Salve o Manos e Minas #salveomanoseminas

por Robson Assis | | 6.8.10 1 Comentário

"Tamo vindo aqui do sul pra falar de hip hop
É nosso jeito se ser, preocupaçao não é ibope
É idéia que somos, é o dia após o outro
É morrer e renascer de novo"

--Da Guedes, Minha Cultura

Até onde sabemos, a TV Cultura vai cancelar a exibição do programa Manos e Minas, último suspiro da cultura de rua na programação da TV aberta, agora prestes a ter um fim como o Yo! MTV Raps, dos anos 90.

Desde ontem, no Twitter, acontece uma enxurrada de protestos através da tag #salveomanoseminas, com o intuito de transmitir o descontentamento da cultura hip-hop com a decisão já tomada pelo presidente da Fundação Padre José de Anchieta, João Sayad. A tag entrou no Trending Topics de quinta-feira, entre os assuntos mais comentados na rede social.

A legião de seguidores do hip-hop não é ingênua e sabe das consequências que um protesto como este podem ter. Não é preciso acreditar que esta grande quantidade de tweets vão ganhar forma e serão ouvidos, uma vez que as decisões burocráticas e de mercado envolvidas tiveram peso que não podemos medir. Além do Manos e Minas, outros excelentes redutos de informação cultural como os programas Vitrine e até mesmo o recente Login serão extintos da grade.

Deste modo, o debate e a posição dos usuários quanto ao fim da exibição do programa - ainda que com a possibilidade de ser apenas um tiro seco no escuro - denota uma cultura com mais foco, que sabe por quais caminhos utilizar suas forças e propagar sua mensagem. Isso se torna mais visível nos momentos de adversidade que acompanham toda a história do movimento.

"Quero idéia e flow, saca?
Direto eu vejo Hip-Hop na maca,
Com gente igual eu dizendo: 'Pelo amor de Deus, doutor'
E vários lá sugando como se a cultura devesse um favor"
--Emicida, Hey Rap

O escritor e agitador cultural Alessandro Buzo, que apresentava o quadro Buzão - Circular Periférico resume em seu blog a responsabilidade do programa para a cultura "encarava o Manos e Minas como um trabalho e uma missão (mostrar a periferia que o Datena não mostra)".

Os meios de contato com a TV Cultura estão abertos e devem ser utilizados pelo público que quer a continuidade do programa. É possível protestar através do Fale Conosco no site, ou mesmo através de replies para o perfil @tvcultura no Twitter. Ou ainda através da tag #salveomanoseminas que continua com força nesta sexta-feira.

Os livros de julho

por Robson Assis | | 4.8.10 4 Comentários

J.R.R. Tolkien, Senhor dos Anéis vol. 1, A Sociedade do Anel - Provavelmente todos conhecem a história de Frodo, Gandalf, Aragorn e Bilbo, o bolseiro. Menos eu, que assisti os dois primeiros filmes sem dar a devida importância. Embora o tamanho da saga (3 livros de 300, 400 páginas e outros dois livros adicionais O Hobbit e Silmarillion) assuste os primeiros olhares, se mostram tranquilos e envolventes na medida do possível. Este primeiro livro parece preparar o terreno para os outros todos, descrevendo histórias, contos e cantos da Terra-Média até que você esteja completamente submerso ao mundo criado por Tolkien. Não menos sensacionais são os processos de identificação com os personagens, de maneira que você pode ser surpreender ao perceber que está falando daquele pilantra do Boromir, como um antigo amigo seu que perdeu a confiança. Além, de tudo, a natureza a descrição dos lugares e dos povos garante a perfeita sensação de já ter conhecido aqueles lugares e pessoas.

Caco Barcellos, Rota 66 - Uma crítica densa aos policiais da ROTA, de São Paulo, do pós ditadura ao começo anos 90, quando a obra foi lançada. O ponto de partida é o caso que dá nome ao livro, o assassinato de três jovens de classe alta, num bairro nobre da capital. Em cada caso, o autor utiliza os argumentos de uma perícia que nunca existiu neste tipo de crime, envolvendo os vigilantes das ruas. Aponta ainda diversas falhas do sistema jurídico, em que muitas vezes as provas e depoimentos são omitidos e/ou esquecidos quando se trata de acusar policiais. Who watch the Watchmen?, sabe? Sem esquecer o papel amendrontado de hospitais públicos forçados a receber corpos de vítimas já mortas como se estivessem em estado grave, uma prática comum aos assassinos da ROTA, como se pode verificar através do banco de dados criado pelo jornalista. O que poderia ser um livro de ficção quase fantasmagórico e apelativo, é uma realidade crua e que faz parte do cotidiano dos bairros pobres da periferia de grandes cidades. A cada caso, uma família despedaçada pelo acaso de atravessar o caminho de uma Veraneio cinza.

Charles Baudelaire, Escritos sobre arte - Quatro ensaios sobre arte do poeta e escritor de Flores do Mal - que mais tarde descobri ser também um ensaísta e crítico influente. Formato pocket book, mostra-se uma leitura (a) hábil quando dos detalhados conceitos como no ensaio sobre o riso, (b) densa quando trata de arte filosófica e (c) amável quando fala sobre a vida e obra de Montaigne. Um livrinho quase imperceptível para uma estante, um livro gigante para coroar a mente com conceitos artísticos e formas de expressão crítica.

Racionais pra tudo

por Robson Assis | | 20.7.10 1 Comentário


Visita obrigatória para fãs e ouvintes de Racionais MC's é o Tumblr Racionais pra tudo. O conceito é utilizar frases do grupo de rap relacionadas à imagens inusitadas porque "Pra tudo nessa vida (loka) existe uma rima dos Racionais, sugere a descrição do blog. Irreverente e descompromissado, dá pra perder umas boas horas navegando pelo histórico.

O primeiro livro que li na vida

por Robson Assis | | 8.7.10 4 Comentários

Ontem, no Jornalirismo, encontrei uma bela crítica sobre o primeiro livro que li na vida: O gênio do crime, de João Carlos Marinho. Hoje, lendo meus feeds pela manhã, encontro no blog do Alessandro Martins uma corrente de blogueiros, para falar sobre seu primeiro livro. A corrente foi iniciada no blog da Flávia Durante e segue por aqui.

O gênio do crime é uma história simplista e ficcional, sobre o mercado negro de figurinhas da Copa do Mundo. Os personagens principais são garotos que se transformam em detetives colhendo pistas e procurando pistas, caminhos inversos.

Não foi Flaubert, Jorge Amado ou os Contos de Machado de Assis. Acho que só me apaixonei pela leitura por ter começado a ler como uma criança, para mais tarde me encantar com novas fábulas, outras idéias.

Pra gostar de literatura, pra se apegar aos livros, o que você lê precisa estar em conformidade com seu estado de espírito. Ler todos os clássicos da literatura até a quinta série tem mais poder para criar alunos desinteressados do que para ensiná-los a gostar mais de um livro do que de um programa de televisão.

Meus livros posteriores foram de uma coleção de contos infantis ilustrados de Hans Christian Andersen. Aos 11 anos, queria ler mais, sempre que ia ao mercado com meus pais ficava vendo os livros, na esperança que me comprassem um exemplar do Paulo Coelho (As capas eram demais naquela idade). E, bem, só estou contando isso porque nunca ganhei nenhum livro do mago. Talvez - deixando de lado minha opinião sobre os livros do autor - tenha sido melhor assim. Não me imagino pré-adolescente lendo histórias de ocultismo.

A edição de O Gênio do Crime era emprestada da biblioteca da escola. Lembro de ter ido na Bienal do livro de SP quando pequeno, poucos anos depois. Perguntei - melhor, pedi pra minha mãe perguntar - sobre o livro e, na época, estava esgotado.

Só pude encontrá-lo novamente anos atrás, de passagem, num sebo/banca de jornal, no Taboão da Serra, SP. Estremeci quando peguei a edição tão antiga quanto a que eu tinha lido pela primeira vez. Cena de filme. Mesmo.

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Seguindo a corrente, convido vocês Leonardo Pollisson, Sandra Camargo, Jessica Balbino, Bruno Rico, Sérgio Vaz e Juliana Cunha que escrevam também um post sobre o primeiro livro de suas vidas.

E vocês, amigos, sintam-se à vontade também para escrever sobre seus primeiros livros! Deixem o link aqui no box de comentários. =)

Os livros de junho

por Robson Assis | | 7.7.10 1 Comentário

Sandman ed. definitiva vol. 1, Neil Gaiman - Sandman é uma obra de 75 volumes. Neste primeiro livro da edição definitiva, são os primeiros 14 deles. A história do rei dos sonhos. Você termina com vontade de engolir todos os outros. Sandman passeia pelos sonhos, pelo inconsciente, criando medo ou felicidade no mundo dos sonhos de cada ser humano. Não me lembro exatamente o nome, mas tem um capítulo sobre gatos sensacional. A história dos colecionadores de órgãos também é invejável. Embora a mais espetacular de todas seja a do homem que queria ser imortal, seguida daquela sobre a obra Uma noite de Verão de Shakespeare, que, no universo DC, teria sido escrita por Sandman. Tudo num climão sombrio, afinal, Sandman é um personagem gente fina, mas sempre com esse ar misterioso de imortal. Nunca encontrei um quadrinho tão completo em toda minha vida.

Cartas a um jornalista, Voltaire - O livro é dividido em duas partes. Na primeira, elementos do jornalismo da forma que são estudados na faculdade, na outra escritos do autor para jornais de sua época. Interessante como algumas regras ou valores não precisam ser datados. É um livro sobre crítica, como escrever bem uma crítica sobre arte de forma subjetiva e coerente, sem perder foco na narrativa para que seus leitores ainda o aturem. Um livro excelente, que deviam ter me indicado antes. Termina com uma crítica positiva às obras de Delacroix pouco após sua morte. Livro da coleção Voltaire Vive, da editora Martins Fontes. Faltam três.

Cândido, Voltaire - A saga filosófica no melhor dos mundos possíveis. A história envolve ingenuidade e o-mundo-lá-fora, contradições, otimismo exagerado e fuga da frustração. Traz também uma moral sobre causa e efeito de causar arrepios, além da frase chavão do autor "Tudo isso está bem dito... mas devemos cultivar nosso jardim". Um clássico leve, uma saga muito bem feita. Na introdução dizia que foi um dos primeiros contos que tratavam temas filosóficos de maneira aberta e pouco demagoga. Livro da coleção Voltaire Vive, da editora Martins Fontes. Faltam dois.

A Origem da Desigualdade do Homem, Rousseau - O filósofo que disse que o homem nasce bom e a sociedade que o corrompe, falando sobre a natureza, sobre as nuances e falta de entendimento entre o homem selvagem e civilizado, sobre como chegamos a desigualdade no século XVIII e como tudo poderia piorar. Um clássico intocável ou como diz aquele site uma crítica feroz e contundente contra a sociedade moderna e um grito de alerta sobre a exploração do homem pelo homem. O livro é de uma coleção da editora Escala que era vendida anos atrás em bancas de revista por R$ 4,90 cada exemplar. Se alguém souber de alguém que sabe de alguém que tenha, por favor avise no box de comentários.

Persépolis, Marjane Satrapi - Uma auto biografia em forma de graphic novel. O crescimento de uma garotinha numa família progressista do Irã em meio à revolução islâmica. Questões como o uso do véu, a opressão policial e a determinação por um estilo de vida ditado pela revolução são tratadas com maestria pela autora. Enquanto cresce, Marjane vai entendendo o que se passa. Fala de Deus, do Xá, de Marx e Bakunin. Livro leve, fácil de compreender e entrar no clima da história. Difícil de largar desde o começo. A edição da Companhia das Letras apresenta os três volumes compilados.

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Escrito às pressas, me perdoem, amigos. O lado corporativo da minha vida anda cada vez mais tenso, pra deixar às claras. 24 x 7, tá ligado. Mas vamo aí, como diz a música: "tá com medo de que? Nunca foi fácil, então junta seus pedaços e desce pra arena".