.
O disco trazia obras primas de até 11 minutos, como Fórmula Mágica da Paz e sons que ganharam o imaginário popular da vida dos presidiários como em Diário de um Detento. Um disco com 12 músicas recheado de protestos velados, letras bem escritas como nunca antes se havia feito.
Os Racionais então reinavam absolutos no cenário rap brasileiro após ganhar o Video Music Brasil na categoria Escolha da Audiência com o clipe Diário de um Detento, em 1998.
Grandes discos foram lançados durante o final da década de 90 e o começo dos anos 2000 como "Versos Sangrentos" e "A Marcha Fúnebre Prossegue", do Facção Central, "Só Sangue Bom" do Realidade Cruel e ainda o fantástico "CPI da Favela", de GOG. O cenário rap ganhou ainda maior notoriedade com Sabotage e sua rima precisa e invocada do disco "Rap é Compromisso", de 2001.
Neste começo de século as coisas andavam muito bem, SNJ e Apocalipse 16 lançavam canções tranquilas com uma positividade inigualável. Xis, Doctor MC's e SP Funk faziam um som dançante e descolado, 509-E despontava como grande descoberta com o excelente Provérbios 13 e o rap ia conquistando cada vez mais espaço na música nacional. Não houve outra época com tantos lançamentos bons e referências pululando das quebradas brasileiras.
INFELIZMENTE, HAVIA UM DIA APÓS O OUTRO DIA
Estávamos chegando perto da Copa do Mundo de 2002 quando o Racionais emplacou mais um clásico: álbum Nada como Um dia após o outro dia, menos introspectivo e pesado que o anterior. As músicas apresentavam um lado bem mais gangsta do grupo, com letras sobre respeito, amigos e a famigerada família Vida Loka dos bonés e carros customizados, influência da cultura mexicana, os Vatos Lokos, como no filme Marcados pelo Sangue.
A morte de Sabotage em 2003 também ajudou para um certo enfraquecimento da música rap em geral neste período. A coisa toda ainda funcionava mas com um certo ritmo decadente, shows esparsos em quadras de escolas de samba, Indie Hip hop lutando com todas as forças e trazendo grandes nomes gringos para os palcos do Sesc Santo André, e então alguma coisa aconteceu: A indústria da black music.
Foi nessa época que ouvi os primeiros comentários de alguém dizer que estava ouvindo hip hop. A parte principal do que me veio à cabeça nessa hora foi: "Não se ouve um movimento". E o Bruno Rico do blog Mundo do Rap faz um ótimo comentário sobre isso em seu texto intitulado "Prevejo a divisão no rap nacional":
E então os grupos começaram a fazer rap com uma visão diferente, aproveitando o que o Racionais fez de melhor e adaptando modelos gringos. Dessa época são os discos Falcão, O Bagulho é Doido do MV Bill, Exilado Sim, Preso não do Dexter, Deus do Morro, do Detentos do Rap e Tarja Preta, do Gog.
Veja bem, gosto muito dos discos de rap deste período, mas posso dizer que, nesta época comecei a limar tudo o que ouvia de forma mais crítica. Foi a partir daí que a coisa começou a caminhar mal e seguir caminhos errados, infelizmente, mas isso não quer dizer que todas as músicas da época são ruins, muito pelo contrário, apenas o que a black music da Rihanna, Akon e afins trouxe ao rap nacional
RACIONAIS 2010 E A CONSPIRAÇÃO DO FIM DO RAP DE PROTESTO
No Brasil, a black music começou a expandir como gremilins numa piscina tomando conta de todas as rádios e toques de celular junto com o funk e outras aberrações musicais. Quem começou a curtir rap depois do último disco do Racionais teve uma excelente base do que já havia passdo, afinal, era o exemplo maior do rap com conteúdo revolucionário e prático, mas em doses menores e menos bons artistas para seguir.
O fato é que daí pra frente, ninguém mais quis saber do que o 2Pac falava em suas letras, o que a treta dele com o Notorius BIG trouxe de bom - musicalmente falando - para o rap. Dali pra frente se ouvia falar de Akon, Kanye West e suas devidas roupas e garotas. Tornou-se glamour.
E muito do rap nacional, entrou na dança. As maiores contradições da história do rap despontaram de uns anos pra cá. MV Bill no Faustão, Racionais fazendo música para a Nike, clipe do Pixote com o Helião (RZO), gravado em Paris, na frente da Torre Eifel, falando de quebrada e de humildade. A pergunta é: Para onde estamos indo e o que diabos os artistas estão fazendo do rap?
Sou fã confesso de Racionais e não acredito que eles possam fazer algo tão ruim como tanto vêm especulando os veículos de comunicação, blogs e gente envolvida. Acredito que esse burburinho todo tenha sido causado pela canção "Mulher Elétrica", que fala sobre mulheres e realmente possui uma postura bem mais pop que Mulheres Vulgares, por exemplo e provavelmente pela divulgação da revista Rolling Stone com o Mano Brown na capa.
O próximo disco do Racionais vai cair nas graças do público de qualquer forma, seja ele só dançante, só brutal ou só polêmico. O problema é como ele será encarado pelo rap em si e pela galera que curte de verdade. Minha parca opinião tem um resquício de esperança: prevejo um retorno ao marasmo do começo dos anos 90, mas por um outro lado muita vergonha alheia patrocinada por grandes nomes e comerciais chulos. Para terminar, me lembro de um trecho do filme Quase Famosos, em que o garoto aspirante a jornalista mantém um interessante diálogo com seu mentor, uma homenagem clara ao jornalista crítico mais ácido da história, Lester Bangs. Eles conversam sobre o rock, mas a analogia é válida. Talvez um garoto desses pudesse salvar o rumo da música rap. Talvez:
- Então é você que me manda aqueles artigos feitos para o jornal da escola?
- Tenho enviado umas coisas de fanzines também.
- Como é sua popularidade na escola?
- Eles me odeiam.
- Você vai conhecer muitos deles contra você nessa jornada. Sua escrita é muito boa. É uma pena você ter perdido o rock & roll.
- Perdi?
- Sim, acabou.
- Acabou?
- Acabou. Você chegou a tempo do último chacoalhão da morte, do último suspiro!
- Bem, pelo menos eu estou aqui pra isso.
A idéia desse texto se deve completamente ao blog Mundo do Rap, um excelente blog crítico sobre rap nacional e que, neste texto de Bruno Rico, me provou o que a algum tempo eu já previa: Os Racionais MC's moldam o cenário rap de acordo com o disco que lançam. Claro que eles não previram isso, nem agem de má-fé, isso seria criar mais uma conspiração em torno do grupo.
Tudo começou com os discos Holocausto Urbano (1990), Escolha seu Caminho (1992) e Raio X do Brasil (1993). É início dos anos 90, pós Diretas, Impeachment de Fernando Collor, o íncio do Brasil piada pronta que temos hoje em dia. Foi dali que surgiram sons mais pesados como Pânico na Zona Sul, Homem na Estrada e Tempos Difíceis, esta última uma excelente música daquelas que não envelhecem nunca, cantada por Edi Rock.
Foi o despontar de grandes nomes como GOG, de Brasília, já com três discos e a mesma temática baseada nas subcondições de vida da periferia, lançando o hit Brasília Periferia em 1994. Da mesma época são os clássicos "Só se Não quiser Ser", do MRN e o "Humildade e Coragem são nossas armas para lutar" de Thaíde e DJ Hum, que tinham na época tanta ou até mais visibilidade que os Racionais.
Nada nesta época era considerado muito inovador e referência, talvez porque os grupos nacionais seguiam à risca a linha do rap criado nos EUA por Grandmaster Flash e popularizado com Public Enemy e NWA. Apesar de tudo, foi uma época um tanto quanto apagada em relação ao que estava por vir. Em paralelo à essa guinada inicial, Gabriel o Pensador, em alta na mídia, cantava rap para a classe média carioca, mas o rap ainda era discriminado, marginalizado e como acontece com qualquer música de protesto, ninguém (ou quase ninguém) dava ouvidos.
SOBREVIVENDO NO INFERNO, O AUGE
Em 1997, o Racionais volta com o disco Sobrevivendo no Inferno, um divisor de águas (o clichê é gratuito) no rap nacional. Foi o impulso que o rap precisava para se impor. Daí pra frente, a periferia tomou espaço na mídia e a música negra ganhou seu merecido e batalhado destaque.
O disco trazia obras primas de até 11 minutos, como Fórmula Mágica da Paz e sons que ganharam o imaginário popular da vida dos presidiários como em Diário de um Detento. Um disco com 12 músicas recheado de protestos velados, letras bem escritas como nunca antes se havia feito.
Os Racionais então reinavam absolutos no cenário rap brasileiro após ganhar o Video Music Brasil na categoria Escolha da Audiência com o clipe Diário de um Detento, em 1998.
Grandes discos foram lançados durante o final da década de 90 e o começo dos anos 2000 como "Versos Sangrentos" e "A Marcha Fúnebre Prossegue", do Facção Central, "Só Sangue Bom" do Realidade Cruel e ainda o fantástico "CPI da Favela", de GOG. O cenário rap ganhou ainda maior notoriedade com Sabotage e sua rima precisa e invocada do disco "Rap é Compromisso", de 2001.
Neste começo de século as coisas andavam muito bem, SNJ e Apocalipse 16 lançavam canções tranquilas com uma positividade inigualável. Xis, Doctor MC's e SP Funk faziam um som dançante e descolado, 509-E despontava como grande descoberta com o excelente Provérbios 13 e o rap ia conquistando cada vez mais espaço na música nacional. Não houve outra época com tantos lançamentos bons e referências pululando das quebradas brasileiras.
INFELIZMENTE, HAVIA UM DIA APÓS O OUTRO DIA
Estávamos chegando perto da Copa do Mundo de 2002 quando o Racionais emplacou mais um clásico: álbum Nada como Um dia após o outro dia, menos introspectivo e pesado que o anterior. As músicas apresentavam um lado bem mais gangsta do grupo, com letras sobre respeito, amigos e a famigerada família Vida Loka dos bonés e carros customizados, influência da cultura mexicana, os Vatos Lokos, como no filme Marcados pelo Sangue.
A morte de Sabotage em 2003 também ajudou para um certo enfraquecimento da música rap em geral neste período. A coisa toda ainda funcionava mas com um certo ritmo decadente, shows esparsos em quadras de escolas de samba, Indie Hip hop lutando com todas as forças e trazendo grandes nomes gringos para os palcos do Sesc Santo André, e então alguma coisa aconteceu: A indústria da black music.
Foi nessa época que ouvi os primeiros comentários de alguém dizer que estava ouvindo hip hop. A parte principal do que me veio à cabeça nessa hora foi: "Não se ouve um movimento". E o Bruno Rico do blog Mundo do Rap faz um ótimo comentário sobre isso em seu texto intitulado "Prevejo a divisão no rap nacional":
"Um grande e simples exemplo do que estou querendo dizer é que hoje em dia o rap americano virou apenas hip hop, as pessoas ouvem hip hop, como elas conseguem eu não sei, mas elas juram que ouvem hip hop."
E então os grupos começaram a fazer rap com uma visão diferente, aproveitando o que o Racionais fez de melhor e adaptando modelos gringos. Dessa época são os discos Falcão, O Bagulho é Doido do MV Bill, Exilado Sim, Preso não do Dexter, Deus do Morro, do Detentos do Rap e Tarja Preta, do Gog.
Veja bem, gosto muito dos discos de rap deste período, mas posso dizer que, nesta época comecei a limar tudo o que ouvia de forma mais crítica. Foi a partir daí que a coisa começou a caminhar mal e seguir caminhos errados, infelizmente, mas isso não quer dizer que todas as músicas da época são ruins, muito pelo contrário, apenas o que a black music da Rihanna, Akon e afins trouxe ao rap nacional
RACIONAIS 2010 E A CONSPIRAÇÃO DO FIM DO RAP DE PROTESTO
No Brasil, a black music começou a expandir como gremilins numa piscina tomando conta de todas as rádios e toques de celular junto com o funk e outras aberrações musicais. Quem começou a curtir rap depois do último disco do Racionais teve uma excelente base do que já havia passdo, afinal, era o exemplo maior do rap com conteúdo revolucionário e prático, mas em doses menores e menos bons artistas para seguir.
O fato é que daí pra frente, ninguém mais quis saber do que o 2Pac falava em suas letras, o que a treta dele com o Notorius BIG trouxe de bom - musicalmente falando - para o rap. Dali pra frente se ouvia falar de Akon, Kanye West e suas devidas roupas e garotas. Tornou-se glamour.
E muito do rap nacional, entrou na dança. As maiores contradições da história do rap despontaram de uns anos pra cá. MV Bill no Faustão, Racionais fazendo música para a Nike, clipe do Pixote com o Helião (RZO), gravado em Paris, na frente da Torre Eifel, falando de quebrada e de humildade. A pergunta é: Para onde estamos indo e o que diabos os artistas estão fazendo do rap?
Sou fã confesso de Racionais e não acredito que eles possam fazer algo tão ruim como tanto vêm especulando os veículos de comunicação, blogs e gente envolvida. Acredito que esse burburinho todo tenha sido causado pela canção "Mulher Elétrica", que fala sobre mulheres e realmente possui uma postura bem mais pop que Mulheres Vulgares, por exemplo e provavelmente pela divulgação da revista Rolling Stone com o Mano Brown na capa.
O próximo disco do Racionais vai cair nas graças do público de qualquer forma, seja ele só dançante, só brutal ou só polêmico. O problema é como ele será encarado pelo rap em si e pela galera que curte de verdade. Minha parca opinião tem um resquício de esperança: prevejo um retorno ao marasmo do começo dos anos 90, mas por um outro lado muita vergonha alheia patrocinada por grandes nomes e comerciais chulos. Para terminar, me lembro de um trecho do filme Quase Famosos, em que o garoto aspirante a jornalista mantém um interessante diálogo com seu mentor, uma homenagem clara ao jornalista crítico mais ácido da história, Lester Bangs. Eles conversam sobre o rock, mas a analogia é válida. Talvez um garoto desses pudesse salvar o rumo da música rap. Talvez:
- Então é você que me manda aqueles artigos feitos para o jornal da escola?
- Tenho enviado umas coisas de fanzines também.
- Como é sua popularidade na escola?
- Eles me odeiam.
- Você vai conhecer muitos deles contra você nessa jornada. Sua escrita é muito boa. É uma pena você ter perdido o rock & roll.
- Perdi?
- Sim, acabou.
- Acabou?
- Acabou. Você chegou a tempo do último chacoalhão da morte, do último suspiro!
- Bem, pelo menos eu estou aqui pra isso.
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