Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

Música Boa, Poltronas Vazias

por Robson Assis | | 7.12.09 1 Comentário

Na semana passada tive a oportunidade de ver dois grandes shows internacionais com público pagante incrivelmente abaixo do esperado (do meu ponto de vista, é claro). Ficam aí minhas considerações sobre as apresentações, uma delas mundialmente consagrada, outra conhecida por um público mais restrito. São contrastes de estilos e gostos, mas deu pra separar algumas conclusões sobre o fato de que show é show em qualquer lugar, seja os Beatles no Carneggie Hall ou o Cólera no Tendal da Lapa.

THE BEACH BOYS @ Credicard Hall, 02/12/2009
Na quarta-feira (02) aconteceu em SP o show de comemoração aos 40 anos do disco Pet Sounds, segundo melhor disco de todos os tempos de acordo com a lista da Rolling Stone gringa, perdendo apenas para Sgt Pepper's Lonely Heart, dos Beatles, mas isso dá um outro post com toda a discussão.

Galera na frente do Credicard Hall, sem aglomeração, pouca fila, seguranças gentis (talvez pelo fraco movimento). Entramos e pegamos os lugares marcados. Com casa vazia, a organização do evento liberou as poltronas no piso térreo. Pista lotada, ainda ficaram lugares vagos e muita gente lá em cima! Tudo pronto, banda no palco, para uma das melhores apresentações que vi na vida.

Iniciaram o show com um medley de Catch a Wave, Hawaii, Do It Again, Surf City e Surfin Safari e tocaram um repertório escolhido a dedo, com a competência que só uma banda histórica que emplacou hits durante décadas pode ter.

A apresentação seguiu e casais começaram a dançar o surf music ao lado do palco, num clima bem anos 60 para o auge da apresentação, quando o set list começou a mesclar canções do Pet Sounds como Wouldn't it be nice, God Only Knows e Sloop John B, que emocionaram muita gente, acompanhados ainda da fantástica Good Vibrations, com um espetáculo de luzes não menos instigante.

Foi um show tão espetacular como eu esperava e mais mágico do que eu poderia imaginar.

SAMIAM @ Hangar 110, ontem 06/12/2009
O Hangar 110 sempre teve uma história que se confundiu com a história do hardcore nacional. Afinal, foi lá que apareceram muitas bandas boas e promissoras, que hoje, inclusive, garantem seu espaço no maistream e outras que optaram a vida livre e desprendida da música independente.

Era um domingo, de tarde, a rua Rodolfo Miranda cheia, mas não lotada. O ingresso de R$ 60 era muito pra ver uma banda da california que já havia visitado o Brasil antes? Pode ser um motivo. Parei na frente, vi alguns rostos conhecidos e entrei lá pelas 19h. Pouco depois, entra no palco o First Driven, banda legal, que me lembrou Foo Fighters, Hot Water Music e até Samiam mesmo.

Na sequência, ZANDER. E escrevo em caixa alta pois era uma banda da qual eu não esperava tanto e que me surpreendeu como poucas bandas até hoje. Riffs pesados, guitarras numa harmonia brutal e o vocal do Noção de Nada, que dispensa adjetivações. Depois de um tempo indo em shows e frequentando a cena, você entende quando os integrantes de uma banda estão tocando aquilo que gostam e acreditam apenas por vê-los tocar.

Pra finalizar a noite, SAMIAM. Banda da California, tocando o hardcore classe que nasceu e se consagrou por lá. Faz lembrar garotos andando de skate naquele sol, a praia ao fundo e a sensação de poder esquecer o mundo que nada mais importa. Era exatamente esse o clima do show.

Uma boa parte do set list não tinha como errar. Sucessos do Astray, o melhor disco, seriam cantados em coro. Assim se passou com Mexico, Dull e até a lenta Mud Hill. O hit Sunshine foi também alucinante como eu esperava e seria a melhor do show, não fosse um dos stage divers subir no palco e tentar cantar o refrão todo desafinado, roubando o backing vocal do baixista.

Samiam finalizou o show mostrando porque se tornou uma banda referência para o hardcore melódico mundial, com riffs de guitarra marcantes e uma musicalidade muito mais que verdadeira.

Quando alguém diz o que realmente pensa

por Robson Assis | | 24.11.09 COMENTE!

O rap brasileiro sempre foi contestador. Nunca esteve presente na grande mídia, nunca tocou numa rádio mainstream, mas como sempre acontece, os anos se passam. O Racionais MC's atingiu finalmente fatias de público e méritos antes inimagináveis. Fizeram música com a Nike, seu disco novo é tão ou mais aguardado que o de Roberto Carlos.

Mas os Racionais não são os únicos. MV Bill não fez por menos e estreou o documentário Falcão Meninos do Tráfico, no Fantástico, está envolvido com política, é o último agraciado com a estatueta do VMB na categoria Rap e se tornou pop, apesar de suas letras ainda tratarem temas sociais pesados, como o crime, a mídia e o entretenimento barato proporcionado pela TV. Hoje ele está em grandes programas de TV, jogando feixes de luz na programação dominical. Mas não é sempre que isso dá certo. Repare o que acontece a partir dos 5'34" de vídeo:



Faustão tenta alegar que MV Bill está improvisando e tentar cortar dizendo "ae!" - imagino a placa 'aplausos/euforia' subindo para a platéia - mas quando percebe que chegou o refrão final, ele sai de cena noavmente e deixa rolar.

São as provas de que a televisão está se destruindo de dentro pra fora e que não sabe mais onde está colocando os pés. Não é fácil ouvir umas verdades, diz aí, Faustão?! Próximo convidado: Garotos Podres, no programa da Xuxa, cantando Papai Noel Filho da Puta! #ficaadica

*Não sei de quando é o vídeo, mas vi hoje no Noticiário Periférico.

O patético resumo da semana

por Robson Assis | | 13.11.09 COMENTE!

Semana turbulenta. Só ouvi falar merda. Uma mina vai com um vestido curto e nego faz a revolução na faculdade, no twitter e nas revistas masculinas. O pior de tudo é o debate moral envolvendo o nome da faculdade (se é que isso um dia existiu, tratando-se de instituições particulares), o caráter da garota e a qualidade do ensino no país. Teve um que ficou revoltado com o New York Times dizendo que as brasileiras gostam de usar pouca roupa. Mas bater na porta da Rede TV reclamando das minas de biquini do Pânico ele não vai. Uma canalhice atrás da outra.

E o apagão? Passava das 10 da noite, eu voltava do trabalho, na marginal pinheiros quando vi a cidade inteira escurecer (achei que nunca teria a oportunidade de contar minha história). Ficou claro que o rádio a pilha ainda é útil demais, uma vez que nem os celulares funcionavam direito. Fiquei à luz de velas, ouvindo a Jovem Pan e me servindo de comida descongelada.

Depois a Record. Ahhh, a Record. Em um link ao vivo, aconteceu talvez a maior patacoada da novela Globo x Record. A repórter tentou invadir o espaço e horário cedidos à Globo, na tentativa de falar com o ministro de minas e energia. Os horários estavam acertados, o erro da produção em colocar o link naquele momento e a insistência do apresentador para que a repórter tentasse novamente a entrevista ficaram claros e constrangedores no vídeo. Em processo de decomposição, Roberto Marinho ria um riso maléfico, dentro de seu caixão.

Se seguiu uma série de terror absurda, que culminou na sexta-feira 13 e a batida piada, bem lembrada pelo mal humorado perfil @bomdiaporque: "cuidado, hein?"

Como a web 2.0 mudou a forma de comprar celulares

por Robson Assis | | 12.11.09 COMENTE!

O primeiro celular que vi na minha frente foi um Qualcomm gigante, da minha mãe. Lembro que na época ela pagou quase o preço de uma geladeira e era uma das poucas de suas amigas que tinha o tal aparelho. Não me interessei pois achava um negócio pra velhos e tinha idade suficientemente pouca pra pensar: Quem gostaria de me ligar enquanto eu estivesse na rua?

Hoje, os tempos mudaram e, 15 anos depois, crescemos, eu e a telefonia móvel. Tive a oportunidade de ver passar uma década inteira (anos 90) em que as pessoas se sentiam realmente poderosas e influentes com um celular, mesmo que ele só fizesse receber ligações e enviar mensagens. Nos anos 2000, isso tornou-se obsoleto. Ficou chato quando a classe média começou a tocar seus MP3 em viva-voz dentro do ônibus. E todas as pessoas ainda compravam celulares por conta da beleza e do glamour.

Em tempos de internet participativa, 2.0 e fodona, o conceito de cloud computing, também chamada computação na nuvem, criou a idéia de que você está na internet, mesmo se o seu computador não estiver. E com os smartphones e a internet wi-fi, você tem acesso de qualquer lugar do mundo ao que quiser fazer.

Certa vez, por telefone, avisei via twitter quando meu carro quebrou no meio da marginal pinheiros e tive que me atrasar pro trabalho. A mais nova leitora deste blog, @cintiabesitos, me disse ter pago várias contas via celular, numa semana em que estava em casa, doente. Não é de fato o status de ter um celular charmoso e que te rotule como tal, mas ter um celular com algumas funcionaliadades como GPS e internet, que facilitam o dia-a-dia.

Acabei comprando um Blackberry Curve 8900, um preço acessível pela VIVO, com um plano e pacote de dados invejável que coube em meu bolso. tem funções que nenhum outro celular meu teve, como email, leitor de pdf, GPS e internet 3G. Estou conectado 24 horas por dia, sempre que eu precisar. Parece um simples post publicitário, mas não é. O celular é realmente o que eu precisava e não achava em loja nenhuma e acabei encontrando na VIVO. Ainda vem com um joguinho de poker 'irado'! Cobrinha feelings.



A pergunta, 15 anos depois do Qualcomm da minha mãe, se tornou: como vou comprar um celular em que as pessoas não vão me achar na rua?

Faurisson e a negação ao Holocausto

por Robson Assis | | 23.10.09 COMENTE!

E se, um dia, alguém começasse a desmentir a história da humanidade? Seria levado em cosideração, jogado numa prisão ou exilado de seu próprio país? Sim, dependendo do fato histórico pode ser até pior. Imagine estudiosos que provam a inexistência de Jesus Cristo, ou alguém que diga que os judeus estão extrapolando ao contar as histórias do nazismo. Mentes alienadas preferem não se abrir a idéias novas e diferentes de tudo o que ouviram a vida toda.

Robert Faurisson é um senhor de 80 anos, professor de literatura, empenhado em manter uma teoria: Não existiram câmaras de gás nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, naquele período da história houve a propaganda nazista como todos conhecem, sobre a supremacia da raça ariana e, de outro lado, houve também uma propaganda judia que dizia o contrário. Toda propaganda tem um ponto focal. A de Hitler era a supremcia e a dos judeus a barbárie que estavam sofrendo.

Ele não nega que houve homicídios uma vez que a guerra é obviamente sustentada a partir de chacinas e extermínio, mas ele discorda da idéia de um galpão que exalasse Zyklon B e matasse pessoas aos montes. É adepto ao revisionismo, que é o estudo de reconstrução da história sem se basear no que contam as pessoas que viveram naquela época.

Segue trechos extraídos de uma gravação em que ele fala sobre sua teoria, sobre os revisionistas e como é difícil tentar intervir numa verdade absoluta, segundo ele, implantada.

Agora, vamos para os verdadeiros tópicos. O que é o revisionismo? E o que é que nós, revisionistas, dizemos? O que é que nós afirmamos? O que é que contestamos? O revisionismo é o trabalho de pessoas que acreditam que temos que rever o que é geralmente aceite sobre a Segunda Guerra Mundial. Realmente, esta palavra “revisionismo” já existia nos anos 20. Vinha de pessoas que diziam: "Agora que a guerra acabou entre a Alemanha, a França, a Inglaterra e por aí adiante, temos que nos livrar da propaganda. Propaganda significa mentiras e ódio. E nós temos que tentar estabelecer os factos." E foi por isso que esses historiadores, já chamados na altura de revisionistas, descobriram, por exemplo, que foi totalmente falso que os soldados Alemães cortavam as mãos aos bebés Belgas. Foi uma mentira. E existiram muitas, muitas mentiras desse género que podemos encontrar na Segunda Guerra Mundial. O mesmo tipo de mentiras. Por isso temos que rever. Mesmo quando, às vezes, nem sempre claro, pensamos que existem muitas, muitas testemunhas de algo, temos que confirmar os factos. Não é suficiente dizer ou acreditar que há muitas testemunhas. Temos que encontrar a realidade dos factos.


E esta é a parte mais importante, julgo eu, daquilo que tenho a dizer-vos. É sobre como uma câmara de gás, se tivesse existido, se teria parecido. Muitas pessoas comentem um erro. Elas misturam execuções com gás com deliberados, suicidas gaseamentos ou com os acidentais. Há muitos acidentes com gás. Se quisermos executar alguém com gás é extremamente difícil. Porque queremos matar aquela pessoa e não queremos morrer. Não queremos correr qualquer risco: risco de explosão, risco de o gás escapar da sala e ir para onde estamos, matar-nos ou ficarmos doentes. Então temos uma coisa simples a fazer. Apenas temos que ver o que é e o que foi nos anos 20 ou nos anos 30 uma câmara de gás Americana, numa prisão dos EUA, para executar um prisioneiro com ácido cianídrico. E o Zyklon B é ácido cianídrico. Por isso, por favor, vão aos EUA como eu fiz para visitar uma câmara de gás, ou tentem encontrar documentação sobre isso. E poderão ver como é horrivelmente difícil de executar um homem, somente um homem com ácido cianídrico. O maior e terrível problema são as fugas, isto é, fabricar um local herméticamente fechado. Porque o ácido cianídrico é uma substância que se agarra a tudo. Que ataca tudo. E temos que ter muito cuidado para manter o local, tanto quanto possível, herméticamente fechado, para que não haja perigo para nós próprios.


Se existem ruínas em Birkenau, existe uma coisa normal a fazer. É fazer uma investigação. Porque as ruínas são muito importantes. E este primeiro local de Auschwitz 1 é muito importante. Precisamos de um relatório científico. Como é que um relatório científico nunca foi feito? Nunca ouvi falar de um juízI ou de alguma outra pessoa dizer à polícia, quando há um crime: "Como temos muitas testemunhas, não precisamos de um relatório científico sobre a arma". Mesmo quando a arma é muito usual. Falo de uma pistola ou de uma corda ou de uma faca. Como é que para esta fantástica arma, que nunca ninguém viu ou é capaz de descrever, como é que nunca houve uma investigação dos locais em Auschwitz, Majdanek ou Mauthausen, que supostamente continham câmaras de gás? Não é tarde de mais. Pode ser feito já hoje. Por que é que não o fazem? Acusam a Alemanha. Não há o direito de acusar se não existirem provas. Por que é que recusam um relatório científico? Até hoje parece não existir vontade de fazer uma investigação.


Leia mais em:
Auschwitz, os fatos e a lenda

Entrevista com Prof. Faurisson no jornal Echorouk

[indicação do Diogo, no trampo]

Cinco tipos clássicos de uma empresa comum

por Robson Assis | | 7.10.09 COMENTE!

Você sabe, eles existem. Refletir sobre isso me trouxe uma das melhores after-hours que já tive indo pra casa depois do trabalho. Interessante foi ver que, no fim das contas, cada pessoa se encaixava perfeitamente em um grupo.

COMMITTED
O compromissado. Aquele cara que se predispõe a vir a todos os plantões não para mostrar-se um SUCKER, mas pelo bem de seu trabalho. O que for necessário, ele vai fazer. O que for pedido, ele vai questionar e apontar alternativas. Geralmente, todos os colaboradores passam por uma grande fase committed e nem percebem. Alguns ficam nessa para sempre. Sua baia se torna uma redoma de vidro, um enclausuramento induzido. Caminhando na linha tênue que o separa de um mero puxa sacos.

PCC (Puta Cara Chato)
Aquele colega insuportável que faz do dia de recebimento do holerite um grande show. Cada item descontado é como uma equação matemática e ele geralmente importuna todos os outros perguntando o mitov de todos os descontos, horas extras. Nunca questiona a gerência, deixa sua chatice para os horários coletivos em que biotipos como os ADDICTED e os NEMAI optam por conversar sobre assuntos fora da empresa. Em geral, são os caras que processam a empresa, mesmo sem ter razão, pelo simples fato de que eles são uma empresa e ganham muito dinheiro. Não estão errados, mas são puta caras chatos por falarem isso a todo instante e serem irredutíveis.

ADDICTED
São os dependentes. Aqueles colaboradores que, claramente, estão ali apenas para ganhar seu salário e ir pra casa. NADA MAIS. São metade das pessoas legais da empresa, visto que, ao saírem dali, não vêem motivos para pensar em seus empregos. São pessoas que facilmente aceitariam cargos fantasma, para não trabalhar e receber seus vencimentos no fim do mês. Em parte são COMMITTED, mas existe algo além de se empenhar pelo emprego. Existe uma sublime arrogância com a qual eles negam vir no plantão, pois já tinham marcado aquele futebol ou festa de aniversário que não podem faltar de jeito algum.

NEMAI (Nem aí)
O tipo de pessoal que faz seu trabalho, mas não se incomoda de parar de trabalhar naquele job urgente para discutir teorias conspiratórias insanas ou músicas brega dos anos 80. O tipo de colaborador que dá shift + del nos e-mails importantes da gerência e não se importa de ir mal vestido em reuniões ou ouvir música o dia inteiro, cantar alto e rir de qualquer coisa que lê no computador. Os NEMAI podem ser responsáveis ou não, o fato é que são sempre sarcásticos e inconsequentes. Geralmente são os que armam os churrascos e sítios de fim de semana na empresa e que combinam os happy hours. Sempre têm um bom assunto para falar e são indiferentes com PCCs. No fundo, odeiam e ao mesmo tempo sentem pena dos SUCKERS.

SUCKER
Chupadores de bolas são mais comuns do que se imagina. Existe aquele simples, que puxa saco para manter seu emprego, suas ações tem sempre um quê de ADDICTED. E existem os que levam relamente a sério a parada. Viajar com o chefe se torna algo mais do que uma simples viagem e sim, um grande a alienável jogo de sedução (Muito The O.C e The Office dá nisso). São colaboradores que precisam apenas de um superior para se manterem estáveis. Levam café para o chefe, dão bom dia, perguntam do fim de semana, se mostram dispostos a cultivar uma grande amizade com a chefia e esnobam disso em cima dos outros colegas. Pelo fato de não saberem diferenciar o trabalho de suas vidas pessoais, acabam se tornando PCCs irreversíveis sempre falando dos chefes e das decisões da empresa, mesmo numa mesa de bar, na sexta-feira pós-expediente. Eles se desgarram de todos os outros funcionários comuns para se tornarem um tipo a parte, os escolhidos, embora corram o risco de jamais terem amigos novamente. No fundo, chupar bolas demonstra uma certa coragem.
____________________

E vc, qual o seu tipo?

As duras faces de Kanye West

por Robson Assis | | 14.9.09 COMENTE!

Kanye West é da geração badass do hip-hop internacional. Ele não tem escrúpulos para tomar suas próprias ações sem esbarrar na mediocridade, sequer tem o respeito da velha escola para lhe alertar que subir no palco do VMA sem um bom motivo, não é das melhores atitudes que se pode tomar. E, acredite, dizer a uma garota de 19 anos que ela não fez por merecer e que a mulher gostosa do seu chefe é muito melhor, faz exalar aos quatro ventos a sua completa e totalmente imoral puxação de saco.

Realmente alguns fatos são inegáveis. West é um superstar, colecionador de grandes hits e queridinho do Jay-Z, que é dono de tudo o que é musical e economicamente viável nos EUA. Por outro lado
acumula confusões quase como um colecionador. Existem fãs dizendo que ele é um cara legal, como vi em comentários dos vídeos do VMA no youtube. Há também quem diga que ele sempre foi rude e instável. Outra coisa que é realmente inegável é sua predisposição a lutar pelo seu emprego. Explico: Mesmo sendo grosseiro e utilizando um artifício completamente ineficiente, ele bravejou pelos seus, brigou por beyoncé como quem briga por sua família.

Claro, Beyoncé, talvez por medo da repercussão negativa e para mostrar a classe de primeira dama deixou a garota terminar seu discurso, aclamado pela platéia e por Kanye West que, expulso da festa, a esta hora já acompanhava de casa se desculpando por sua bebedeira e sua revolta infundada em seu... blog?.
"EU SINTO MUUUUUUITO PELA TAYLOR SWIFT PELOS SEUS FÃS E PELA SUA MAE. EU FALEI COM A MAE DA TAYLOR NO BACKSTAGE DEPOIS DO OCORRIDO E ELA ME DISSE A MESMA COISA QUE MINHA MAE TERIA DITO!………………… ELA É MUITO TALENTOSA. EU GOSTO DA LETRA DE ELA SER UMA CHEERLEADER E ELA ESTAR NA PLATEIA……….. EU FIZ ERRADO EM INDADIR O PALCO E ATRAPALHAR O QUE TAYLOR ESTAVA DIZENDO………………O VIDEO DA BEYONCÉ ERA O MELHOR DA DÉCADA!!! DESCULPA PARA OS MEUS FANS, QUE EU ABORRECI!!!!!!! DESCULPA PARA OS MEUS AMIGOS DA MTV!!!! EU SEI QUE EU SOU UM ARTISTA POP, E VOCE SAABE!! EU AINDA ESTOU FELIZ PELA TAYLOR BOOOOOOOOOYAAAH! VOCE É MUITO TALENTOSA!! EU NAO SOU LOOUCO, APENAS SOU SINCERO! EU ME SINTO MUITO MAL PELA TAYLOR E EU REALMENTE SINTO MUITO!!!!"
O jeitinho de escrever, a repetição de vogais e a falta de acentuação não é por minha parte, ele realmente digitou assim. E hoje ainda continuou a lamentação... provavelmente numa ressaca daquelas:
"Me sinto como Ben Stiller em "Entrando Numa Fria" quando ele estraga tudo e Robert de Niro pede para que ele saia. Aquele era o momento da Taylor e eu não tinha direito de tirá-lo dela. Eu realmente peço desculpas."
O fato ofuscou uma grande noite de homenagens a Michael Jackson.

Não sei se estou sendo velha guarda demais, o problema é que eu conheci o hip-hop internacional numa época em que a música tinha certa essência e o lifestyle dos rappers e produtores tinha um glamour mais inteligente do que entrar na cerimônia acompanhado de uma garrafa de conhaque e uma bela garota. Aposto tudo o que tenho que ele não faria isso com a Lil Kim na época em que o Notorius B.I.G era simplesmente uma lenda vida. Uma época em que o respeito, a humildade e a coragem eram deuses que caminhavam juntos e o que estivesse errado seria cobrado de maneira radical. Aquela coisa que os velhos chamam de Lei das Ruas. Mas a Kanye West, antes de tudo isso, falta um mínimo de sabedoria.

Got yourself a Gun

por Robson Assis | | 5.8.09 COMENTE!

Ontem, terminei de assistir um seriado incrível da HBO, The Sopranos (Família Soprano). São seis temporadas, a última dividida em duas partes. A série conta a história de Tony Soprano, um ítalo-americano chefe da família de mafiosos de New Jersey. Entre sua depressão, sua constantes visitas à terapeuta e seus negócios ilegais, Tony ainda têm sua mulher e filhos e não abre mão de comandar os churrascos em sua casa, nem dos almoços de domingo.

A série possui um roteiro absolutamente bem escrito, onde tudo passa a se encaixar perfeitamente no decorrer de seus capítulos. Os personagens têm uma essência e uma maneira de se expressar incríveis que realmente não deixa a desejar e confere respeito ao casting pouco famoso, mas muito convincente. Algumas temporadas são impossíveis de ver pela metade, ou não assistir inteira de uma vez (E eu fico pensando até hoje como a galera consegue ver um episódio por semana sem entrar numa neura absurda pelo próximo).

Basicamente, a história confronta as diversas vidas de Tony Soprano. Em sua casa sua mulher e filhos crescem inseguros e sem muita perspectiva sobre o que os aguarda no futuro. No seu trabalho, todas as pessoas que frequentam sua casa. São mafiosos realmente assassinos, impulsivos e de sangue frio, mas também aparecem como amigos que passam tempo juntos e se divertem entre mulheres nuas e bebedeiras no stripclub chamado Bada Bing. Tudo cercado por negócios, extorsão e suborno, como a máfia deve ser. De um outro lado ainda, existe uma família desfragmentada com a morte de seu pai, Johnny S. Sua mãe Lívia, afetada por uma depressão e desistência sobre qualquer tipod e felicidade humana, sua irmã Janice, cheia de interesses por dinheiro e uma vida melhor e seu tio Junior, um velho ranzinza e pouco simpático. Pra fechar a caixa, ele ainda convive com sua terapeuta que por uma ética mais baseada no medo do que na profissão prefere fingir não saber que seu paciente é um mafioso.

Não prestei tamanha atenção à trilha sonora em todas as temporadas, mas a abertura com Woke up this morning do A3 é sensacional. Entre outros nomes de peso, temos Cream, Bob Dylan e a tocante It was a very good year de Frank Sinatra, no começo da segunda temporada.

Não prestei tamanha atenção à trilha sonora em todas as temporadas, mas a abertura com Woke up this morning do A3 é sensacional (abaixo). Entre outros nomes de peso, temos Cream, Bob Dylan e o lendário Frank Sinatra.

Balela e confete à parte, é bastante recomendável para apreciadores da trilogia do Godfather de Mario Puzo e histórias de gangsters/goodfellas - como o autor deste blog. Se você se encaixa numa dessas categorias e pensa em se entregar à trama, acredite: você pode ficar ainda mais fanático com as pequenas e grandes histórias de Os Sopranos.


A Fábrica de Sangue de Danny Devitto

por Robson Assis | | 28.7.09 COMENTE!


O site The Blood Factory, de Danny Devitto lançado na Comic Con, é uma dessas grandes e brutais obras que ninguém admira e que acabam despercebidas. É um site com curtas de horror. Sim, horror, filme B. Não terror, não existe ninguém te assustando, existe sim a morte, a decapitação, o sangue, "ou coisa que o valha" para citar o inexistente Salinger.

Além de todo o sangue, pra mim os curtas são pequenos excertos sobre a socidade atual, sobre como somos podados, alienados e desprezíveis. O fato é que, neste tipo de filme, você vê o vegetariano se transformando numa espécie de Hannibal e uma destemida crente assassinando um homem pelo seu crescimento espiritual.

Como sei que pouca gente curte esse tipo de coisa, fica apenas como dica de um ex-viciado em Contos da Cripta, nas tardes da Band.


D'outro lado da janela

por Robson Assis | | 6.6.09 2 Comentários

Sei lá, é só uma madrugada. Fria, de junho, como nos poemas mais sombrios. Daqui pra ver o ponto de ônibus, um ou outro carro passando ao acaso na avenida, luzes de sirene bem longe. O lugar em que vivo é realmente demais. Mesmo as vilas, as ruas mal cuidadas, os portões e as lixeiras com sacos pretos bem amarrados. Tudo é clareado por uma luz que não é branca, que não traz tranquilidade. Tudo tem uma certa urgência em ser salvo. Essa é a cor da luz. Nunca se sabe o que pode acontecer na rua às cinco da manhã. Aqui em casa sou eu e minha consciência. Lá fora, o resto do mundo.

A cidade alta do paraíso (Paraisópolis)

por Robson Assis | | 4.2.09 2 Comentários

Todos vimos a favela de Paraisópolis numa tarde e noite de terror dias atrás. Moradores apavorados, carros incediados, destruídos, enfim. Em primeiro lugar, temos que deixar claro que não se acredita no que se vê na Globo (a verdade é dura, crianças). Em segundo lugar, a Tropa de Choque age simplesmente para determinar que todos são bandidos. As duas entidades citadas são irredutíveis quando se fala em favela ou gente pobre em manifestação: todos são vândalos e baderneiros. Hoje mais de 300 homens trabalham no local, para prevenir novos levantes. E o povo precisa caminhar nas ruas com viaturas da Força Tática os olhando como bandidos, com repórteres mais sensacionalistas e circunstanciais que se aproveitam de um tema para criar monstros e apresentar quem está certo e errado. Pra fechar, helicópteros sobrevoam a porra toda. Fantástico é ver a luta desse povo que só quer um lugar mais digno de se viver.

McCain x Obama

por Robson Assis | | 4.11.08 COMENTE!

Quem será que vai apoiar a volta da ALCA? E do NAFTA? Quem defende a omissão às patifarias do Chavez, quem não quer a Rússia por perto? Em consideração ao mundo, você sabe em quem votaria hoje, nos EUA? As respostas não são claras, tampouco fáceis de saber. Quem decidirá pelo futuro do mundo, pelas guerras, pela diminuição da poluição, pela extinção da pobreza. Nenhum deles! As prioridades governamentais são gerar riqueza e lucros em bancos que fabricam dinheiro inexistente, marginalizam a sociedade em dívidas e colocam como seu principal meio de sua sobrevivência, a nossa subserviência. Não, eu não acredito na democracia. Não acredito e acho ridículo acreditar que um cidadão possa decidir por milhares de outros, isso é, no mínimo, inaceitável. Se você não vai com a cara nem do seu vizinho rabugento que conhece a anos, por que acreditaria em alguém que sequer ouviu falar? Sem mais perguntas, a decisão fica a cargo da nossa ilusão, fica pela crença indecorosa de que dias melhores virão.

Para refletir:

Quem será o dono do mundo?
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/eleicaoeua/infograficos/quiz-bush.jhtm

Documentário:
Orwell Rolls in His Grave (quem quiser uma cópia eu gravo)

Criando monstros e fantasmas

por Robson Assis | | 20.10.08 2 Comentários

Certas vezes me sinto desleixado. Talvez por ser um jornalista escória da raça. Não leio o Estadão todos os dias, nem tento ler o NY Times - OK, mas só algumas vezes - Sequer tenho tino para escolher matérias boas e mandar para os amigos mais próximos. O que sei é enxergar o jornalismo de fora, como um analista, entender seus fracassos, seus trejeitos.

A mídia, com poucas 'Isabelas' para contracenar na retrospectiva, buscou mais atores, mais vilões, criaram uma minisérie de quatro capítulos com o caso do rapaz que sequestrou a ex-namorada e a amiga em Santo André. Cada dia aquilo, tinha mais cara de produção da Globo. O CDH parecia até com o Projac.

Conspirações à parte, quero que me expliquem. Por que um refém sequestrado voltaria ao seu cativeiro? Como uma equipe policial organizada, tática e meticulosa não consegue invadir um conjunto habitacional? Se havia risco do fulano matar as vítimas, porque não trataram o sequestrador como um criminoso, mas como um ser humano decepcionado com a vida?

Bom, aí vai minha recomendação cinematográfica de hoje para entender porque eu tenho tanta cisma com a mídia:

O Quarto Poder (1997)
Em Madeline, Califórnia, um repórter de televisão (Dustin Hoffman) que está em baixa, mas já foi um profissional respeitado de uma grande rede, está fazendo uma cobertura sem importância em um museu de história natural quando testemunha um segurança demitido (John Travolta) pedir seu emprego de volta e, não sendo atendido, ameaçar a diretora da instituição com uma espingarda. Ele nada faz com ela, mas acidentalmente fere com um disparo acidental um antigo colega de trabalho. O repórter, de dentro do museu, consegue se comunicar com uma estagiária que está em uma caminhonete nas proximidades, antes de ser descoberto pelo ex-segurança, que agora fez vários reféns, inclusive um grupo de crianças que visitavam o museu. Em pouco tempo um pedido de emprego e um tiro acidental se propagam de forma geométrica, atraindo a atenção de todo o país. O repórter convence ao segurança que este lhe dê uma matéria exclusiva e promete em troca comover a opinião pública com a triste história do guarda desempregado. É a sua chance de se projetar e voltar para Nova York, mas nem tudo acontece como o planejado. Os fatos são manipulados pela imprensa e tudo sai do controle, pois apenas altos salários e índices de audiência contam e a verdade não é tão importante assim.

Não queremos saber

por Robson Assis | | 8.10.08 COMENTE!

Houve um tempo em que a falta de entendimento de nossa situação foi a causa principal de nossa humilhação. Hoje somos pessoas que aceitam o preconceito, os tapas na cara, a zombaria dos ricos e ainda assim levamos a vida sorrindo e trabalhando, para não me aprofundar em outros gerúndios piores. A civilização inteira é montada sobre esse tipo de gente que somos nós. Que durante a semana recebe ordens, gritos, abaixa a cabeça e no fim de semana bate a laje de casa com os amigos felizes da vida por ter sobrado 30 reais do salário. Enquanto o outro, o que dá as ordens, serve-se de um capuccino italiano, em sua poltrona sueca em couro alemão, enquanto assiste na TV a cabo um documentário sobre a pobreza em Angola. Não há esperança. E sim, omissão.

Carta aos braços cruzados

por Robson Assis | | 29.8.08 COMENTE!

Que o silêncio da verdade o puna, esta é minha mais profana e singela maldição. Achou que ia ser enviado à terra para ser um popstar? Pois é, não aconteceu. E agora o tempo passou, suas chances de se lançar ao mundo com algo brilhante estão ficando cada vez menores e mais distantes. E o que fazer? Sentar em frente ao seu computador e sorrir outra vez, talvez não, mas é o que vai fazer. Irresistível a acomodação, não é, seu parasita? Quando perceber que passou em branco pela história da humanidade, vai então querer morrer. E sozinho, outra vez, no vazio do universo, vai ouvir as vozes e os barulhos deste mundo como algo dizendo que você se ferrou. Só então o silêncio será sua própria liberdade.

Bossa nova para o povo?

por Robson Assis | | 14.8.08 1 Comentário

Sacanagem o que fez a Ticketmaster em relação ao show de comemoração dos 50 anos de Bossa Nova, um show no Ibirapuera com Caetano veloso e Roberto Carlos e preços até que acessíveis. O site informou que abriria a venda de ingressos nesta quinta às 10h da manhã. A venda seria feita apenas pela internet e pelo televendas. Imaginou a confusão? Linhas ocupadas, site fora do ar. Muita gente não conseguiu comprar por conta do óbvio congestionamento da página. E isso resultou num dos mais polêmicos espaços para leitores da Folha. Clientes se sentindo enganados, outros especulando sobre uma máfia dos ingressos e inclusive imaginando que os ingressos sequer foram vendidos.

Portanto não se espante se nos dias 25 e 26 o auditório do Ibirapuera estiver lotado de atores e atrizes da Globo, socialites medonhas e cantores falidos de música sertaneja. Espero que alguém cubra a festa da música popular brasileira que convidou apenas brasileiros mais representativos.

Mesmo considerando a hipótese de que alguém tenha conseguido comprar os bilhetes, este é um número ínfimo em relação à demanda que o show poderia esperar.

Eu não ia neste show, fiquei sabendo do negócio todo através da Luciana, mais uma das que tentaram desesperadamente comprar o ingresso. E olha que ela chegou a comparar a apresentação do Rei e do Magrelo baiano ao show do Rolling Stones. O que me comoveu mesmo foi o fato de uma festa à cultura do povo ser promovida em um lugar com 850 lugares e com maneiras tão complicadas de adqurir ingresso.

Falei.

Bom, se alguém tiver interesse, a exposição Bossa 50 está até o dia 24 deste mês no Pavilhão da Bienal, também no Parque Ibirapuera. A entrada é gratuita.

EXPOSIÇÃO BOSSA 50
Onde: Pavilhão da Bienal - Parque do Ibirapuera, São Paulo
Quando: de 15/07 a 24/08, terça a domingo das 10h às 22h
Quanto: entrada franca.

A liberdade (ou a falta de)

por Robson Assis | | 8.8.08 COMENTE!

Uma dor estrondosa no peito insiste que eu desista. Todos os dias de manhã acordar, condução, trabalho, rotina desde a adolescência. Se passaram alguns anos e a batalha por sobrevivência continua. Na única vez em que tive a oportunidade de ter um trabalho digno, próximo à minha casa, fui eliminado por não me portar como um executivo, um homem de negócios e ter prerrogativas mais simples e humanas sobre existir.

Sofrimento e confronto de ideais. Não quero me render, não quero ser mais uma vítima. O sistema nos joga num poço sem fundo e nos deixa caçando saídas, mesmo sabendo que possivelmente jamais as encontraremos. No debate sobre literatura, dias atrás, uma frase não quis mais sair da minha mente: "A vida não é um ensaio". Temos uma tentativa pra fazer tudo dar certo. E se quisermos seguir até o fim nessa, vamos ter o que nos foi reservado pela ordem natural das coisas. Existem caminhos demais para escolher. E dependendo de sua cor, origem, raça e religião, isso pode se tornar um labirinto sem porta de saída para a felicidade.

A crença foi criada pelos homens para que não se sentissem tão solitários no universo. Assim como os extra-terrestres e TV a cabo. Portanto acredito que, por mais que se estude, seja o idealizador de um projeto escabroso na NASA, que vai mudar a vida de milhares de pessoas, lhe render muita grana na conta e uma foto sua estampando a capa dos melhores do ano na revista People, você ainda é tão ignorante quanto aquele moleque soltando pipa da laje no Jd. Santo Eduardo.

Inventem o remédio para a vida eterna, pílulas de emagrecimento precoce, poltronas massageadoras, a cura do câncer, das doenças venéreas, da dependência química, da miséria intelectual e humana, reinventem o mundo oba-oba e acabem com o mercado. E aí pergunte-se: O que estou fazendo aqui neste computador, com estas pessoas ao meu redor e pensando sobre isso? Você vai ver que o mundo pode ser eterno, mas nossa liberdade é por demais limitada.

Disputas internas pelo mesmo território

por Robson Assis | | 6.8.08 COMENTE!

Depois de Hiroshima descobrimos que o mundo tem um botão 'delete'. Há quem diga que não morreremos assim, há quem seja pessimista o bastante para acreditar num apocalipse bíblico cheio de luzes, cantos e arcanjos em que depois só haverá escuridão. Eu acredito na desgraça social que a política nos entrega na bandeja, acredito que eles criaram este mundo em que o ódio nasce onde quer que se plante.

Há exatos 63 anos atrás, uma bomba despojou uma cidade inteira. Entregue, rendida e mesmo assim, aniquilada. Matar por teste foi a ordem. O fato originou a corrida armamentista que tanto nos lembra os livros de história, embora eu não saiba de algum destes livros que possua um capítulo sobre o sangue derramado tão necessário para construir cada episódio de nossa existência.

Declaradamente, Israel, Irã, Coréia do Norte e Líbia dispõem de conhecimento para produção de armas nucleares, isso continua deixando populações inteiras de vítimas que mal sabem o que acontece em seus bairros, quanto mais em seus países.

Einstein disse não saber quais armas serão usadas na III Guerra Mundial, mas tinha certeza que a IV seria disputada com paus e pedras. Eu já acredito que exista uma guerra que travamos em nós mesmos todos os dias para tentar ser um pouco mais lúcidos e extremamente menos lúdicos neste mundo louco. Uma guerra que, por enquanto, ainda estamos perdendo.

Cante pro céu

por Robson Assis | | 4.8.08 COMENTE!

Um samba de duas notas só, com todos cantando ao redor da mesa, de preferência espantando o pior. A tarde de domingo nos deixa indecisos sobre como agimos por nossas vidas. É a verdade de quem não se contenta apenas com o pó. De novo o dó, na melodia a nota menor. Dizendo sobre amor, cantamos alto em direção ao céu que espera seus malditos réus, os cúmplices natos, heróis abstratos, filhos bastardos. Que refrão ingrato cantava Cartola, o trovador do pessimismo. Óculos na cara e doce fala: "de cada amor tu herdarás só o cinismo". Me traga um gole de esperança nessa mesa cheia, me traga outra cerveja. Abre a roda, que recomece a dança! Cante pro céu como criança. Vamos festejar nossa solidão e dar asas à nossa esperança.

Dois lados podres da moeda

por Robson Assis | | 29.7.08 COMENTE!

Sobra a eles a rua vazia e um caos que atordoa a mente. O pai deitado sobre o asfalto parece dormir sobre um tapete de sangue. Os policiais chamam reforço e saem em disparada. Quando Neguinho e Biriba tentam entender chega outra viatura. Dois homens fardados chutam a fechadura com força. Estão conseguindo, até que a porta cede. Apontam as armas em suas cabeças, chutam os dois irmãos abraçados para o canto do cômodo. Eles tremem e continuam de olhos fechados, mais unidos do que jamais foram. Ouvem os policiais que derrubam os móveis, viram a casa de ponta cabeça e vão embora. Crescem com aquela cena na cabeça. "Policial não presta". O que a mente humana reserva para dois garotos traumatizados com órgãos de segurança, além de nascidos em bairros periféricos, nunca vamos saber. Quem vai se salvar? Os meninos, com estudo, trabalho e esperança, contrariando o sistema que lhes ignorou desde o início? Ou a socialite rendida dentro da mansão, chorando com uma arma apontada na cabeça? Os índices de violência provam: O futuro reserva mais riscos do que oportunidades.