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GLAUCO (1957 - 2010)

por Robson Assis | | 12.3.10 COMENTE!

O grande cartunista Glauco e seu filho Raoni, de 25 anos, morreram nesta madrugada, assassinados em sua própria casa. Você deve se lembrar dele através das tirinhas Geraldão e Casal Neuras. Glauco recebeu e continua recebendo diversas homenagens pela rede.

Última tirinha de Glauco para a Folha de São Paulo, publicada em 12/03
A Folha Online coletou depoimentos de colegas do cartunista como Caco Galhardo, Adão Iturrusgai, Fernando Gonsales e Jean Galvão. Na seção de podcasts do site, Angeli fala sobre a importância de Glauco como amigo e artista, com um discruso humorado na medida do possível, mas com um pano de fundo pesado: "perdi boa parte da minha história", diz.

O Twitter chegou a ter sete Trending Topics sobre o assunto nesta manhã, entre eles "Glauco Villas", "Casal Neuras", "Geraldinho". Ainda pelo twitter, encontrei a bela homenagem de FabioRex, abaixo:


Segue uma lista - incompleta até então - das homenagens ao cartunista:

/ Revista MAD
/ Jean Galvão
/ Ferréz
/ Adão Iturrusgai
/ Dr. Pepper
/ Universo HQ
/ Benett
/ Fully Flexible
/ Edmundo Leite
/ Folha On Line
/ Nani

O melhor amigo de seu pior inimigo

por Robson Assis | | 1.7.09 COMENTE!

Resumo da opereta macabra: Três amigos se juntam com um pedaço de pau e matam um cachorro à pauladas. Sim, violento, imoral e desumano assim. O vídeo, por um incrível plus de sabedoria foi parar na internet, no perfil de Gabriel Terra de Araújo, mas foi retirado do ar provavelmente pela quantidade de comentários ofensivos. O blog Garotas Nerds tem todo o suporte para denunciar os integrantes do vídeo, a quem se interessar. O cara mata um cachorro, exibe o pedaço de pau ensanguentado, enquanto dá risada e acende um cigarro. Impressionante a que escabroso ponto chega a irracionalidade dos seres humanos.

Covarde matando um cão a pauladas.

Mídia e Cigarro

por Robson Assis | | 4.6.09 COMENTE!

Ótimo texto hoje, do Observatório da Imprensa: Relações perigosas. E promíscuas, de Argemiro Ferreira, sobre a indústria do cigarro, seus alicerces e suas estratégias. Segue trecho:

"Provado em definitivo o efeito devastador do cigarro, que leva até à morte, advogados da indústria tiraram outro coelho da cartola. Criaram grupos de defesa da "liberdade individual": nasceu assim a imagem do fumante como suposto "libertário" em luta contra o Estado opressor, que reprime seu direito de fumar (e morrer) – sem se dar conta, claro, de estar servindo aos que faturam com seu vício, nunca à liberdade."
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Now playing: Explosions In The Sky - Inside It All Feels The Same
via FoxyTunes

Virada Cultural 2009 sem shows de Rap

por Robson Assis | | 16.4.09 6 Comentários

Com exceção do DMN no CEU Guarapiranga, evento continua a 'apagar' o Rap da programação

Ano, 2007. Local, Praça da Sé, Virada Cultural. Uma multidão se reúne para assistir aos shows de reggae, maracatu e rap. Andrew Tosh, Nação Zumbi e Racionais, respectivamente. A noite começa, uma festa ótima, todos bebendo e se divertindo, bares lotados, polícia controlando tudo e parecendo esconder algo em seus rostos. Passávamos livres, entre os olhares apreensivos dos policiais e seus canos fumegantes, entre copos de bebida dispensados e rodinhas rindo de maneira incessante. às 3 horas da manhã, Mano Brown e o grupo começam a apresentação. Uma garrafa jogada aqui, um mal entendido ali, começa uma confusão que, desnecessariamente começa a destruir o evento. Então a tropa de Choque se enfileira ao redor da Praça. Correria, garotas chorando. Final de festa.

"Era a brecha que o sistema queria, avisa o IML, chegou o grande dia"

Tiroteio, bombas dentro da estação do metrô, gás de efeito moral em cima de uma multidão sem nada a ver com os tumultos, uma multidão que levam toda a culpa, afinal, alguém tem que levar.

No ano seguinte, a organização da Virada Cultural se volta a mostrar que o Hip-Hop não foi esquecido, mostram uma festa no Parque Dom Pedro que apesar da presença de Afrika Bambaata, uma grande apresentação internacional, teve uma participação apagada em relação ao evento como um todo. Além do contigente policial duplicado ou triplicado para um evento de tão pequeno porte, em um local desligado do grande Centro. Li algo sobre revistas policiais exageradas, abuso de autoridade e os poucos presentes. Lamentável talvez seja um apelido afetivo-carinhoso neste caso.

Neste ano, temos uma apresentação de DJs e break no Largo São Bento que não deve ser deixada de lado, afinal, foi onde tudo começou. Alguns DJs tomam conta da festa que não deve ser ruim, apesar da polícia que provavelmente deve tomar a mesma atitude de 2008. Repressão fajunta, contra um público de música brasileira que anseia por espaço que, este, infelizmente foi perdido.

A velha história: Muita verdade, muita denúncia, sentimentos verdadeiros que são isolados em guetos da cidade. A sociedade não pode ver crescer algo tão revolucionário. Pelo menos é o que eles querem. Vamos passar uma virada cultural vergonhosamente sem shows de rap.

E a máquina segue aniquilando pensamentos e alienando ideais.

* No CEU Guarapiranga, pra não deixar totalmente esquecido, haverá show do DMN, legendário grupo do rap nacional.

-update com a ajuda de Eduardo Ribas, do site Perraps (www.perraps.wordpress.com/)

Mais shows de rap na Virada Cultural 2009:
CEU - AZUL DA COR DO MAR - Rua Olga Fadel Abarca, s/nº - Vila Aricanduva / Cidade Líder
19h00 - Max BO

CEU - FEITIÇO DA VILA - Rua Feitiço da Vila, s/nº - Chacara Sta Maria - Capão Redondo
18h30 - RZO

CEU - SÃO MATHEUS - Rua Curumatim, 201 - Pq. Boa Esperança / Iguatemi
18h30 - Nelson Triunfo

CEU - VILA DO SOL - Avenida dos Funcionários Públicos, 369 - Jd Angela
18h30 - Kamau

Festival Indie Hip-Hop 2008

por Robson Assis | | 15.12.08 1 Comentário

O domingo despertava frio na zona sul de São Paulo, de onde saímos. Mesmo com essa cara de chuva que o fim do ano promete, a tarde parecia clarear conforme chegávamos ao ABC, onde acontecia a sétima edição do maior festival de rap alternativo do Brasil, o Indie Hip-Hop, organizado desde 2002 por Rodrigo Brandão (Mamelo Sound System). Do lado de fora, às 18h20, já com o som rolando, uma multidão ainda se aglomerava nos portões do Sesc Santo André, alguns esperando amigos, outros finalizando seus drinks, ou apenas na tentativa desesperadora de conseguir um dos ingressos tão concorridos para o espetáculo.

Na entrada, uma breve revista com seguranças mais tranquilos do que o convencional braço cruzado, cara fechada e "abre-essa-carteira-aí-preu-ver". Uma moça bonita rasgou o ticket enquanto eu a admirava por dentro de seus olhos. Na descida pelo corredor escuro, lembrei de quantas vezes fui em casas de shows menos respeitosas com o público em locais mais elitizados e com funcionários que não se relacionavam como pessoas, com ações robotizadas e pouco humanas. Claro que lembrei disso tudo em duas frações de segundo.

No final da descida, avistei o palco. O Projeto Manada já destrinchava seu repertório dançante e empolgava os presentes que já lotavam metade do espaço destinado ao público. Apresentando o show do disco Urbanidades, lançado neste ano, o grupo abriu o segundo dia da festa, que no sábado contou com Doncesão & Dr Caligari, Sombra (ex-SNJ) e Subsolo. O PM fez um show bastante seguro e muito próximo do público. Segundo o MC Prizma afirma no myspace do grupo, a apresentação "foi o marco de um processo dificil que foi a concepção do disco".

Muito som rolando nas pick-ups após o primeiro show. Dei um tempo do lado de fora, na praça de alimentação. A fila enorme era recompensada pelo encontro com amigos e conhecidos, algumas palavras, o clima era de total coletividade. Algumas cervejas depois, entra em cena o Kamau. Já conhecia seu disco anterior e confesso não ter gostado muito do que ouvi. De qualquer forma, parei para prestar atenção e pude reconhecer o som do cara como algo muito original. Ele lançava também seu disco Non Ducor Duco, de agosto/2008. Batidas e levadas mais pesadas, com uma rima sublime e um tipo de métrica poética bastante particular. Fora isso o cara agitou muito a platéia que já tomava conta de todo o local.

DJ KL Jay tocou antes do nova-iorquino, muitos clássicos, muito rap nacional de qualidade, algumas emendas ótimas, um trabalho de indiscutível qualidade e que todos dançavam sem parar. Entre um som e outro, algumas homenagens ao DJ Primo, que faleceu este ano vítima de pneumonia. Todos aplaudiam e algo de emocionante acontecia dentro de cada um dos presentes, sempre que citavam o nome do DJ.

A noite já dava o ar da graça, quando sobe ao palco Talib Kweli, o norte-americano convidado especial. Já é praxe do festival chamar algum grupo de destaque internacional (em edições anteriores já passaram por lá Hyerogliphics, Jurassic Five e De La Soul) e desta vez, a escolha foi de uma exatidão milimétrica. O rapper que já fez parcerias com Madlib, Mos Def e Hi Tek, além de ser dito o queridinho de Jay-Z fez um set preciso que agitou a galera do início ao fim, sem delongas, sem corpo mole e com muita vibração positiva.

Ao terminar a noite acredito que todo mundo tenha voltado para casa com a sensação de um direito cumprido. Não podemos pagar para ver um Kanye West endeusado, mas podemos ver shows tão bons ou até melhores com a autenticidade de um evento que ano após ano vem ganhando em qualidade e acrescentando muito à cena de hip-hop independente nacional.

Foto por Pedro Pinhel (http://originalpinheirosstyle.blogspot.com/)

Caio Blat conta como foi morar em Capão Redondo

por Robson Assis | | 20.10.08 COMENTE!

(14/04/2008 - 17h49)

Caio Blat
Em entrevista para o jornal carioca O Dia, o ator Caio Blat (Baixio das Bestas) conta que foi humilhado no período em que morou numa favela do bairro de Capão Redondo, na periferia de São Paulo. Ao tentar ser atendido num restaurante, o garçon disse para ele pedir comida direto no caixa, e sumiu, deixando o ator à espera por 15 minutos. Segundo Blat, "na visão de muita gente, um garoto de periferia não pode ir a um restaurante". E completa: "Foi humilhante".

O ator alugou uma casa no bairro, "onde nasceu o rap", para se preparar para o papel de Macu e, ao mesmo tempo, estar mais perto das filmagens de Bróder, primeiro longa de Jeferson De. Ele diz que foi excitante viver um protagonista branco "sob a perspectiva dos negros".

Aos poucos, os resistentes moradores acabaram aceitando o intruso. Até o politizado Mano Brown, líder dos Racionais, o acolheu. Sua casa virou ponto de encontro para jogar vídeo game e ouvir rap.

A experiência parece ter sido realmente marcante. Ao falar da comunidade, Caio menciona o aumento da expectativa de vida, por causa da união das antigas facções do crime com o PCC (Primeiro Comando da Capital), que trouxe uma aparente paz à região. O crime ainda existe, mas "de forma velada". Segundo ele, a máxima da favela é "bandido bom é aquele que não machuca ninguém".
http://cineclick.uol.com.br/noticias/index.php?id_noticia=19095

Como nunca acredito em nada que leio por aí, vou ficar apenas com as impressões dos que me disseram sobre a passagem do ator pelo bairro.

Humilhado? Ele não viu nada mesmo...

George Jackson e os irmãos Soledad

por Robson Assis | | 29.8.08 2 Comentários

Ontem eu assisti Agosto Negro, é uma história sobre a comunidade negra norte-americana, mais precisamente sobre George Jackson, um negro que roubou 71 dólares de um posto de gasolina e pegou prisão perpétua. Ficou quatro anos em solitária, lendo clássicos revolucionários que o ajudaram a compor sua crítica sobre o país em que vive. Ficou conhecido por ser militante dos Soledad Brothers, grupo de apoio aos Black Panthers.

De dentro dos muros de San Quentin escreveu cartas à sua família com muitos pensamentos e ideais que construiu na prisão. Todas as correspondências acabaram resultando no livro "Irmãos Soledad". Ainda não consegui encontrar nada sobre este livro em português e creio eu que só exista uma versão do livro em nossa língua em Portugal.

Mas o filme é demais, recomendo.

Lançamento - Sérgio Vaz

por Robson Assis | | 20.8.08 COMENTE!

E hoje é dia do lançamento do livro do poeta Sérgio Vaz no Sarau da Cooperifa, no Piraporinha, zona sul de São Paulo (atrás da igreja, é só ir chegando que a multidão já estará na rua). Quem estiver presente vai testemunhar a celebração da alegria e da perseverança de um dos maiores escritores da periferia paulistana.

Um brinde!

SARAU DA COOPERIFA E TRAMAS URBANAS APRESENTAM:

COOPERIFA, ANTROPOFAGIA PERIFÉRICA, livro de Sérgio Vaz
Dia 20 de agosto, às 20h no Sarau da Cooperifa

O Livro conta a história do sarau que reúne centenas de pessoas da periferia de São Paulo em torno da poesia.

Em "Cooperifa, antropogafia periférica", Sérgio Vaz, poeta e criadorda Cooperifa conta um pouco da sua trajetória de vinte anos de poesia e agitação cultural, e sobre o sarau da Cooperifa, movimento cultural que congrega centenas de pessoas em torno da poesia, e que tem se transformado em grande foco de resistência na cultura brasileira.

Do primeiro livro em 1988 à produção da Semana de arte moderna da periferia, está tudo ali, numa pequena viagem nesses vinte anos decorreria do poeta.

O livro é o Sétimo volume da coleção Tramas Urbanas, da Aeroplano Editora.

SARAU DA COOPERIFA
Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana (Zona sul/SP)
Info.: 5891-7403 / 7207-4748
Aeroplano Editora
Categoria: Não-ficção
Número de páginas: 284
Formato: 12x19cm
preço: R$25,00 (na Cooperifa)



O Rap atura a literatura?

por Robson Assis | | 6.8.08 COMENTE!

Sabe uma dessas coisas que por destino acabamos conhecendo? Acabei de pegar emprestado um exemplar do Guia da Periferia, um guia cultural em papel couché, gratuito e tudo mais, bem simples, com poucas páginas. Lá encontrei tudo que é samba de quebrada, tudo que é show de madrugada e conheci a FLAP, uma feira literária que acontece em São Paulo faz três anos.

Hoje, às 20h, acontece um evento sobre literatura e rap, lá na rua da Igreja Nossa Senhora do Carmo, no Capão Redondo. Se nada der errado (trânsito no Rodoanel, carro quebrado, essas coisas) estarei por lá.

A FLAP - alguém sabe o que significa FLAP? - vai até sexta-feira, aproveite.

Debate Zona Franca V: o RAP atura a literatura? (e vice-versa)
Horário: 20h

Mediação: Caco Pontes
- Walter Garcia (professor – PUC)
- Trindade (MC - Brasil)
- Martín Barea Mattos (poeta - Uruguai)
- Ferréz (escritor - Brasil)

Após a mesa haverá Jam-freestyle e performances com os convidados da mesa, além da participação de artistas locais e do MC Gaspar (Z'África - Brasil).

Fábrica de Criatividade
Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 - Capão Redondo (Zona Sul)
Telefone: 5511-0055
Lotação: 100 lugares

Grátis!