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Haikai da falta de simpatia e fraternidade

por Robson Assis | | 24.3.09 COMENTE!

Se for pra salvar alguém
Que seja a mim
E a mais ninguém.
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Conheça a Caixa de Hai Kai de Carlos Seabra e os também simpáticos Hai Kai do Caio, do Sindicato dos Escritores Baratos, poeta, contista e um dos poucos leitores deste blog.

Sonetos Trágicos #003

por Robson Assis | | 4.2.09 COMENTE!

A televisão encanta, enloquece
Se faz presente na mesa de jantar
Mesmo que seja assassinato no bar
Pode ser até o programa da Hebe

Eles mentem, mas estão maquiados
Injutiça, caos, pânico deflagrado
Assiste o Datena de trás do balcão
E pede outra pinga com limão fiado

Dominação da mente, alienação
Fofocas, banalidades, Big Brother
Eles não te dão opção

A polícia protege
Políticos querem melhorias
E a Luciana Gimenez não é uma vadia.

Sonetos Trágicos #002

por Robson Assis | | 28.11.08 1 Comentário

Não me faça outras perguntas
Não me venha com desculpas
Meu desafeto é tatuagem borrada
Tua honra, tua glória, teu nada

O afago do desprezo nesta noite gelada
Acalenta vil a doce lágrima
Que corre meus lençóis e mata
Que explode sobre a dor e a desgraça

O mundo é uma coleção de primeiras tentativas
Aquele que sabe lidar, pode entender
Errar às vezes pode ser uma grande saída

O social criou sua horda de homicidas
Marchando sós pelas quebradas cinzas
Armas em punho, uma nobre guerra contra a vida.

Sonetos Trágicos #001

por Robson Assis | | 26.11.08 COMENTE!

Só mais um pouco de tensão
Para amenizar a dor e a emoção
Que os dias frios levam de nós
E nos oferecem tanto em vão

Jazigos de sentimento oculto
À porta, nossos obscuros vultos
Que tremem e marcham quais zumbis
Hão de comentar teus absurdos

Muros cobrem cinismo e liberdade
Para cada homem rico um pobre pede piedade
Folhas de Napalm explodem pelas árvores da cidade

Como o céu cinza de ontem à tarde
E os cigarros secos no maço deste covarde
Nossas feridas sangram mais que nossas verdades.

IMPÉRIO DO MAL - Sig Sauer

por Robson Assis | | 6.11.08 COMENTE!

Eles te compraram não adianta mudar
Eles tem sua vida nas mãos
Garantem seu futuro e um lugar pra morar
Eles criam a ilusão

GRANDES CORPORAÇÕES GERAM CINISMO MORAL!
GRANDES CORPORAÇÕES GERAM CINISMO MORAL!

Funcionário do mês, um idiota outra vez
Com sua foto no mural
Dos meus melhores amigos, seus idealismos
Se vendem todos no final.

GRANDES CORPORAÇÕES GERAM CINISMO MORAL!
GRANDES CORPORAÇÕES GERAM CINISMO MORAL!

GRANDES CORPORAÇÕES, IMPÉRIO DO MAL.

Haikai Music I

por Robson Assis | | 14.10.08 COMENTE!

Às vezes é preciso estar só
Para lembrar de que estamos
Largados no universo
Livres como o verso
E o mundo todo temos na palma da mão.

Às vezes é preciso esquecer a impunidade
Para deixar as crianças brincarem até tarde
E fingir simplismo em meio ao caos
Desenhar harmonia e linhas de piano
Em versões punk de Strauss.

O pequeno miserável príncipe

por Robson Assis | | 25.8.08 COMENTE!

Tenho o mundo na palma das mãos
Mas não existem palmas
É tudo tanto desespero
Tanta militância, tanto erro
Que no fim só me lembro das lágrimas

Deste planeta sujo e evenenado
De pé olho no céu um fardo
A nos carregar e ser por nós carregado
A relutar e insistir na sobrevivência
Todo nosso sublime e insano pecado.

Cada momento passa solene
Deprimente é levar a garganta doente
Por dizer frases malditas
Blasfemar o mundo todo numa frase
Quero deixar tudo isso, mas ainda não é tão tarde

E quando o sol se desfizer em mistério?
Nossa solidão será tanta neste universo
Outro em meio às multidões
Zumbis de nossas próprias convicções
Caminharemos junto neste verso.

Tudo o que aprendemos ser não é nada
Nosso ensaio sobre a vida é uma grande piada
E sua métrica enfadonha me despreza
Até que morto, eu salte pela relva
A descobrir novos deuses e ciladas.

Ao desespero da vida

por Robson Assis | | 1.8.08 COMENTE!

Durmo à sombra de minhas crenças
Sonho como molduras vazias
As quais não tenho sabedoria
Solidão, a minha doença.

Um trago de mal grado no cigarro
Para fingir ter algo em comum com a morte
E, quem sabe, se tiver sorte
Me tirem mais esse fardo.

Sou escravo de meus próprios ideais
Quem sabe um dia a vida valha
Desconhecer essa verdade canalha

A culpa que existe em estar vivo
É ser refém num calabouço de renegados
Da verdade absoluta com a qual fomos criados.

De pé, eles aplaudem

por Robson Assis | | 18.7.08 1 Comentário

Não tem quem faça enxergar
De longe o lugar em que fiz meu lar
Não tem lixeiras gigantes
Nem colchões flutuantes sobre a piscina
Quem dera minha sina
Fosse ter de não ver
A dor da mãe quando o dia amanhecer
Seu filho baleado dentro do carro
Correndo atrás de um futuro ainda blindado
O PM que matou se levanta pra tomar café
A mãe chora e no terço coloca a fé
A rotina de sangue que o poeta cantou
Continua tirando meninos do gol
E colocando na linha
De frente pra morte
O sistema não quer todo mundo morto
Preferem ter alguém no sufoco
Para lamentar a falta de comida
E pedir no programa pra que o Gugu reconstrua sua vida
Aí sim eles vão sorrir
Sentados na sala de estar
E aplaudir no conforto do lar
o menino morto na frente do bar.