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2011, um novo começo

por Robson Assis | | 30.12.10 COMENTE!

Amigos, em 2010 foram quase 4 mil visitas e 6400 pageviews (Analytics, seu lindo), mas isso é de importância menor. Este ano de 2010 fiz incríveis amigos, conheci pessoas novas não tão próximas e descobri meu lugar onde menos esperava. Não estou sempre presente, mas o coração está. É muito importante que seja sempre assim.

Que entre as metas de 2011 estejam o crescimento individual e a felicidade nas pequenas coisas. E que a cada dia tenhamos uma nova busca, um novo caminho que nos guie ao único.

Para o ano que vem, espero poder ter mais tempo para postar e me dedicar aos textos, resenhas e crônicas deste blog. Já estou me programando, sério, espero que não seja só mais um tópico na wishlist.

"Um por um, Deus por nós, tô aqui de passagem / Vida loka, eu não tenho dom pra vítima / Justiça e liberdade, a causa é legítima / Meu rap faz o cântico, dos loucos e dos românticos, vou / Por um sorriso de criança aonde eu for / Pros parceiros, tenho a oferecer minha presença / Talvez até confusa, mas real e intensa..."
Racionais MC's, Vida Loka parte II

Feliz 2011 a todos.

De bombeta e moletom #4 (mixtape)

por Robson Assis | | 8.12.10 COMENTE!


Ilustradora freelancer e designer, Diana Koehne trabalha com pinturas e colagens em diversas esferas da arte. Em seu site oficial, podemos encontrar uma vasta gama de trabalhos desde obras em shapes de skate, até ilustrações publicadas em revistas e livros. Uma das mais impressionantes - embora toda a obra mereça reconhecimento - são seus personagens, sempre caricatos e irreais, às vezes desenhados em post-its, outras em caixas, mas sempre com seu toque e detalhe pessoal.

A mixtape mais despretensiosa da internet volta à baila em sua quarta edição e traz uma coleção de músicas que venho ouvindo no repeat nos últimos meses (ou nos últimos dias, como o caso do single Olha pros Neguinho, do Xará com participação do Emicida). Tem uma indicação boa do meu camarada Max, que me mostrou o Thai, rap asiático, com a música Lost and Confused, além de várias boas, escolhidas sem critério e ao sabor dos ventos.

Tendo isso em vista, ouça abaixo pelo streaming, ou baixe aqui (52.15 MB).



01. SNJ, Se Tu Lutas Tu Conquistas
02. Projota, Véia
03. Blacastan part. Moe Pope, City II City
04. Parteum part. Kamau e Rick, Época de Épicos
05. Xará part. Emicida, Olha Pros Neguinho
06. Eminem part. Dr. Dre e 50 Cent, Crack A Bottle
07. Pentágono, O Q
08. Xis, Tudo Por Você Também
09. Nel Sentimentum, Bóra pro Rolê
10. Wiz Khalifa part. Wale and Trae, The Breeze Cool
11. Primeira Função part. Black Lion, Sociedade Quilombo
12. Thai, Lost and Confused
13. Rashid part. Marechal, Acendam as Luzes

Os livros de novembro

por Robson Assis | | 6.12.10 3 Comentários

Cartas do yage, William Burroughs e Allen Ginsberg - Geração beat em sua forma mais devotada. O livro fora escrito primeiramente com base nas cartas enviadas por Burroughs a Ginsberg na viagem que o escritor empreendeu ao Peru e Colômbia após a morte de sua mulher (ia inserir aqui o 'fatídica morte de sua mulher', mas me pareceu irrelevante). Suas cartas contam sobre a região, a pobreza e a escassez de espíritos livres. É a visão de um turista à procura de uma alucinação, da ayahuasca, como se conhece melhor por aqui, uma droga que promete libertação através dos poderes anestésicos da natureza. Sete anos mais tarde, Ginsberg fez a mesma viagem e a relatou também através de cartas (e alguns desenhos absurdos) para o amigo. Observa-se uma visão limitada e fria sobre a miséria dos países de terceiro mundo do hemisfério sul. Um visão de intelectual norte-americano sobre o que não consegue entender. De qualquer forma, a viagem e as viagens afluentes são extremamente interessantes e absolutamente bem escritas, dignas de apreciação. O livro, curto, de rápida leitura, termina com um texto poético de Burroughs intitulado Estou morrendo, mister?, depois O vinho das visões prodigiosas, de Eduardo Bueno, sobre a geração beat e esta pequena nota de Ginsberg, datada de 1963, que diz muito sobre o livro: A quem interessar possa: autodecifra-se esta correspondência assim: a visão dos anjos-guias que meus companheiros homens e mulheres vislumbraram inteiramente pela primeira vez enquanto o curandero cantarolava com suavidade no estado de transe de 1960 foi a profética transfiguração da autoconsciência, da sensação de medo eterno da alma sem lar na encarnação do corpo sentindo felicidade real.

O senhor dos anéis, As duas torres, J.R.R Tolkien - A continuação. Só depois do segundo, descobri que comecei errado ao ler primeiro a trilogia e não O Hobbit, aventura que explica muito algumas passagens obscuras da saga do anel. Sinceramente, não achei que fosse suportar toda a série após o primeiro livro que traz muita conversa perdida e pouca aventura consistente. A parte disso tudo, As Duas Torres tem algumas aventuras que envolvem escolhas morais simples, mas não menos problemáticas e termina com uma sacada excelente (e que, provavelmente, vai fazer de Sam Gamgi a personificação do sentimento de culpa no terceiro livro). Tem aquilo que já havia falado sobre A Sociedade do Anel, de transportar o leitor para um outro mundo completo, desligar o botão da Terra e o colocar como espectador da história de Frodo e o Anel na Terra Média. A segunda parte de As Duas Torres tem alguns diálogos sensacionais entre Frodo e Sam. Conversas triviais, mas espetaculares e bem encaixadas no contexto da história, do que passou e do que vem pela frente. É, sem dúvida, um livro fluente, que prende sem martirizar ou encher de balelas metafóricas. A história segue em frente e sobram questões demais para O Retorno do Rei, último livro da história. E, bem, ainda não vi os filmes de Peter Jackson e já me alertaram sobre o outro erro que é ler os livros antes de ver os filmes, embora isso não caracterize um grande problema, na minha opinião.

O mundo fora dos eixos, crônicas, resenhas e ficções, Bernardo Carvalho - Uma coletânea com 50 textos publicados originalmente na Folha de São Paulo, entre 1995 e 2005, do autor de Mongólia e diversos outros livros. Além disso, o volume conta ainda com 10 resenhas e seis contos curtos e ficcionais. A maior e mais interessante seção do livro são as crônicas, que, baseadas em um livro, filme, peça de teatro ou obra de arte, trata sobre temas que permeiam o elemento cultural em questão até concluir o ponto em que o autor quer fazer entender. Impossível destacar qualquer crônica destas a não ser por uma divisão estilística ou de gênero. De acordo com meu conceito vago sobre as pessoas que acessam este blog, deixo indicado aqui o texto A tentação de Santo Antônio: ler para ver, em que o autor cita o K.O.S (Kids of Survival), grupo formado no South Bronx, em Nova York, que, sob a orientação de um artista plástico, cria obras de arte a partir de discussões sobre a leitura de textos literários, relacionando a história de sua principal característica (pintar sobre as páginas do livro) ao texto de Flaubert chamado As tentações de Santo Antônio, que na época ganharia uma montagem de Bob Wilson. Bernardo Carvalho consegue perfeitamente englobar em seus textos idéias e conceitos díspares e chegar a um ponto comum de maneira inacreditavelmente lúcida ao transpor o leitor para diversas esferas de pensamento.

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway - Minha idéia sobre livros que você sempre quis ler é a de que, invariavelmente, eles acabam caindo na sua mão da maneira menos provável. Encontrei meu exemplar de O Velho e o Mar num destes sebos-banca-de-jornal do centro de São Paulo, quando procurava algum clássico esquecido entre os milhares de livrinhos pocket com histórias eróticas camufladas em nomes de garotas (Jessica, Bianca etc). A história de Santiago não faz alusão a alguma moral ou a um estado de espírito, tampouco se coloca no papel de criticar ordens pré-estabelecidas. É uma excelente história sobre a luta de um homem contra a natureza, mas sem a caretice extrapolada dos neo ambientalistas, sem a visão embaçada e parcial dos que lutam por uma causa. É a história de um velho pescador que tem o mar como segundo lar, como pai, irmão e amante. Um senhor que após mais de 80 dias sem pescar nada em alto mar, consegue um grande feito que o eterniza naquilo ao que realmente dedicou toda a sua vida. Foi o último livro escrito por Hemingway, que não ficou entre os mais bem comentados pela crítica, mas até hoje figura como um de seus clássicos mais influentes e indispensáveis para toda a sua obra.