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"...senti saudades resolvi te escrever"

por Robson Assis | | 8.1.10 1 Comentário


Hoje eu parei quando vi essa foto. Estava num álbum antigo, parecia guardada a sete chaves. É uma foto com essa amiga, uma amiga que se foi. Éramos próximos. O bastante para eu me ver feliz apenas quando ela chegava, o bastante para passar horas no telefone rindo, qualquer que fosse o assunto.

Você tem, sem dúvida, pessoas chaves em sua vida. Aquelas que não vão desaparecer com o simples esquecimento, aquelas que transcendem o tempo e os percalços da memória. Pessoas como estas é que fazem de nossa vida uma experiência completa.

Tenho um amigo que ficou falando dela o tempo todo, passava meses e ele não deixava de citá-la. Demora pra perceber que, quando as pessoas morrem, elas não nos deixam realmente sozinhos. Elas deixam lembranças, histórias, medo e uma saudade singular. É como se convencionou dizer: elas "moram em nossos corações".

Ontem, ao final de uma música que parecia não ter fim, ela correu na minha direção e pulou nos meus braços. Ficamos assim por alguns segundos que marcariam todos os meus anos seguintes. Parece que foi ontem quando ela sorriu e disse que me amava, parece que foi ontem que eu prometi que nada ia mudar, nunca.

Tudo aconteceu, e nada desse sentimento mudou. Hoje, sou só saudades.

Introspectiva 2009

por Robson Assis | | 31.12.09 COMENTE!

Não consigo classificar 2009 como um ano bom, nem como um ano ruim. Foi um ano muito estranho, isso sim é inegável. Conheci dívidas que nunca pensei ter, frequentei lugares que não esperava e abandonei uns parâmetros de vida que achei que me atrapalhavam, mas que hoje se mostram tão necessários quanto o ar que respiro.

A poesia, a discórdia, a opinião truculenta saltando nas veias. Eu perdi, de certa forma, a ânsia por tudo quando deixei essas coisas de lado. Abandonei meu antigo emprego para outro parecido, mas bem menos entediante, com pessoas mais maduras e que cuidam mais de suas próprias vidas.

Primeiro ano com a namorada. Uma pessoa especial, inteligente demais, - sempre perco discussões com ela, até quando falamos de Racionais - linda e que me faz pensar nessas paradas sobre o futuro. Passamos por momentos difíceis este ano e espero que tenhamos mais sabedoria e coragem no ano que começa amanhã. (É bom / Às vezes se perder / Sem ter porquê / Sem ter razão / É um dom / Saber envaidecer / Por si / Saber mudar de tom).

Enfrentar o que se passa na sua cabeça não é uma das metas mais legais de se colocar numa lista metas para o ano novo, mas é uma decisão um tanto sensata.

Fiquem com os melhores vídeos de 2009, e que 2010 seja um ótimo ano a todos nós.

Black Eyed Peas tocando seu hit I got a feeling na festa de aniversário da Oprah. Realmente incrível, talvez o maior Flash Mob de 2009, senão o maior, pelo menos o mais emocionante.


A música mais tocada na Inglaterra de acordo com a empresa de licenciamento PPL. Chasing Cars é uma excelente música, com o clima que o Snow Patrol se acostumou a fazer.


Rock And Roll, executada pelo Foo Fighters com a participação de Jimmy Page e John Paul Jones, integrantes originais do Led Zeppelin.


You Make My Dreams Come True, da excelente trilha sonora de 500 dias com ela. Uma música que lembra sábados de sol, felicidade e essas coisas que morreram nas comédias românticas


Abertura de Watchmen, com Times are changing, do Bob Dylan. Cenas históricas, com os minutemen do melhor filme baseado em quadrinhos que já vi. Queria postar o vídeo do filme, mas o youtube proibiu a incorporação a blogs. Segue abaixo a canção original e aqui o link do vídeo com a introdução do filme.

Solidões necessárias

por Robson Assis | | 27.12.09 COMENTE!

Preciso dos dias e tardes
Nem que chova
Nem que morra
Prefiro o conforto das falsas liberdades.
Existe algo simples
Mas que poucos podem discernir
Liberdade näo é fazer o que se quer
Está em poder simplesmente existir.

Uns restos de mim

por Robson Assis | | 16.12.09 COMENTE!

É dezembro. Estou com o carro parado na frente de uma lavanderia vendo ternos no cabide. Ternos entre a chuva espessa, milimetricamente despojados e contemporâneos. São pessoas que os usam. Pessoas que eu não conheço e, certamente, tem prioridades menos febris e preocupantes que as minhas. Sou um cidadão do mundo, endividado, encurralado pela máquina. Movido a sorrisos sem graça e horas de diversão fingida. Movido ao tédio que é meu nome, simples e puro, meu único significado. Eu torno a me jogar dentre os ternos, camisas brancas, gente falsa, gente falsa numa só falácia. Eu entendo, nada me leva daqui, nunca. Se eu soubesse que estaria deprimido e sozinho, olhando a vitrine de uma lavanderia hoje, talvez eu tivesse escrito melhor minha vida. Quando era moleque e ingênuo, me perguntava "até quando?" e me sentia numa pequena ilha, um pequeno príncipe beat, que carregava a solidão e a bebedeira na mochila. Hoje minha ilha cresceu, é imensamente maior e eu ainda estou sozinho, aprendendo a entender como foi que meus dezembros se tornaram tão chuvosos e tristes.

Instantes Fora da Realidade (Uma Noite Suja)

por Robson Assis | | 22.9.09 COMENTE!

A ansiedade, a agonia a distração. Nada me faz diferença. Acendo o cigarro e imagino um mundo onde os animais são apenas animais. Isso me faz lembrar aquele livro do Orwell, em que todos são iguais, porém uns mais iguais que os outros. Os homens são animais mais iguais que os outros. Humanos fedem. Viajo em pensamento, não percebo nada em minha frente. Percebo que meus amigos, à minha volta dão risada de algo, talvez da minha cara. Bem provavelmente da minha cara. Devem me imaginar bêbado como sempre, brisando em algo além daquele rolê, daquelas garotas dançando funk carioca perto do carro com o porta-mala aberto, daquelas garrafas vazias e do cheiro insuportável e delicioso de cigarro, maconha e qualquer outra coisa suja no ar. É só mais uma noite suja. Outra sexta-feira em que o pagamento do mês patrocina minha auto-destruição. Outra viagem da minha mente que, infelizmente, tem volta. Só daqui a pouco. Preciso relaxar dentro de mim. Quero estar em contato com alguém. Aqui eu só vejo corpos imersos num vazio sem fim. E eles me olham cada vez mais fundo, talvez seja mesmo hora de voltar.

- E aí, tio, tá brisado, doidão? hahahaha
- Nada, mano, só pensando um pouco na vida.

Cárcere - Herói

por Robson Assis | | 28.7.09 COMENTE!

Isto é apenas um teste para podcast ou publicação de arquivo de áudio. Sim, ainda sou maluco por esses widgets e hacks para blogger. Este foi pego no já finado Johnny Rox, mas caso ele saia do ar em 2010, você também pode ver no Compender, o original.

Herói. Esta música foi gravada em 2008 com meu grande amigo Leandro "From Hell" Andrade, em nosso projeto para uma banda de metal experimental que se chama Cárcere e deu uma estagnada pouco depois que lançamos esta música. A banda ainda existe e não vamos desistir dela, o fato é que a vida, algumas vezes, nos leva em caminhos diferentes, e nem por isso ruins. A letra desta canção - se é que eu posso chamar de canção - trata de uma nova ordem, da sociedade do século XXI, amedrontada e sufocada em seus próprios sistemas.

HERÓI
Cárcere

Caminhando sobre escombros
Vítimas de uma omissão fascista
Canibalizam as suas almas
Opressão deflagrada entre iguais.

Nossas mãos saangram, se enfurecem
Punhos cerrados contra o liberalismo homicida
A favela não pode pagar o preço
Por suas ambições egoístas.

Sepultaram nossos sonhos sobre mentiras e alienação
Semearam em nós a miséria, nos sujeitaram à escravidão
Malditos foram aqueles que rejeitaram a desigualdade
É hora de reagir, trazer à tona nossas verdades.

Um exército se ergue sobre instituições fracassadas
Não haverá mais quem se renda à ordem, às desgraças

Seja sempre seu herói. (4x)









E funcionou!

Saudades da chuva

por Robson Assis | | 20.7.09 1 Comentário

Certos dias, como os de hoje, me sinto preso em um estilo de vida que não é o meu, aquilo que o garoto de 15 anos trata como "refém do sistema". É uma escravidão não-declarada, formas de humilhação gratuitas que arrumaram me pagando alguns salários que preciso para sobreviver. E eu já não sei o que é viver. Nestas horas o descaso que tenho por mim mesmo e a frustração de ter que ouvir meu chefe rosnar por assuntos irrelevantes é maior do que qualquer felicidade que já tenha vivido. É como voltar no passado, lendo José de Alencar enquanto os garotos brincavam de médico e se divertiam nas festas. Eu preferia a chuva e a rede. Lembro de forma clara como a chuva daquele dia. Eu olhava o rio, na casa da minha tia, e segurava a história da índia Iracema sobre o peito. Hoje eu tenho uma dor terrível no estômago, mais cabelos brancos do que o normal para alguém de minha idade e contas a pagar que me transformam num nóia do sistema, alimentando cada vez mais a corda que o enforca. E minha mente grita: "Você não quer voltar aqui, por que ainda o faz?"... Meus olhos marejados não conseguem esquecer aquela chuva, aquela rede e aquele livro.

"Escolha uma vida, escolha um emprego..."

por Robson Assis | | 19.7.09 1 Comentário

A noite de domingo se cala. Entra uma estranha sensação de voltar à 'normalidade'. Destas duas horas da manhã vai demorar pouco para os coletivos se superlotarem, os horários de pico torrarem a paciência de senhoras que dirigem mal e taxistas bigodudos impacientes. À luz alaranjada desta noite escrevo isso olhando a vila lá embaixo, alguém de capuz que atravessa a rua fumando um cigarro. Uns amigos estavam numa quermesse e provavelmente vão acordar de ressaca amanhã. Eu não. Me esforço pra ser alguém melhor pra mim mesmo, começando por me afastar de certas noites perdidas.

Considerações quase indo dormir
Não tem nada na TV. É dia do amigo. São cinco cigarros apagados no cinzeiro e um aceso. Clemente dá uma entrevista para a Funérea na MTV. A MTV passa umas maratonas de programas imbecis e tão engraçados quanto a Turma do Didi. É, isso foi uma piada.

Pra fechar o fim de semana um pouco de Trainspotting, Iggy Pop e alienação:
"Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande, máquina de lavar, carros, CD Player, abridor de lata elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno feito do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Acabar apodrecendo. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro. Escolha uma vida."


#pequenasdesgraças

por Robson Assis | | 8.7.09 COMENTE!

Uma das vésperas de feriado mais exaustivas do ano. Talvez porque eu venha trabalhar amanhã, talvez só porque eu não aguento mais fazer parte de um bando de funcionários-sombra, que não são vistos pela direção e o único plano de carreira que possuem os afasta de qualquer tema que tenham estudado na faculdade. Bom, é só uma véspera de feriado, eu vou para o bar encontrar amigos, ouvir canções melhores e esquecer essa pequena desgraça rotineira.

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Now playing: food 4 life - sem sonhar
via FoxyTunes

Algumas coisas curiosas sobre a empresa em que trabalho

por Robson Assis | | 22.6.09 COMENTE!

  1. Para entrar aqui, passamos por 3 catracas mais uma porta que só é destravada com o crachá da empresa.
  2. Os funcionários da limpeza não possuem esse crachá. Logo, têm de esperar a boa vontade de alguém para acessar essa última porta e ter acesso ao escritório.
  3. Na entrada de veículos, existe aquela cancela comum e um obstáculo que pode ser ativado para furar pneus, caso algum engraçadinho queira fugir.
  4. Não existe NENHUM local para se fazer uma refeição decente em uma distância de pelo menos 800m da empresa.
  5. TODOS os funcionários que trabalham no estoque e precisam sair passam por uma porta detectora de metais, depois tem que ser revistados por seguranças com detectores manuais e por último precisam tirar os tênis, para só então serem liberados.
  6. O RH só funciona de segunda a sexta, das 12h às 15h.
  7. Quando você guarda uma bolsa/mochila no Bolsário, eles te dão uma ficha que deve ser utilizada para retirar os seus pertences. Ao retirar, você DEVE mostrar o que tem dentro da bolsa/mochila.
Sim amigos, isso tem nome: Megalomania.

Onde está a verdade?

por Robson Assis | | 31.5.09 1 Comentário

A gente acha que nasce sabendo de tudo. Mesmo conhecendo aquele ditado que diz o contrário. Não respeitamos nossa simples existência. A verdade absoluta não tem o dever de passar nem por perto da nossa mente. Nascemos, crescemos, nos endividamos, ficamos presos à rotinas canalhas em que os meios pelo qual sofremos, nunca justificam os fins. Mas levamos uma vida cheia de crenças religiosas, econômicas, que pouco questionamos pelo bem estar de nossa sanidade. A verdade é bem mais cruel. Estamos presos, somos limitados à decadência de nossos corpos. Ou alguém nasce para viver pra sempre? Ter um bom emprego, contas pagas e um lugar pra morar nos é suficiente. Quantas pessoas você conhece que vivem além de suas rotinas? Eu, particularmente, poucas. Nas periferias do mundo, isso basta. Gerações e gerações de gente que não exercita a própria confiança em fazer algo que lhe faça crescer por si só. Alienação. Somos uma massa que sofre sem perceber nas mãos de uma elite desgraçada que desconhece o altruísmo. Mas as tiazinhas continuam achando engraçado estarem apertadas dentro do ônibus, a caminho do trabalho. Elas sorriem de suas misérias. Ela nos faz ser assim. Quem? A verdade que, por sinal, nem perto daqui está.

Robazz

por Robson Assis | | 6.5.09 2 Comentários

Mais que um caderno velho, mais do que as canetas com que escrevo versos cegos, mais deprimente que a própria morte, mais imbecil que a sorte, de fulgor boêmio, de fugaz no silêncio, espaços em branco que deixo escapar com o pensamento. De certo é foda, a vida lá fora, a moda, que se exploda, quem se incomoda? Eu não. Então talvez seja minha hora. De sonhar, de fugir, de pensar, de agir, de deixar escapar essa louca vida que vive em mim, e não existem freios que possam impedir, agora é assim.

Bem vindo ao blog.

O pouco de mim que existe

por Robson Assis | | 25.3.09 1 Comentário

Existe um homem dentro de mim que diz para largar meu trabalho, deixar minha garota, partir de mochila para algum lugar desconhecido, conhecer uma pessoa tão incrível alguém que jamais iria me esquecer, beber com velhos senhores contadores de histórias, trabalhar num pasto e dormir num estábulo, enquanto construo um cômodo pra mim na fazenda de meus senhores. Beber de noite com eles, num bar local, com música local e rostos locais.

Existe um homem dentro de mim que diz para eu roubar uma loja de armas e seguir para o Congresso, derrubar aquele símbolo de podridão, chocar a burguesia onde ela menos espera, no seu seio. Pouco me foder se eles são pais de família, viúvos, noivos ou se representam algo para alguém. Não acredito em ninguém de terno e gravata. E isso nunca vai mudar.

Existe um homem dentro de mim que pede esmola, sentado no centro, sorrindo a qualquer gesto afável que me oferecem. Um homem que dali, só se levanta ao meio-dia, come algo no bar da esquina, mesmo com olhares incrédulos e opressores daqueles que não se enxergam, mas de longe parecem tão miseráveis quanto eu.

Existe um homem que pede por liberdade, por uma vida simples e justa, para si e para os seus. Um homem que não compreende como seres humanos podem viver em harmonia com tanto rancor aprisionado em seus peitos. Que não acredita num mundo melhor só porque o representante nacional do Mc Donalds doou 500 mil reais para uma instituição de caridade que eu nunca vou conhecer.

E, por outro lado, existe um homem que sou eu.

Visões alucinantes

por Robson Assis | | 19.3.09 1 Comentário

E não é que indo pro trampo eu tenho umas visões loucas diariamente?

O caminho é Av. Carlos Caldeira, Estrada do Campo Limpo, Rod. Régis Bittencourt (BR-116), Rodoanel Mário Covas, Rod. Castello Branco até o km. 32.

Parece pesado, mas é bem bonito de se ver.










Do que não precisamos

por Robson Assis | | 15.3.09 COMENTE!

A intolerância. Nosso maldito vício. O ser humano não teria transformado o mundo no que ele é hoje se não fosse esse estado de espírito impregnado em tudo o que caminha nesta Terra. Às vezes não consigo saber se é um estado ou uma condição do espírito. A tiazinha gritando com o cobrador de ônibus, o cara que estraçalha o carro do outro só por ter estacionado na frente de sua casa. Podemos pensar nas guerras, ditaduras e rebeliões, mas disso só lembramos por ser algo grande, polêmico. Não damos valor às pequenas desavenças cotidianas que também fazem parte desta máquina.

Parabéns a nós, que transformamos o mundo num ringue.

Brancos contra negros, negros contra negros, amarelos contra ocidentais, um vice-versa infindável. Sempre acreditei que, no fundo, aquelas brigas de bar sempre carregam um peso sociológico e racial. Mas ninguém ouve, ninguém nunca ouve.

Inimigos, todos nós temos. Vai de você querer ou não levar adiante. A mente do ser humano é complicada de entender. Alguns precisam mostrar o quanto dão duro no trabalho, o quanto se esforçam para pagar a escola dos filhos. Outros precisam provar virilidade, homens e mulheres, gente que arruma confusão por uma trombada, por um olhar torto, mesmo ainda sem motivo nenhum.

Pessoas não se dão bem com pessoas. É um fato e temos de encarar. Por isso vivo no meu mundo e não me importo de ficar em casa sozinho às sextas bebendo qualquer coisa forte para esquecer o mundo de fora da janela.


Eu não tenho esperança em relação à isso. Desenhar um mundo sem maldade é tarefa dos meus sonhos.

Começo a acreditar que a história do mundo é uma história de terror.

________________________

puta idéia chata de domingo de noite, mas acabei de ver dois caras brigando na rua e isso me dá um desânimo monstro.

Introspecção Nervosa #001

por Robson Assis | | 28.2.09 COMENTE!

Certas noites, parece que toda a dor profunda do mundo se esconde dentro de nós. E tudo fica escuro de repente. Você sabe do que estou falando. Aquele tipo de conversas que só temos sozinhos. Fazemos planos que não sabemos se vamos concretizar, olhamos o futuro com esperança e medo. Estamos vivos ou estamos vivendo?

Faz um calor infernal em São Paulo.
Vou descer, fumar um cigarro ou dois e esperar que o tempo resolva essa parada.

A/C Deus

por Robson Assis | | 22.2.09 COMENTE!

Mano, hoje é um domingão de carnaval, você tá longe, trancafiado, e provavelmente com a cabeça cheia de pensamentos do lado de fora destes muros. Olhei pela janela, seu cachorro saiu como se estivesse procurando algo ou alguém. Seu fusca não tá na vaga, isso me deixou mal demais essa manhã. Está tudo do mesmo jeito que você deixou, os moleques continuam, a função, o samba, a cerveja do fim de semana, o bar cheio de maluco a milhão, boneco passeando com a mina no shopping, já não sei se é isso o que pedi a Deus pela nossa quebrada.

Seria mais fácil se não houvesse a bandidagem, as drogas e tudo isso que faz a gente se acomodar, que entra na nossa mente e mora lá dentro, de forma que a gente não escolhe. É preciso ser forte, mano, não se iludir com as bandejas de ouro que nos servem. Agora você deve entender algo além do que eu, seu irmão e muita gente daqui. Não sei se vale deixar sua mãe chorando sozinha no sofá, com a TV ligada pra tentar distrair o pesamento e o coração, ela nunca consegue, eu sinto isso daqui.

É daqui pra frente, disse isso pro seu irmão, que tava sem consolo no dia que te levaram. Não sei quanto tempo isso vai durar, esse aperto, a vontade de te ver de volta por aqui, trocando uma idéia com a gente. Não sei como vai ser esse ano, mas pelos dias que se seguiram até então, vejo que não vai ser fácil. Digo por mim, que te vi crescer como todo mundo, quieto, até que a rua te dominou e te fez parte dela.

Fico pensando na juventude daqui. Posso parecer hipócrita, mas a verdade é que não temos opção além do bar e dos rolês de madrugada. Todo mundo acaba se envolvendo em algo errado, uns mais, outros menos, mas da mesma maneira somos jogados no mundão e do jeito que ele vier a gente abraça.

Guerreiros, temos de ser dia após dia. Saiba que te espero aqui, mano, e que todos os dias me lembro de você. Talvez não do jeito que estava agora, mas uns anos atrás, quando era apenas mais um moleque de skate, tentando pular a lombada de ollie, sem saber de nada do que acontecia lá fora, engraçado saber como a inocência nos fazia tão fortes. Mas uma injeção mínima de raiva nos faz parte do sistema, da estatística. A rua nos envenena, nos deixa fazer parte da família do inferno que querem que a gente seja.

É preciso ter confiança dos dias que vêm a seguir e esperar pelo bem. Voltei a rezar esta semana, talvez a dor de saber que você está numa cela, jogado com outro monte de gente, cada qual com sua história, me faz orar com mais fervor do que de costume. Te deixo, ao menos na idéia, aos cuidados do Deus em que acredito, não o deus dos Zé povinho que nos considera filhos bastardos, que aponta o dedo na nossa cara e diz que estamos sempre errados. Peço para aquele Deus que pra mim é a representação da criação e do bem comum e não deixaria nada de ruim acontecer contigo.

Mando vibrações positivas, esperança e fé, de quem realmente acredita que tudo vai melhorar pro teu lado, mano.
Robson

"Este será o dia que eu morrerei"

por Robson Assis | | 3.2.09 COMENTE!

Bem, este é meu último dia de férias. Descobri por acaso durante o jornal da Globo que hoje (03/fev) faz 50 anos da morte de Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. "The Big Bopper" Richardson, durante uma viagem de avião. O acontecimento foi imortalizado na música de Don Mc Lean, American Pie, também gravada anos mais tarde pela Madonna. A letra trata do suposto dia em que a música morreu com a morte dos três grandes nomes. É talvez o mais belo lamento em canção:

"Há muito, muito tempo atrás
Eu ainda consigo me lembrar
Como aquela música me fazia sorrir
E sabia que se eu tivesse minha chance
Eu poderia fazer aquelas pessoas dançarem
E, talvez, elas seriam felizes por um momento
Mas fevereiro me fez tremer
Com cada jornal que eu entreguei
Más notícias na porta
Eu não podia dar mais nenhum passo
Eu não consigo lembrar se eu chorei
Quando eu li sobre a viúva dele
Mas algo me comoveu profundamente
O dia que a música morreu

Então, tchau tchau, Miss American Pie*
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei"

Você escreveu o livro do amor?
E você tem fé em Deus?
Se a Bíblia te dizer que é assim,
Você acredita em Rock n' Roll?
A música pode salvar sua alma mortal?
E você pode me ensinar a dançar bem devagar?
Bem, eu sei que você está apaixonada por ele
Pois eu vi vocês dançando no ginásio
Vocês dois tiraram os sapatos
Cara, eu entendo o "rhythm and blues"
Eu era um adolescente solitário e desajeitado
Com um cravo rosa e uma caminhonete,
Mas eu sabia que estava sem sorte
No dia em que a música morreu

Eu comecei a cantar

tchau tchau, Miss American Pie*
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei"

Agora por 10 anos nós estivemos sozinhos
E musgo cresce numa pedra rolante
Mas não era assim antes
Quando o bobo da corte cantou para o rei e a rainha
Com um casaco que ele pegou emprestado do James Dean
E uma voz que veio de nós
Oh, e enquanto o rei estava olhando para baixo
O bobo da corte roubou sua coroa de espinhos
A corte judicial foi adiada
Nenhum veredicto foi retornado
E enquanto Lenin lia um livro de Marx
O quarteto praticava no parque
E nós cantamos lamentações** no escuro
O dia que a música morreu

Nós estávamos cantando

tchau tchau, Miss American Pie*
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei"

Helter Skelter num verão abafado
Os pássaros voaram com abrigo
Oito milhas de altura e caindo rápido
Pousou na grama
Os jogadores tentaram um passe para frente
Com o bobo da corte no campo
Agora o ar do primeiro tempo foi doce perfume
Enquanto os sargentos tocavam uma marchinha
Todos nós levantamos para dançar
Oh, mas nós nunca tivemos chance
Porque os jogadores tentaram tomar o campo
A banda da marchinha se recusou a desistir
Você se lembra o que foi revelado
No dia que a música morreu?

Nós começamos a cantar

tchau tchau, Miss American Pie*
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei".

Oh, e lá estávamos nós num único lugar
Uma geração "Perdida no Espaço"
Sem tempo para recomeçar
Então, vamos, Jack, seja ágil, Jack, seja rápido
Jack Flash sentou num castiçal
Porque o fogo é o único amigo do diabo
Oh, e enquanto eu o via no palco
Minhas mão estavam cerradas em punhos de raiva
Nenhum anjo nascido no inferno
Poderia quebrar o feitiço do Satanás
E enquanto as chamas subiam pela noite
Para iluminar o ritual de sacrifício
Eu vi o Satanás rir com satisfação
No dia que a música morreu

Eu conheci uma garota que cantava blues
E eu pedi a ela umas boas notícias
Mas ela só deu um sorriso e foi embora
Eu fui à loja sagrada
Onde eu tinha escutado a música anos atrás
Mas o homem lá disse que a música não tocaria
E nas ruas as crianças gritavam
Os amantes choravam e os poetas sonhavam
Mas nenhuma palavra foi dita
Os sinos da igreja estavam todos quebrados
E os três homens que eu mais admirava
O Pai, o Filho e o Espírito Santo
Pegaram o último trem para o litoral
No dia em que a música morreu

E eles estavam cantando

tchau tchau, Miss American Pie*
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei".

Good Music Save Your Soul

por Robson Assis | | 29.1.09 COMENTE!

Tirei as férias neste mês de janeiro para me entreter em assuntos absolutamente triviais e outras besteiras em que metemos o bedelho. E foi sentado em um banco qualquer com uma caixa de cervejas qualquer que passei algumas horas de uma madrugada conversando sobre música com alguns amigos. Quando isso acontece casualmente, como desta vez, nunca chegamos a conclusão definitiva nenhuma, portanto considere a seguir o que lhe for pertinente.

Fizemos um retrospecto musical desde os anos 50, aquele rock and roll inconclusivo misturado com blues e country, passamos por Elvis Presley, Beatles e Bob Marley, chegamos ao punk, falamos até de Gipsy Kings, anos 90, Tupac, NWA, a coisa toda. Mas e depois dos anos 90, o que aconteceu com a música.

Bem, acabei de ver um filme que tenho no coração e por isso me lembrei de toda a conversa que tivemos. O longa se chama Quase Famosos, a história de um garoto convidado pela revista Rolling Stone para fazer uma matéria com o Still Water, banda fictícia da época dos grandes Led Zeppelin, Black Sabbath e Bob Dylan. Bem, é uma boa indicação, portanto, assistam. O fato é que neste filme, Lester Bangs, um dos principais jornalistas de música (e um dos mais antipáticos) que o mundo teve o prazer de conhecer diz no começo do filme algo do tipo "Eles chegaram, eles vão acabar com o rock and roll", se referindo aos grandes produtores à parafernália brutal que tira a alma da música e na mesma medida em que torna tudo algo rentável retira toda a essência que existe na arte.

Depois da metade da década de 90, não me lembro de algo que possa ter marcado o mundo da música e tenha tido tamanha repercussão. Desde então, tudo se reinventou, a noite pelos bares e baladas da cidade se tornaram uma cópia mais fajunta e mais colorida do que era a Disco Music dos anos 70, todos os lugares que você frequenta tocam a mesma grudenta música que está em cinco coletâneas diferentes em revistas nas bancas. Existem festivais de música independente cobrando uma bica de bandas para que toquem antes do NX Zero em determinado evento. Apenas uma festa de rap com grande porte, artistas internacionais e não apelativos, cobrando ingressos justos de um público que paga por certa dose de qualidade.

Houve sim, um rapper chamado Sabotage que fazia algo muito diferente, com rimas que brotavam de seu cérebro e o fizeram marcar história. De outro lado, houve um The Strokes que lançou um single e abriu porta para que um milhão de bandas ruins aparecessem e entupissem a MTV de violões caros e vozes horríveis, com letras fracas, mas que ainda se achavam o máximo por estarem de terninho conversando com a Marina Person sobre como seus pais os mantinham escutando Simon & Garfunkel para que tivessem uma boa formação musical.

Faz um tempo que não tenho a sensação maravilhosa que a boa música proporciona ouvindo rádio, por exemplo. Com exceção de rádios que tocam clássicos, mas isso é outra conversa. Alguém disse certa vez que boa música salva sua alma. E você não encontra mais boa música em meios comuns, como por exemplo o rádio e a TV. Você encontra o trabalho de empresários e produtores esforçados em manter o seu material vendável para um público de massa que engole qualquer Beyoncé, Fresno e Danças do Créu remixadas 264 vezes com a mesma intensidade. E nossa alma então vai definhando com o tempo.

Muita gente tocando música ruim, poucos espaços para música boa que ainda creio existir, apesar da falta de um astro, de um ícone, alguém em que se ouça um disco inteiro sem perder a onda que te transporta para algo além deste mundo. Acho que fechamos o assunto por aí. Digo, acho que a cerveja acabou e no caminho para buscar mais, acabamos mudando de assunto.

É, Bangs, eles não acabaram com o rock & roll, eles o privatizaram. O sonho de virar um rockstar suplantou tudo. A molecada que entrar na estrada, fazer turnê, tocar no Morumbi lotado, conhecer as gatas, ganhar dinheiro e gastar com apartamentos, carros e futilidades. Eles não querem mais saber de música. Quem der mais dinheiro leva a canção mais fácil de se fazer passar pela garganta da indústria do entretenimento. E nossa alma a cada dia fica mais longe da salvação.

Um simples pedido

por Robson Assis | | 10.12.08 1 Comentário

Querido Papai Noel,

Neste natal, quero que o senhor suma e leve junto o Coelhinho da Páscoa e as datas que comemoramos apenas para esquentar o mercado e as gigantes ações promocionais do varejo. Gastamos todo o nosso dinheiro com baboseiras tremendas que não conseguimos pagar de imediato e nos levam a obter dívidas durante todo o ano seguinte. Assim, peço para que o senhor nos deixe apenas comemorar as datas, mas insisto que sejam proibidos comerciais de televisão e em outras mídias. Acredito que assim, o ato de dar um presente vai se tornar mais amigável e sincero.

Peço que suma, pois conheço muitos pais de família que não vão conseguir dar a seus filhos os presentes que aparecem na TV, com parcelas que decolam junto com os juros. Conheço crianças que vão ver na novela meninos ganhando carrinhos, roupas caras e brinquedos eletrônicos e não vão esquecer disso quando crescerem.

Portanto, este é meu pedido: Trabalhe menos, apareça menos em rede nacional, tome um porre e espero não ter que vê-lo no ano que vem. Estamos combinados?